Os Caça-Fantasmas estão voltando, mas por que demoraram tanto?

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Os Caça-Fantasmas estão voltando, mas por que demoraram tanto?

Por Raphael Martins

Os Caça Fantasmas não é só mais uma série de filmes dos anos 80 que parou no tempo e permaneceu por lá. É uma das franquias mais amadas e facilmente reconhecíveis do mundo, dona de milhões de fãs e vendendo produtos com a sua famosa logo até os dias de hoje. O sucesso do filme original de 1984 abriu caminho para que fossem feitos vídeo games, uma série animada que durou 7 temporadas e rendeu milhões em brinquedos e uma sequência, que veio cinco anos depois e até hoje divide opiniões.

Com todo esse sucesso, a princípio é de se estranhar que um terceiro filme jamais tenha sido feito. Pelo menos até agora, já que no começo desse ano a Columbia Pictures confirmou a produção de um novo longa, dando sequência à história iniciada nos dois primeiros filmes. Mas a pergunta é: por que isso demorou tanto para acontecer?

Os Caça-Fantasmas salvam o dia: eles estão prontos para acreditar em você

Com o enorme êxito comercial do primeiro filme, que se tornou um clássico absoluto, era apenas uma questão de tempo até que o estúdio aprovasse uma sequência. Os Caça-Fantasmas 2 veio em 1989 cheio de expectativas, mas aquele ano também foi marcado por outras filmes e sequências de peso tão aguardadas quanto. O filme tinha uma pedreira pela frente em matéria de concorrência. Indiana Jones e a Última Cruzada, Karatê Kid 3, De Volta Para o Futuro 2 e o Batman de Tim Burton são alguns dos exemplos que a continuação de Os Caça-Fantasmas ia ter que encarar. E não se saiu bem.

Apesar de trazer o mesmo elenco e diretor do original, Os Caça-Fantasmas 2 decepcionou por diversos motivos, grandes e pequenos. A trama envolvendo o bebê Oscar, filho de Dana Barret (Sigourney Weaver) não descia, a trilha sonora composta por Elmer Bernstein foi inteiramente substituída por musicas pouco inspiradas e o filme não ousava, sendo demasiadamente parecido com o primeiro em vários quesitos. Não que seja um filme ruim, mas em um ano com tantas produções que se tornaram inesquecíveis e com toda a expectativa gerada em torno dele, o longa não conseguiu dizer a que veio.

Com a recepção ruim do segundo, a Columbia Pictures pôs a franquia na geladeira, pelo menos no cinema. O desenho animado, chamado de The Real Ghostbusters para que não fosse confundido com outra animação chamada Ghostbusters, estava fazendo sucesso e vendendo muitos brinquedos, então o estúdio continuaria lucrando com a franquia. O tempo passou, a poeira baixou, mas os fãs não esqueceram. Eles nunca esquecem.

Os Caça-Fantasmas 2: Em um ano cheio de forte concorrência, eles acabaram ficando para trás

Após nenhuma notícia sequer sobre um novo filme estar sendo produzido durante toda a década de 90, os anos 2000 foram marcados por várias especulações sobre um terceiro filme. Normalmente não se daria muita atenção a esse tipo de coisa, mas todas essas informações vinham de Dan Aykroyd, que escreveu o roteiro dos dois filmes ao lado de Harold Ramis e também atuou no papel do Dr. Ray Stantz. Sempre bastante empolgado, ele era constantemente abordado pela imprensa, que queria saber às quantas andava a produção de Os Caça-Fantasmas 3. Segundo ele, no novo filme, o quarteto de heróis iria a uma outra dimensão, uma espécie de versão infernal e fantasmagórica de Nova York, onde enfrentariam demônios e novos monstros. Parecia promissor, e os fãs se animaram… mas o tempo passava e nada acontecia.

O entrave para que o projeto de um novo filme fosse para frente tinha um nome: Bill Murray. O astro que deu vida ao desbocado Dr. Peter Venkman não parecia muito inclinado a voltar ao papel, por mais que Dan Aykroyd confirmasse não só a presença dele, mas a de todo o resto do elenco no novo filme. A cada nova entrevista, Aykroyd dizia que estava tudo caminhando, que o filme iria acontecer, mas Murray sempre dava um jeitinho de desmentir o amigo e desencorajar os fãs por tabela.

Bill Murray como o Dr. Peter Venkman: uma incerteza no elenco de um novo filme

Em 2008, as coisas ficaram realmente esquisitas. Em uma determinada entrevista, Dan Aykroyd chegou a dizer que o novo filme seria na verdade uma animação em CG, como aconteceu com Bewulf e O Expresso Polar, onde os atores apenas dublariam seus personagens. Meses depois, Harold Ramis, que fez o Dr. Egon Spengler nos filmes, disse que o longa-metragem seria com atores, e que o roteiro estava sendo escrito por Gene Stupnitsky e Lee Ensenberg (da versão americana de The Office), focando em uma nova geração de Caça-Fantasmas, que seria tutelada pelos antigos. Nenhuma dessas duas coisas aconteceu.

Nessa altura do campeonato, já estava claro que o filme estava passando pelo famigerado “development hell”, ou “inferno do desenvolvimento”, um jargão comum na industria do cinema para definir um filme cuja produção se encontra tão bagunçada e desencontrada que há de se perguntar se ele realmente vai sair do papel. Foi nesse contexto que surgiu um produto de muita qualidade: o jogo baseado na franquia, lançado em 2009 para os consoles daquela geração.

Na falta de um terceiro filme, o game fez muito bem o trabalho

Se o terceiro filme estava difícil de sair, e talvez nunca saísse de fato, o jogo apareceu para suprir a falta dele. Publicado pela Atari, ele tinha uma história que continuava pouco tempo depois de onde o segundo filme parou, servindo como um novo longa metragem. O que dava mais seriedade ao fato de ser uma continuação do segundo foi terem trazido o elenco completo dos filmes para participar do projeto, emprestando vozes aos personagens digitalizados e suas feições para captura de movimentos. E ele ainda abria caminho para o futuro: no final do jogo, os heróis decidiam que iriam expandir o negócio, abrindo filiais dos Caça-Fantasmas por todo o país, uma ideia que os filmes poderiam usar e que funcionaria perfeitamente como uma desculpa para apresentar um elenco completamente novo.

Apesar do jogo ter feito sucesso e de ter sido muito bem recebido tanto pelos fãs quanto pela crítica especializada, as pessoas ainda queriam um terceiro filme mesmo assim. Bill Murray continuava se mostrando relutante, a ponto de Dan Aykroyd afirmar com todas as letras que tocaria o barco sem ele. Mas um acontecimento trágico iria mais uma vez impedir que o projeto fosse para frente.

Em 2014, Harold Ramis faleceu vitima de uma doença. E assim, todos os planos feitos para Os Caça-Fantasmas 3, que continuava sem ver a luz do dia, foram descartados. Era o fim.

Harold Ramis como o Dr. Egon Spengler: sem ele, o filme não existiria

Logo a imprensa ficou sabendo que a Sony estaria encabeçando um projeto de um remake de Os Caça-Fantasmas, desta vez com um elenco inteiramente feminino. A empolgação do estúdio foi tanta que eles colocaram o carro à frente dos bois e criaram a Ghost Corps, uma divisão inteira do estúdio dedicada apenas a produzir conteúdo baseado na franquia. Mas aí o filme saiu, não foi bem nas bilheterias, se tornou um fracasso comercial e todos os planos para a série voltaram para o limbo.

Mas assim como os espectros que nossos heróis tanto caçaram no cinema, Os Caça-Fantasmas voltaram. E parece que agora vai.

A polêmica versão de 2016: fracasso comercial impediu que outros projetos acontecessem

Jason Reitman, filho de Ivan Reitman, diretor dos dois primeiros filmes, comandará um novo longa da série, cuja produção caminha a passos largos, tendo inclusive um trailer divulgado e data de estreia marcada para o ano de 2020. Reitman diz que este novo filme será tanto uma carta de amor aos originais quanto um novo caminho que se abrirá para o futuro da franquia. É o que todos nós, fãs, esperamos, com nossas mochilas protônicas nas costas e bastões de energia nas mãos, sem jamais deixar os raios se cruzarem.

https://www.youtube.com/watch?v=zV2XKE6G9yI

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael