Universo Expandido: O passado, presente e futuro de Star Wars!

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Universo Expandido: O passado, presente e futuro de Star Wars!

Por Raphael Martins

Star Wars é uma das franquias, senão A franquia, mais lucrativa da história do cinema. Está aí há mais de 40 anos encantando gerações, inspirando vidas, conquistando cada vez mais fãs e enchendo os cofres da Lucasfilm de dinheiro. Com todo esse tempo de vida, há de se perguntar: como se mantém o controle de um universo tão enorme e detalhado, povoado por milhares de personagens e localidades, cada um com a sua história? Não deve ser fácil.

Quando a Disney comprou os direitos de Star Wars de George Lucas em 2012 para fazer o que a princípio seria apenas uma nova trilogia, os executivos da empresa se viram com esse pepino na mão pra resolver. Esses novos filmes se passariam depois do Episódio VI da saga, O Retorno de Jedi, mas já havia cerca de 20 anos de história continuando as aventuras de Luke, Leia e Han contados em livros, HQs e games, o chamado “universo expandido”.

Para resolver o problema, a Disney decidiu descontinuar todo esse material, retirando tudo do cânone oficial da saga, isto é, dos acontecimentos oficiais. E assim, personagens incríveis e acontecimentos importantes foram simplesmente apagados como que pelo estalar de dedos de Thanos usando a manopla do infinito…. ou será que não?

O antigo universo expandido: novas aventuras numa época sem filmes

Antes de falarmos do universo expandido, precisamos primeiro reconhecer sua importância, para a saga e para os fãs. Entre O Retorno de Jedi e A Ameaça Fantasma, foram 16 anos sem nenhum filme nos cinemas. O que manteve a popularidade de Star Wars viva nesse meio tempo foi, sem sombra de dúvida, esse material off screen lançado através de várias mídias. Ele pode até mesmo ter tido sua parcela de responsabilidade na chegada das edições especiais da trilogia clássica em 1997, e há algumas teorias que dão força a isso.

Após O Retorno de Jedi, em 1983, a saga foi perdendo popularidade com o passar dos anos. No início da década de 90, a série de filmes era apenas uma lembrança nostálgica de uma outra época, até que o lançamento de um livro mudou tudo. Esse livro era Star Wars – Herdeiro do Império, escrito por Timothy Zahn, que em 1991 fez um sucesso estrondoso e colocou Star Wars de volta aos holofotes. Continuando a saga exatamente de onde ela parou nas telonas, a nova história mostrava as aventuras de Leia, Han e Luke, agora um poderoso cavaleiro Jedi, às voltas com criminosos intergalácticos e remanescentes do império.

Herdeiro do Império iniciou o universo expandido e fez tanto sucesso que virou uma trilogia

O livro permaneceu por várias semanas na lista dos best sellers do jornal The New York Times, um sinal de prestígio que não dá pra ignorar. Este foi o pontapé inicial para a criação de novas histórias, personagens e situações, expandindo tudo o que já havia sido estabelecido nos cinemas e povoando a galáxia muito, muito distante de uma maneira jamais feita antes. Até que, em 1997, a trilogia volta aos cinemas com as chamadas “edições especiais”, que contavam com novos efeitos especiais, cenas inéditas e uma melhor qualidade de som e imagem. Mas não era só isso, alguns elementos apresentados primeiro no universo expandido também estavam lá.

O planeta Coruscant, que na trilogia prequel é um dos cenários centrais da história, apareceu pela primeira vez no cinema no final da edição especial de O Retorno de Jedi, mas tinha sido apresentado aos fãs bem antes, em Herdeiro do Império. E o que falar da nave Outrider, fiel companheira do mercenário Dash Rendar, do livro e game Sombras do Império, que é vista levantando voo em Tatooine no episódio IV? O universo expandido já era tão forte e tão presente na vida dos fãs que parece ter influenciado George Lucas e sua equipe na hora de levar os filmes de volta aos cinemas, e essas cenas estão aí para provar isso.

O planeta Coruscant, capital do império, apareceu primeiro no universo expandido

Essa influência continuou quando a trilogia prequel, que se passava antes do filme original de 1977, Uma Nova Esperança, ganhou vida na tela grande. Coruscant estava de volta, mas alguns personagens e termos vistos no universo expandido também. O termo “Sith“, por exemplo, foi cunhado pelo universo expandido.

Agora, de volta para o presente. A Disney compra a franquia, apaga o universo expandido e se vê com o desafio de fazer tudo novamente do zero… só que não. Não dava pra só ignorar tudo o que tinha sido feito antes. Além de ser um tremendo desperdício de muito material de qualidade, faria com que os fãs que acompanharam todo o desenrolar das histórias até aquele momento se sentissem traídos. Isso sem falar na trabalheira que ia dar para criar tudo de novo. Assim, A direção da Lucasfilm cria o Lucasfilm Story Group, uma equipe formada por escritores, roteiristas e fãs estudiosos da saga, que ficariam responsáveis por supervisionar toda a linha do tempo desse novo cânone que estava para começar. Era um novo amanhecer para Star Wars, e o (agora) antigo universo expandido faria parte dele.

Lucasfilm Story Group: os guardiões da linha do tempo

Ele agora era como uma caixa de brinquedos, onde de vez em quando alguém da Lucasfilm tiraria um personagem para brincar. E assim, aos poucos, foram trazendo vários personagens amados daquelas antigas histórias de volta a vida, dessa vez “pra valer”, tornando sua existência “oficial” de novo. O Grão-Almirante Thrawn, por exemplo, um dos personagens mais amados pelos fãs desde que apareceu pela primeira vez em Herdeiro do Império, teve seu retorno triunfal na terceira temporada da série Star Wars Rebels, para a alegria de muita gente. Isso sem falar na nova série de quadrinhos publicada pela Marvel, que de vez em quando reinsere planetas e personagens vindos desse velho cânone.

Grão-Almirante Thrawn: de volta a ação em Rebels

Quando não dava para fazer outros personagens amados retornarem por conta das circunstâncias em que a história se encontrava nessa nova fase, os roteiristas davam um jeito de ao menos homenageá-los. Jacen Solo, que no universo expandido é filho de Han e Leia, recebe uma justa homenagem na forma de Jacen Syndulla, o filho de Kanan Jarrus e Hera Syndulla, heróis de Rebels.

Aliás, falando em Jacen Solo, esse é um caso interessante e que parece ter influenciado JJ Abrams e Lawrence Kasdan na hora de escrever o roteiro de O Despertar da Força. Em determinado momento da história da antiga linha do tempo, Jacen é seduzido pelo lado sombrio da Força, se tornando o lorde Sith Darth Caedus. Após se virar contra os pais e contra a galáxia, ele inicia uma guerra sangrenta entre sua própria força paramilitar e a Nova República. Parece familiar? O nome verdadeiro de Kylo Ren, Ben, também pode ter sido emprestado do universo expandido. Lá também havia um Ben, mas este era filho de Luke Skywalker.

Kylo Ren e Jacen Solo: mais em comum do que você pensa

Diante de tudo isso, não é difícil de imaginar que veremos mais e mais personagens retornando e vivendo aventuras na era pós-Disney da nossa saga espacial preferida. A conclusão na qual podemos chegar é que o antigo universo expandido permanece vivo e continua sendo parte importante de Star Wars. Ele é seu passado, presente e futuro. Ah, o futuro… que outros personagens veremos ganhando vida novamente? É demais pedir por uma Mara Jade? Pô, Lucasfilm, quebra essa pra gente, vai!

Veja também imagens dos bastidores de The Mandalorian, a primeira série de TV em live action de Star Wars, na nossa galeria aqui embaixo:

 

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael