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X-Men: Fênix Negra – Roteirista da HQ diz que gostaria de adaptação em uma série como “Game of Thrones”!

Por Raphael Martins

A Saga da Fênix Negra já foi adaptada duas vezes para o cinema, ambas com resultados fracos de bilheteria e duras críticas por parte dos fãs. Diante disso, é compreensível se perguntar se ela pode mesmo ser contada de uma forma satisfatória em outra mídia que não seja os quadrinhos, ainda que a adaptação no desenho clássico dos X-Men tenha sido extremamente elogiada.

Em uma entrevista recente ao site CBR para marcar a ocasião do lançamento de X-Men: Fênix Negra ao mercado de home video, Chris Claremont, roteirista da saga original das HQs, falou um pouco sobre sua carreira e sobre o filme.

Ao ser perguntado sobre a melhor maneira de adaptar A Saga da Fênix Negra de forma a contar a história como ela merece, Claremont disse:

“Na verdade, eu acho que a forma mais apropriada – especialmente com a tecnologia de produção de hoje, e mais importante, o tamanho das televisões de tela plana – seria com uma minissérie no mesmo estilo de Game of Thrones. Você poderia começar com a história da Fênix, com sua transformação na Fênix, ir construindo até a Fênix salvar o universo em X-Men #107/10 e aí começar a Fênix Negra, porque para mim, a chave deste arco de histórias é que você precisa se apaixonar por Jean, tanto quanto Scott, e você precisa conhecer Scott e Jean. Você precisa criar laços com eles como personagens, como pessoas, e só aí acompanhá-los nesta montanha russa.

 

A coisa para se ter em mente, se você quiser fazer uma comparação, é pegar as duas últimas temporadas de Game of Thrones. A chegada do Rei da Noite e a Batalha de Winterfell, onde as pessoas que você conhece, pessoas com as quais você se importa há dez anos, estão morrendo, e aí tem aquele momento onde Arya Stark aparece do nada, acaba com o vilão e salva o dia é de tirar o fôlego porque, nossa, é aquela pessoa que você sabe que é a certa para fazer isso, mas como ela pôde fazer isso? Como ela derrotou o Rei da Noite? Bem, você já teve algumas temporadas mostrando o treinamento dela para ficar tornar mentalmente preparado para aceitar vê-la derrotando esse vilão todo-poderoso, e agora, com o Rei da Noite vencido, você tem mais meia-temporada com coisas para superar só para lidar com os Lannisters.

 

Este é o ponto, esse tipo de arco, onde fica claro que você pode fazer uma série de TV. Quero dizer, imagine comprimir Game of Thrones em um filme de duas horas e meia? A quantidade absurda de cortes que você precisaria fazer. Olhe para o tanto de cortes que eles tiveram que fazer para caber tudo em uma série de TV, imagine em um filme. O mesmo se aplica com a história da Fênix. Se você não perder seu coração para Jean como Scott faz, então todas as outras coisas não tem nenhum impacto, mas se você a ama como ele a ama, se você se importa com ela tanto quanto os outros X-Men, se você ver que ela é uma pessoa realmente boa e heroica que foi pega por essa força onisciente ao ponto de ela ter que fazer uma escolha significantemente imoral, é muito mais efetivo se você tiver um tempo para desenvolver este arco com ela, e o aspecto mais desafiador de se fazer um filme é o tempo.

Uma das coisas que Simon [Kinberg] realizou nesse filme é que ele é feito para fazer você se apaixonar por ela, ele fez com que você sentisse sua dor enquanto ela passa pelo Yin e o Yang de ‘Oh meu Deus, então eu tenho este grande poder. Meu Deus, o que foi que eu fiz com a Mística?’ Ela é arrebatada por isso enquanto é seduzida pela D’Bari. É uma montanha Russa, mas por ser um filme, é muito intenso, mas é algo curto e eu gostaria de – a razão pela qual eu falo em termos de uma série de TV, por exemplo – é que eu quero esticar isso. Eu quero prolongar o comprometimento do público e a agonia que eles sentem.”

Finalizando seu raciocínio, o roteirista justifica sua opinião:

“Você precisa lembrar que a história original da Saga da Fênix Negra começou na edição 100 e terminou na edição 137. Isso são três anos, quase quatro, já que as primeiras edições eram quinzenais. Então você tem essa quantidade formidável de tempo para os leitores se apegarem aos personagens e então nós apenas continuamos a puxar o tapete deles a cada edição. Precisamos encontrar uma maneira de fazer desse jeito em qualquer adaptação.”

Na galeria abaixo, fique com artes conceituais do filme:

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael