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Vingando o Legado: Gavião Arqueiro

Por Gus Fiaux

Quando falamos de super-heróis e figuras tão mitológicas, sempre nos questionamos sobre o papel de seres humanos “normais” no meio desse conflito. E quando pensamos nisso, logo nos vêm à mente a ideia de personagens que, apesar de lutarem entre os grandes deuses e monstros, não possuem poderes.

No Universo Cinematográfico da Marvel, ninguém desempenha melhor esse papel do que o Gavião Arqueiro, um herói que, apesar de ter lutado contra figuras super-poderosas, como Loki e Ultron, sempre foi um ser humano normal, munido apenas de um arco-e-flecha no meio de batalhas sobre-humanas.

Nos quadrinhos, a história de Clint Barton se desenvolveu de uma forma bem diferente do que nos cinemas. Aqui, ele era um artista circense que, com inveja da popularidade do Homem de Ferro, tentou a todo custo se tornar um super-herói. Entretanto, em sua primeira empreitada, ele acabou sendo confundido com um vilão.

Irado pela forma como foi visto, ele acaba decidindo que seria o vilão que todos queriam – e algumas edições depois, acaba se juntando à Viúva Negra, uma espiã soviética que tinha interesse em roubar os planos do Vingador Dourado.

Depois, a própria Viúva (após passar por um arco de redenção) o ajuda a se redimir. Assim, ele integra a segunda formação dos Vingadores, se tornando um dos heróis mais honrados do Universo Marvel.

Na franquia cinematográfica, as coisas começaram de uma forma muito diferente desde que o conhecemos em Thor. O filme não explora muito a personalidade do herói, mas já sabemos de cara que ele é um agente tático da S.H.I.E.L.D., chamado em missões importantes. Ele demonstra isso ao quase atirar no Deus do Trovão, enquanto o herói tenta a todo custo levantar Mjölnir, o seu martelo encantado.

Embora não seja uma estreia tão marcante quanto a estreia da Viúva Negra em Homem de Ferro 2, é o suficiente para que saibamos quem era essa figura tão importante para a criação do grupo composto pelos Maiores Heróis da Terra.

Em Os Vingadores, o personagem continua sua missão como um agente da S.H.I.E.L.D.. No entanto, os problemas logo o encontram quando Loki retorna à Terra, trazendo consigo a Joia da Mente. O Deus da Trapaça vê no Gavião um possível aliado, e usa a joia para controlar sua mente, transformando-o em um soldado inescrupuloso e violento.

Assim sendo, heróis são convocados para deter o vilão e resgatar o herói. E no cerne disso está Natasha Romanov, que possui uma longa história ainda inexplicada com o personagem. Sabemos que ele foi o responsável pela redenção da heroína na franquia, e ela se sente no dever de retribuir.

Não se engane: apesar de não possuir poderes, ele é um Vingador tão digno quanto qualquer outro!

Por conta disso, é realmente interessante que vejamos a Viúva enfrentar o Gavião em uma luta gloriosa, enquanto tenta a todo custo restaurar sua memória e seu controle. Eventualmente, Barton se livra das garras de Loki, e decide que precisa se juntar à luta para se vingar de quem o fez cometer atos hediondos.

E se alguém acha que um homem comum com um arco-e-flecha não pode ajudar na batalha, basta olhar para o Gavião para perceber o quanto estão errados. Com suas flechas especiais, ele detona hordas de Chitauri e causa uma distração no Deus da Trapaça, que posteriormente faria com que o vilão fosse derrotado.

Se ele começa como um capanga involuntário do vilão, logo se prova como parte integrante da equipe. O “elemento humano” ao lado da Viúva Negra, que faz com que a equipe não seja composta apenas por deuses e figuras inalcançáveis.

Quando Vingadores: Era de Ultron chegou aos cinemas, Joss Whedon disse que gostaria de fazer justiça ao personagem que não havia sido bem trabalhado no primeiro filme da equipe. Portanto, sabemos desde o começo que o personagem tem um grande segredo escondido.

No meio do filme, descobrimos que se trata de uma família, escondida pela S.H.I.E.L.D. para que os inimigos do agente não procurem se vingar. Escondidos em um casebre no interior, eles formam um lar para o vingador mais humano que conhecemos.

E embora alguns fãs tenham ficado divididos em relação à construção dessa trama para o personagem, não podemos nos esquecer de que é justamente isso que o diferencia de todos os outros heróis do Universo Cinematográfico da Marvel. Ele possui uma família que não está envolvida no mundo maluco habitado por super-heróis e criaturas fantásticas. No fim do dia, ele ainda precisa voltar para sua esposa e seus filhos.

Contudo, em Era de Ultron, ele desenvolve uma relação bem especial com dois novatos: o Mercúrio e a Feiticeira Escarlate. Embora ele demonstre uma rivalidade amigável com o velocista, a bruxa logo vira sua “protegida”, mesmo que seus primeiros encontros não sejam muito acalentadores.

O ápice disso vem na grande batalha final. Ele é quem motiva Wanda Maximoff a sair de sua zona de conforto para enfrentar Ultron. Após um grande discurso motivacional, ele revela que também tem medo das coisas ao seu redor, mas que sempre tenta dar o melhor de si – e no fim das contas, é isso que faz um Vingador.

Porém, o epicentro da transformação se dá com a morte de Pietro Maximoff. Quando o velocista tenta salvá-lo e acaba morrendo no meio do tiroteio, é a primeira vez que vemos Barton confrontando sua própria mortalidade, e percebendo que sua família é o que há de mais importante para ele. A partir daí, ele decide se “aposentar” da vida heroica.

Entretanto, como já percebemos, a aposentadoria de Barton nunca dura muito. Quando o reencontramos em Capitão América: Guerra Civil, ele é forçado a voltar à ação após descobrir que os Vingadores estão fragmentados e que há uma grande luta se aproximando.

De volta à ação

É por isso que faz muito sentido que ele venha justamente para resgatar a Feiticeira Escarlate, presa na Mansão dos Vingadores pelo Visão. Mesmo sabendo que não pode superar os poderes do androide, ele dá o máximo de si para resgatar aquela que é sua “aprendiz”.

Durante a batalha que se sucede, ele é forçado a confrontar a Viúva Negra, além de diversos outros heróis. Contudo, é o confronto com sua ex-aliada que realmente importa, pois é o que mostra – dentro do contexto do filme – que nenhum desses heróis está disposto a matar os outros. É um confronto necessário, mas que todos ali queriam poder evitar.

Após ser preso, ele faz um acordo e passa a pagar a pena de prisão domiciliar, o que o deixa mais uma vez com sua família, e longe dos conflitos super-heroicos. Mas mais uma vez, o sossego não duraria por muito tempo.

Mesmo ausente em Guerra Infinita, descobrimos logo ao início de Vingadores: Ultimato, que toda a família do herói foi uma baixa após o estalar de dedos de Thanos. Barton se vê sem mais ninguém no mundo, sem a família que o confortou desde o início.

E em vez de recorrer aos seus aliados em busca de conforto, ele parte em uma vendeta pessoal.

Adotando o nome de Ronin – na cultura japonesa, um samurai sem mestre – ele se torna um carrasco, um justiceiro. Sua meta é eliminar todos aqueles que julga “indignos” de continuarem vivos. Uma veia extremista, surgida como luto pela morte de sua família.

Quando é chamado para integrar os Vingadores mais uma vez, no assalto temporal das Joias do Infinito, ele hesita, mas parte. Sabe que sua honra está estritamente ligada à equipe – e à Viúva Negra, que é um lembrete constante de sua vida heroica.

Faz muito sentido que ele seja usado como “teste” para retornar ao passado, e possa rever sua família. Isso reforça, mais uma vez, a ideia de que ele é o núcleo humano dos Vingadores, junto com personagens como o Homem-Formiga. E é isso que o convence de fazer o que é necessário.

Em Vormir, temos o conflito devastador. Ele e Natasha se enfrentam pelo “direito” de se sacrificar em troca da Joia da Alma. E embora muitos fãs preferissem que Clint tivesse se sacrificado, isso não acontece por alguns motivos. Primeiro porque ele precisava retornar à sua família. E segundo porque a Viúva precisa retribuir, de uma vez por todas, tudo o que Clint fez por ela.

Juntos até o fim.

Passado o confronto final, é a vez das despedidas. Temos um funeral para o Homem de Ferro, e é mais uma vez interessante notar que, ao se afastar e se lembrar de Natasha, ele recorre a Wanda Maximoff para desabafar. A Feiticeira está lá mais uma vez, dividindo um momento íntimo e fúnebre com o Gavião.

Ainda não sabemos o que esperar do futuro, mas temos boas perspectivas para o Gavião Arqueiro. Sabemos que ele terá sua série solo no Disney+, onde devemos conhecer sua sucessora, Kate Bishop. Dessa forma, mesmo que se aposente – definitivamente, dessa vez –, o seu legado permanecerá vivo, como parte do herói que ele sempre foi.

Um herói humano, falho e “pequeno”, perto dos demais. Mas também um herói digno, honrado e brilhante, que apesar de possuir apenas um arco-e-flecha, nunca renegou o combate, ainda mais quando a segurança dos outros estava em risco.

Na galeria abaixo, fique com cartazes de Ultimato:

Vingadores: Ultimato está em cartaz nos cinemas.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux