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Pokémon duas décadas depois: por que continua tão popular?

Por Raphael Martins

Esta semana, o anime de Pokémon completou 20 anos desde sua primeira exibição no Brasil, coincidindo perfeitamente com a estreia do filme em Live Action baseado na franquia, Detetive Pikachu. Normalmente esse tipo de acontecimento é acompanhado de uma certa saudade, e esse caso específico não deixa de sê-lo, afinal, a primeira temporada marcou a vida de muita gente e ainda é lembrada com carinho. Mas o caso de Pokémon é diferente.

Mesmo depois de tanto tempo, a franquia como um todo continua extremamente popular e sem nem um único sinal de cansaço, inclusive no Brasil. Algo que apenas poucas séries, como Star Wars, por exemplo, conseguiram alcançar. Mas vocês já pararam para pensar no porquê? Veja hoje, no Globo Repo-no Legião dos Heróis!

Ash e Pikachu: há 20 anos, a jornada desses dois começava no Brasil

Pokémon começou nos games, como um RPG para Game Boy onde você encarnava um treinador e precisava capturar os monstros de bolso para se fortalecer e prosseguir. O game fez barulho no Japão e a Nintendo encomendou uma série de anime para promove-lo e vender mais joguinhos. Até aí, novidade nenhuma. Mas a primeira vez que o resto do mundo ouviu falar sobre a franquia foi, no mínimo, incomum.

Quem aí lembra do caso das crianças que tiveram ataques epiléticos após assistirem a um episódio da série? Os mais velhos com certeza se lembram. E foi assim que o mundo a princípio entrou em contato com Pokémon. Não era exatamente a melhor maneira de começar, mas acabou dando certo: todo o buzz gerado pelo caso fez com que o anime chegasse nos Estados Unidos pouco tempo depois (com o episódio em questão devidamente cortado, é claro), onde explodiu em popularidade em pouquíssimo tempo. A Nintendo lançou a versão em inglês dos games Pokémon Red e Blue logo após isso e os monstrinhos de bolso entraram no coração das pessoas para nunca mais sair.

Pikachu: a cara da franquia é um dos personagens mais facilmente reconhecíveis do mundo

No Brasil, o anime não demorou muito a chegar. No dia 10 de maio de 1999, Pokémon estreava na Rede Record de televisão, no programa da apresentadora Eliana, e foi um sucesso imediato. Meses depois, a série começou a ser exibida pelo Cartoon Network em dois horários, sempre com índices impressionantes de audiência. Não só a criançada, mas o público adolescente também, se encantou pela jornada de Ash, Brock, Misty e Pikachu, o suficiente para comprarem absolutamente tudo o que viam pela frente contendo o logotipo da série na embalagem.

Além dos games para Game Boy, havia o álbum de figurinhas, as miniaturas, os Tazos, um CD musical produzido no Brasil que vendeu mais de cem mil cópias e tudo mais o que vocês possam imaginar. O primeiro filme para cinema baseado na série, Mewtwo Contra-Ataca, fazia filas que davam voltas para que os fãs pudessem garantir um ingresso. O brasileiro pegou a febre da Pokémania com força e nem os adultos e o público mais normie conseguiu escapar, terminando por reconhecer facilmente os personagens por tabela, tamanha a sua popularidade.

O tempo passou, a poeira baixou, e embora Pokémon não tenha mais o alcance que tinha no Brasil, com a música tema tocando nas rádios o tempo todo e um longa-metragem animado todo ano no cinema, entre os geeks a fama nunca foi embora, continuando relevante na vida de quem aprendeu a curtir na época que estourou e sempre angariando novos públicos. Mas por que isso acontece?

Os tazos de Pokémon: você ainda tem os seus?

O primeiro motivo é fácil de entender: a série nunca parou. Nem os games, lançado em intervalos de tempo espaçados, sem dar chance para uma eventual saturação do público, nem o anime, que continua rolando no Japão e sendo exibido no mundo todo, inclusive aqui no Brasil.

A estratégia do anime, que funciona como um comercial de TV de 23 minutos dos jogos, é engenhosa: cada saga engloba um jogo diferente, mostrando com detalhes seus Pokémon novos e se utilizando das aventuras de Ash como pano de fundo para demonstrar o poder de cada um deles e lhes dar personalidade, criando um elo entre eles o público. Em paralelo a isso, a desenvolvedora GameFreak desenvolve o próximo game, para tudo então recomeçar do mesmo jeito. E sempre dá certo, sem falhas, há mais de 20 anos.

Ash e os novos Pokémon de Sun & Moon: anime continua até hoje

O segundo motivo também é de fácil compreensão e envolve um sentimento muito comum a todos nós: a nostalgia. Nós continuamos retornando a aquele mundo de criadores e criaturas, de conflito e harmonia, de duelos e capturas, esperando sentir a mesma alegria que sentíamos quando jogávamos os primeiros jogos em nossos Game Boy em preto e branco. E, assim como o motivo número 1, sempre funciona. É difícil ouvir alguém que saiu decepcionado de um novo jogo da franquia.

O mesmo vale para o anime, para o qual o fã de Pokémon sempre acaba voltando para ver um dos bichos novos em ação em uma outra mídia, mas também para relembrar da época em que acompanhava a primeira temporada, quando era uma febre, e poder dizer “eu estou aqui desde o começo!”.

O anime, aliás, inspirou várias outras obras similares, como Medabots, Monster Rancher e o adorado Digimon, que também marcou época no Brasil e no mundo e tem um forte apelo nostálgico.

Tela principal de Pokémon Blue: a nostalgia bateu aí?

Outro motivo não menos importante é que simplesmente não nos deixam esquecer que a franquia existe. Há sempre um jogo novo, com novas criaturas, novas dinâmicas, novas estatísticas de batalha e novos tipos de Pokémon para pegar e dominar. E não para por aí. O grande trunfo de Pokémon é justamente esse: ele consegue entrar na vida das pessoas em várias frentes, usando diferentes mídias e se mantendo relevante por conta disso.

Não tem um Nintendo Switch para curtir Pokémon Let’s Go Pikachu/Eevee? Não tem problema, existe um card game (também extremamente popular) onde você pode duelar contra outros treinadores. Jogos de tabuleiro não são a sua praia, mas você curte o universo? Então toma aqui uma série de anime inteirinha só para você curtir. Ah, não gosta do anime, mas adora os bichos? Então segura esse Pikachu de pelúcia e leva pra casa, é todo seu.

Não dá para não mencionar o sucesso estrondoso de Pokémon Go, o famoso aplicativo para mobile lançado em 2016 que serviu ao mesmo tempo como a novidade do momento e uma viagem ao passado: parecia que tínhamos sido transportados diretamente para os anos 90 novamente, onde só se falava de Pokémon em todo lugar, principalmente na mídia mainstream, como telejornais. Esse pode ser o maior testemunho da força da marca, com Pokémon Go ganhando milhões de novos jogadores todos os dias mesmo três anos após seu lançamento.

Não há escapatória, meus amigos. Eles estão em todo lugar.

Poké-coisas: se você consegue imaginar, existe uma versão Pokémon disso

Para concluir, só podemos constatar uma coisa: o fã de Pokémon é alguém feliz de gostar do que gosta. Não é qualquer franquia que tem um poder de engajamento tão grande assim durante todos esses anos, e isso sem nunca parecer ultrapassado, enfadonho ou desinteressante.

Fazer parte de algo assim traz uma alegria e uma sensação de pertencimento gostosas de se sentir. É se orgulhar do passado, curtir o presente e sorrir para o futuro, que parece cada vez mais promissor.

Veja também alguns cartazes de Detetive Pikachu:

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael