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Por trás do fenômeno das franquias e sequências de Hollywood!

Por Evandro Lira

O cinema hollywoodiano nunca esteve tão dependente de franquias como hoje, e nem é preciso ir muito longe para perceber, basta olhar as maiores bilheterias dos últimos anos. Oito dos dez filmes que mais arrecadaram na história foram lançados de 2015 para cá e fazem parte de franquias bilionárias.

Um exercício interessante, enquanto fãs de cultura pop, é lançar um olhar para a origem desse fenômeno relativamente recente.

Você deve saber, no entanto, que a ideia de continuações em si não é algo realmente novo. Aproveitar o sucesso de uma história para monetizar em cima dela é mais velho que o próprio cinema. No século XIV, a literatura já fazia isso. Algumas editoras chegavam a contratar escritores específicos para dar sequência e produzir mais histórias baseadas em algum livro que fez sucesso. Em sua grande maioria, o resultado era muito abaixo do esperado, o que tornavam essas obras completamente esquecíveis.

E não demorou muito para o cinema fazer o mesmo, ainda na primeira metade do século XX. A narrativa seriada, por exemplo, que ganharia força com o surgimento da TV, remonta do cinema da década de 40. Mas foi nos anos 70, com os lançamentos de Tubarão e Star Wars, que Hollywood percebeu que dava pra fazer ainda mais grana com o sucesso desses filmes.

No entanto, as duas obras tiveram sequências completamente diferentes. Enquanto O Império Contra-Ataca colocou a saga de George Lucas em outro patamar, as sequências de Tubarão se saíram desastrosas de todas as maneiras possíveis. E a maioria das continuações que só queriam embarcar no êxito de seus filmes originais seguiram mais os exemplos de Tubarão e menos os de Star Wars. Foram feitas inúmeras continuações baratas e descartáveis de qualquer filme de sucesso. Era Hollywood mostrando que queria lucrar muito sem fazer grande esforço.

A diferença hoje está especialmente na palavra “esforço”. Antigamente, grande parte dessas sequências eram produzidas com o menor custo possível, sem o mesmo cuidado artístico e nem a mesma divulgação do filme original. Já hoje, produzir uma sequência significa investir ainda mais. Cada continuação é geralmente mais cara que o filme anterior, e tem a intenção de atrair um público maior.

Os anos 2000 foram decisivos para sanar qualquer dúvida se sequências dariam certo ou não. Séries como Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Homem-Aranha, Batman e Piratas do Caribe, fomentaram o interesse dos estúdios, que a cada ano colocava personagens já queridos pelo público em uma nova aventura. O padrão havia sido definido. Mas a Disney estava pronta para reinventar a noção de franquias e sequências quando deu início ao ambicioso Universo Cinematográfico da Marvel.

Alguns fatores determinantes para o surgimento cada vez mais recorrente dessas grandes franquias foram as mudanças tecnológicas e o crescimento do mercado internacional. Se durante muito tempo o negócio de home video sustentava vários estúdios com vendas de DVDs, hoje, com a internet, elas caíram aceleradamente. Mas esses lucros precisavam, é claro, vir de outro lugar. Foi quando Hollywood percebeu as portas abertas dos mercados internacionais, que vinham numa gigantesca ascensão, especialmente a China.

E qual a melhor maneira de fazer pessoas do mundo todo saírem de suas casas para assistir seu filme? Criar uma espécie de pré-consciência, tornar suas histórias universais e familiares no imaginário coletivo. Grandes efeitos visuais e estrelas internacionalmente conhecidas também ajudam a fazer esse trabalho.

O sucesso de sequências, spin-offs e prequels é praticamente garantido. Fazer algo original, que nunca foi testado, que o público não tenha nenhuma ligação, pode custar muito caro, literalmente.

É provável que 2019 seja o ano em que mais filmes de franquias estejam chegando ao cinema. Olha só essa lista: Vidro, Como Treinar seu Dragão 3, Capitã Marvel, Shazam!, Dumbo, Vingadores: Ultimato, Godzilla: O Rei dos Monstros, A Morte te Dá Parabéns 2, John Wick 3,  Aladdin, X-Men: Fênix Negra, Toy Story 4, Uma Aventura Lego 2, MIB: Homens de Preto: Internacional, Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2, Detetive: Pikachu, Homem-Aranha: Longe de Casa, Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw, Rei Leão, Annabelle 3, It: Capítulo 2, Angry Birds 2, Malévola – Dona do Mal, O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, Coringa, Jumanji: Bem-Vindo à Selva 2, Frozen 2 e Star Wars: A Ascensão Skywalker. No meio disso, há poucos ou nenhum filme original que faça tanto dinheiro quanto qualquer um desses.

Observando esse cenário, parece correto afirmar que o fenômeno das grandes franquias não tem hora para acabar. Vários desses filmes já possuem exemplares agendados pelos estúdios na próxima década. Algumas dessas histórias aparentemente nunca terão fim, e se tiverem, haverá quem acredite que você adoraria descobrir o que veio antes delas.

Nos resta saber se isso é mesmo algo que veio para ficar ou se Hollywood vai realmente precisar se reinventar, como sempre fez.

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira