Capa da Publicação

Super Star Wars: a trilogia clássica recontada nos 16 bits!

Por Raphael Martins

Star Wars é uma franquia de sucesso não apenas nos filmes, mas em muitas outras mídias. A cinessérie criada por George Lucas praticamente criou o conceito de merchandising em cima de um filme, arrecadando ainda mais dinheiro em cima de brinquedos e produtos licenciados do que com a bilheteria do cinema.

Nos games, Star Wars também é sucesso absoluto, desde a época do Atari 2600. O primeiro jogo baseado na série, The Empire Strikes Back, lançado para o console em 1982, foi um grande êxito de vendas e se tornou o primeiro de muitos, mas por muito tempo, até mesmo pelas limitações da tecnologia da época, os games da franquia se baseavam apenas em um aspecto ou cena dos filmes, ao invés de englobar toda sua trama.

A partir dos 8 bits, a coisa mudou. Os consoles caseiros já tinham a capacidade de contar toda a história vista nos cinemas, com suas devidas adaptações para aquela mídia, é claro. Mas apesar disso, a experiência, na maioria das vezes, deixava a desejar.

Até que chegou o Super Nintendo, o poderoso console de 16 bits que sucedeu o Nintendinho, onde toda a saga de Luke, Han e Leia foi adaptada de uma maneira sensacional, na forma de três jogos com muita qualidade. Jogadores do mundo inteiro puderam ter, pela primeira vez, uma experiência genuína em uma galáxia muito, muito distante.

Capa de Super Star Wars, lançado para o SNES em 1992

Em Super Star Wars, lançado para o Super Nintendo em 1992, os jogadores controlavam Luke Skywalker, Han Solo e Chewbacca por vários cenários vistos (e não vistos) nos filmes, fazendo-os experimentar a aventura em um game no melhor estilo plataforma, o gênero mais comum da época.

O jogo toma algumas liberdades criativas em relação ao filme para funcionar melhor como um vídeo game. No começo, Luke Skywalker encontra C3PO no Mar das Dunas, em Tatooine, e após enfrentar o Sarlaac, algo que só acontece em O Retorno de Jedi. Depois, eles resgatam R2D2 das garras dos Jawas, encontram Obi-Wan Kenobi, conhecem Han Solo, rumam para a Estrela da Morte, salvam Leia e se preparam para a batalha final.

Nas fases, os personagens podem encontrar Power Ups para suas armas, deixando-as cada vez mais poderosas e possibilitando derrotar inimigos que não poderiam ser vencidos de jeito nenhum de outro jeito. O sabre de luz de Luke, que ele ganha após encontrar Obi-Wan, é uma dessas armas. Han e Chewie se tornam personagens jogáveis após Luke encontrá-los na Cantina de Mos Eisley assim como no filme.

Além das fases normais, tinham também estágios em que era possível de controlar veículos, como um Speeder pelos desertos de Tatooine ou uma X-Wing para o ataque final à Estrela da Morte, apresentando duas maneiras totalmente diferentes de se jogar. Estas fases em especial usavam a o motor gráfico Mode 7 para dar mais profundidade, movimento e realismo aos cenários, que se tornavam tri-dimensionais.

Todo o game é embalado pela inesquecível trilha sonora de John Williams, com temas ouvidos no filme devidamente adaptados para as capacidades sonoras do Super Nintendo, tornando a experiência ainda mais fiel aos filmes.

Para a surpresa de ninguém, o jogo foi um arrebatador sucesso e se tornou um dos chamarizes para o Super Nintendo naquele começo de geração. A crítica especializada da época também foi só elogios, tendo a revista Electronic Gaming Monthly elegendo Super Star Wars como o melhor jogo de ação de 1992. Após quase dez anos sem nenhum novo filme, Star Wars era popular de novo.

Logicamente, não dava para parar por aí, e no ano seguinte, Super The Empire Strikes Back chegou ao console, com a missão de adaptar aquele que por muitos é o melhor filme de toda a série, O Império Contra-Ataca.

O novo game pegou tudo o que tinha dado certo no primeiro e melhorou. Agora, os personagens tinham um pulo duplo, algo particularmente vantajoso para Luke Skywalker, que podia atingir ainda mais inimigos com seu Sabre de Luz. Os personagens também ganharam habilidades-extra, como bombas no caso de Han Solo, e foi introduzido o poder da Força, que dava a Luke todo um novo leque de habilidades, como controlar seu sabre à distância, flutuar e se curar de ferimentos.

E claro, a cereja do bolo: enfrentar Darth Vader em um duelo mortal na Cidade das Nuvens, um dos pontos mais altos e memoráveis da trilogia clássica nos cinemas.

Encerrando a trilogia no Super Nintendo, Super Return of the Jedi veio em 1994, sendo este feito com o mais alto grau de refinamento e aproveitando bem as capacidades gráficas e sobretudo de som do console.

Nele, os jogadores finalmente podiam controlar a princesa Leia, e de três maneiras diferentes: como a caçadora de recompensas Boushh, em seu famoso biquíni dourado e em trajes de soldado rebelde, cada um deles com habilidades diferentes. Wicket, o simpático Ewok que os heróis conhecem em Endor, também está entre os personagens jogáveis.

Mas um aspecto constante desses games ficou particularmente mais forte aqui: a dificuldade. Os jogos da série Super Star Wars tinham todos um desafio bem alto, mas a adaptação de O Retorno de Jedi é incomparavelmente a mais cruel das três. Além dos cenários enormes, onde se perder era bem fácil, os inimigos parecem mais difíceis de matar e a última fase, onde é preciso fugir da Estrela da Morte, é tida por muitos como impossível.

Mas isso não impediu Super Return of the Jedi de ser um sucesso tão grande quanto seus antecessores, vendendo muito bem e encerrando com chave de ouro a trilogia clássica nos 16 bits com uma explosão, assim como no filme.

Luke invade uma base imperial em Super Return of the Jedi

A trilogia clássica nunca mais foi adaptada para nenhum game desde então, sendo a série Super Star Wars a única a englobar os episódios IV, V E VI de forma completa e de maneira competente.

Nos anos seguintes, muitos jogos baseados na saga espacial foram feitos, mas os de Super Nintendo se tornaram um exemplo não só de como se fazer um ótimo game de Star Wars, mas de como um jogo baseado em um filme deveria ser. Mesmo após tantos anos e avanços gráficos ainda vale a pena revisitar a galáxia muito, muito distante em 16 bits!

Confira a imagem de Star Wars: A Ascensão Skywalker em nossa galeria:

Imagem de perfil
sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael