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Quando os robôs se tornam mais humanos do que nós!

- – “Isto fica feliz em ser útil.”

Por Guilherme Souza Depois de milênios em evolução, os humanos se tornaram a raça dominante do planeta Terra. Enquanto alguns seguem o princípio da evolução científica, outros, acreditam na criação divina, mas o que acontece quando um humano tenta criar uma vida de maneira artificial? Nós já tivemos diversas respostas para essa pergunta através de produtos da cultura Pop, e hoje, iremos falar um pouco sobre isso. 

Quem jogou Detroit: Become Human, sabe que esse é um jogo que aborda esse assunto de forma magistral e como não poderia ser diferente em um jogo da Quantic Dream, cada escolha que você faz afeta diretamente o andamento da trama, mas aqui, o resultado final não importa tanto quanto a jornada que os três protagonistas percorrem. 

Na trama, acompanhamos as vidas de três andróides, cujas jornadas acabam se conectando e nos mostram que a vida pode ir muito além do que conhecemos. O futuro do jogo parece um tanto quanto assustador, afinal, será que um dia viveremos em um mundo onde robôs podem se tornar tão similares aos humanos ao ponto de quebrarem seus protocolos de programação e começarem a lutar por sua própria liberdade?

Isso realmente é assustador, mas mais assustador ainda é o que levou esses robôs a chegarem nesse ponto. Como sabemos, o ser humano é falho e muitas vezes, somos traídos por nossos sentimentos e neuras, chegando ao ponto de até mesmo cometer violência contra nossa própria espécie. Mas o que acontece quando o ser humano encontra um objeto que se parece com outro ser humano, no qual ele pode cometer violência, abusar e descarregar suas frustrações sem sofrer consequências ou sem correr o risco que aquele objeto revide? 

Esse é exatamente o ponto central do jogo, onde vemos os andróides adquirindo consciência do que acontece ao redor deles e se rebelando contra isso. Acontece que essa não é simplesmente uma guerra entre homens e máquinas, mas sim, uma lição de que essas máquinas podem ser tão humanas ou até mais humanas do que nós

Ao longo da trama, vemos andróides arriscando suas próprias vidas para proteger uma garotinha que sofria abusos domésticos, ou um  andróide cuidador que foi injustamente acusado de um crime e deixado para morrer em lixão, mas que conseguiu se reerguer e liderou uma rebelião contra os humanos. 

As jornadas deles não são fáceis e, dependendo de suas escolhas, elas podem não ter um final feliz, mas o consenso da trama é: os humanos não aceitam o que é diferente e não estão dispostos a dividir a dominância da Terra, nem mesmo com aqueles que se parecem conosco e que foram criados por nós.  

Esse princípio básico do robô que se torna humano demais pode ser absorvido em outras produções tais como A.I. Inteligência Artificial, filme dirigido por Steven Spielberg que usa como base central para a trama a história do Pinóquio. Quando um casal perde as esperanças com o retorno de seu filho que estava muito doente, eles decidem comprar um andróide infantil para substituí-lo, mas as coisas começam a dar errado quando o filho biológico do casal tem uma súbita melhora e retorna para casa. Isso faz com que o filho andróide comece a se sentir rejeitado e tente fazer de tudo para se tornar um “menino de verdade”, para que quem sabe assim, consiga o amor de seus pais. 

Outra produção digna de nota é o excelente O Homem Bicentenário, estrelado por Robin Williams. Na trama, o robô Andrew descobre o amor por uma humana e decide que ele também queria se tornar um humano para ficar ao lado dela. No dia da morte dela, depois de muito lutar e de passar por muitas modificações, Andrew acabou sendo reconhecido como um humano e também morreu ao lado do amor de sua vida. 

Podemos encontrar abordagens similares em O Exterminador do Futuro, Ghost in the Shell, Eu, Robô e tantos outros. 

Ao que parece, os robôs, andróides, ciborgues e afins se tornaram os novos vampiros e lobisomens da antiguidades, ou seja, seres imortais que devem conviver com a morte daqueles que amam, que no caso, são os humanos. 

Mas afinal, será que um dia viveremos em um futuro similar aos que foram citados acima? E mais importante ainda, o que é preciso para ser considerado um ser humano?

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