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O fim do mundo na ficção – Entre a destruição e o recomeço!

Por Guilherme Souza

Você com certeza já deve ter assistido um filme ou série, lido um livro ou até mesmo jogado um jogo de videogame que abordasse uma temática pós-apocalíptica. Geralmente, histórias com esses temas, tentam mostrar o pior lado da humanidade, nos dizendo o que acontece quando o ser humano perde seus principais privilégios e é privado de direitos básicos.

Por mais que, geralmente, essas histórias sejam mais fantasiosas e comumente pautadas por um apocalipse zumbi, não é difícil imaginar situações reais onde sociedades entrem em colapso e os humanos abandonem a moral e os bons costumes em prol de sua sobrevivência.

Como vimos em The Walking Dead, Bird Box, Days Gone, The Last of Us e tantos outros, só os mais fortes sobrevivem, mas além de ter que lidar com essas ameaças fictícias, os protagonistas também precisam lidar com a perversidade natural de alguns seres humanos, que se aproveitam do caos e da anarquia para mostrarem quem realmente são.

Recentemente, chegou ao catálogo da Netflix a série The Society. Para quem não sabe do que se trata, a trama aborda um grupo de adolescentes de uma pequena cidade, que certo dia, saem em uma excursão escolar, porém algo dá errado no caminho e eles acabam sendo trazidos de volta para a cidade.

Acontece que quando eles chegam, acabam descobrindo que todos os demais habitantes da cidade que não estavam nos ônibus da excursão desapareceram. Como se não bastasse, todas as vias de saída da cidade foram fechadas, o que significa que eles estavam presos lá, sem que ninguém pudesse sair ou entrar.

A princípio, é óbvio que os adolescentes amaram a ideia de estarem sozinhos, afinal, o sonho de todo adolescente é se ver livre da supervisão dos adultos e das regras sociais, mas como esperado, isso não durou muito tempo.

Não demorou muito até que eles percebessem que toda aquela liberdade custaria caro, afinal, o isolamento da cidade também significava que alimentos, medicamentos, energia elétrica, água potável e entre outros não seriam reabastecidos. Quando se deram conta disso, os instintos de sobrevivência começaram a se aflorar – e é a partir desse momento que o sonho de liberdade começa a desmoronar.

Por mais caótica que essa situação possa parecer, não é difícil imaginar as pessoas passando por cima de valores morais em situações extremas, afinal, essa é a dita “lei do mais forte,” um conceito muito bem adaptado por tais produções.

Em contrapartida a isso, temos também pontos de esperança e que tentam nos ensinar alguma coisa. Em Wall-E, vemos a Terra completamente tomada por lixo e inabitável. Essa situação fez com que os poucos humanos sobreviventes deixassem o planeta até que ele fosse habitável novamente.

Acontece que enquanto esperavam, os humanos acabaram se acomodando com as condições confortáveis que viviam e se esqueceram de que tinham que trabalhar em uma solução para o problema na Terra. Esse é um outro cenário bem comum, no qual o ser humano está condicionado a acreditar que tudo é descartável.

Por que devo me preocupar em encontrar uma forma de revitalizar o planeta se já tenho outra fonte de sobrevivência? Acontece que, diferente de outras produções, Wall-E mostra um recomeço, mostra o planeta dando um sinal de renovação e isso faz com que os sobreviventes saiam do transe oferecido pelo comodismo e voltem para “plantar a semente da esperança”.

Esse conceito se conecta com a visão adotada por G. Willow Wilson, quando buscava referências para criar a Kamala Khan, também conhecida como Miss Marvel.

Em uma de suas palestras, Wilson conta que, enquanto tentava entender quem seria a Kamala, teve como principal inspiração criar uma narrativa que se conectasse com os millennials, uma nova geração que, diferente da anterior, é mais realista e que se importa em fazer o certo hoje para mudar o futuro.

Uma das frases que mais a inspirou, foi dita pelo Profeta Maomé, que dizia: “Se o dia do juízo final estiver chegando e você estiver segurando uma semente, plante a semente.” A partir disso, ela decidiu que queria que a Kamala fosse uma heroína diferente dos padrões estabelecidos pela indústria, motivada por seus próprios valores e não por vingança.

Wilson complementa dizendo que os millennials, diferente das gerações passadas, que cresceram acreditando que no futuro, teríamos carros voadores, foram doutrinados com o pensamento de que nosso planeta está morrendo e que os danos talvez sejam irreparáveis.  A partir daí, nascem as ideias para muitos dos produtos de entretenimento pós-apocalípticos que conhecemos.

Por mais triste e chocante que esse pensamento possa ser, os millennials também tentam encontrar uma maneira de solucionar os problemas e encontrar saídas para as adversidades. E é aí que começa o pensamento de “plantar a semente”.

É difícil dizer com precisão qual papel assumiríamos em um eventual apocalipse, afinal, fome, falta de higiene, exposição à violência e diversos outros fatores podem corromper facilmente um ser humano, porém você já se perguntou o que faria se tivesse de enfrentar um cenário como esse?

Fique com imagens de The Last of Us Part II em nossa galeria:

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