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Mestres da Literatura – J. R. R. Tolkien

Por Evandro Lira

Se há alguma dúvida de que J.R.R. Tolkien é o verdadeiro mestre da literatura fantástica, esperemos que até o fim da leitura desse texto ela seja extinguida completamente. Afinal, estamos falando aqui do criador da clássica saga de Frodo e Bilbo Bolseiro.

John Ronald Reuel Tolkien era britânico, nascido em 1892, e é conhecido mundialmente por ser o expoentes da chamada “alta fantasia”. Títulos como O Senhor dos Anéis, O Hobbit e O Silmarillion venderam incontáveis milhões de cópias e, mesmo hoje, quase meio século após a morte do artista, ainda são livros frequentemente procurados.

Mesmo que diversos outros autores tenham publicado romances fantásticos antes de Tolkien, foi com o sucesso de O Senhor dos Anéis que o mundo viu o ressurgimento da popularidade do gênero. Na década de 60, as editoras tentaram a todo custo suprir uma demanda por literatura fantástica no mercado americano, com dezenas de novos escritores surgindo e escrevendo histórias inspiradas na obra de Tolkien.

Ao se voltar para a infância e juventude do artista, fica claro que muito do que viria a moldar suas obras se estabeleceram nesta fase da vida. Tolkien nasceu na África, pois seu pai conseguiu um emprego no banco na República do Estado Livre de Orange, atual África do Sul. Mas aos três anos foi viver na Inglaterra, com sua mãe, após a morte do pai.

Ronald, como ele era conhecido, aprendeu a ler aos quatro anos de idade, e não muito tempo depois, ele já conseguia escrever fluentemente. Adquiriu um interesse por botânica e literatura muito cedo, e ainda na infância se converteu ao catolicismo – algo que foi sem dúvida fundamental para a literatura que ele construiria mais tarde.

Aos nove anos, Tolkien perdeu a mãe, e passou a ser criado por um padre, amigo da família. Na adolescência, ele demonstrou um grande interesse e talento por línguas, e experimentou inventar novos idiomas em brincadeiras com seus primos. Logo depois, ele estaria estudando inglês e literatura em Oxford, onde se graduou com excelência.

O escritor teve uma carreira longa e bem-sucedida como acadêmico em Oxford, publicando alguns ensaios fundamentais sobre literatura fantástica. Ele casou-se com Edith Mary Brath, com quem teve quatro filhos e viveu até a sua morte em 1973. Participou da Primeira e da Segunda Guerra Mundial e em meio a tudo isso, publicou O Hobbit, em 1937, e posteriormente O Senhor dos Anéis, entre 1954 e 1955, sendo aclamado pela crítica.

Apesar de ter sido O Senhor dos Anéis que alçou o nome de Tolkien ao mundo, foi O Hobbit a primeira aventura do autor pela Terra-Média. O romance foi publicado como um livro infantil, mas que atraiu adultos o suficiente para que a editora encomendasse uma sequência.

Tolkien levou o trabalho de produzir essa sequência tão a sério, que passou pelo menos dez anos para finalizá-la. Ele teve ajuda de seu amigo mais próximo, C. S. Lewis, o autor de As Crônicas de Nárnia. O romance, que apesar de ter sido escrito como um só, foi dividido em três: A Sociedade do Anel, As Duas Torres, e O Retorno do Rei.

Enquanto O Hobbit segue uma narrativa mais simples, totalmente inspirada na jornada do herói, concentrando-se na história do jovem Bilbo, cujo estilo de vida no Condado é rudemente interrompido com a chegada de um grupo de anões e um mago; O Senhor dos Anéis é longo, denso e sombrio.

A história de Frodo Bolseiro começa muitos anos após as aventuras narradas em O Hobbit. O nosso herói, com a ajuda do mesmo mago que ajudara Bilbo em sua missão, Gandalf, precisa destruir o Um Anel, joia poderosa que estava sob posse de Bilbo há muitos anos. Nessa verdadeira jornada, cheia de consequências terríveis, Frodo forma A Sociedade do Anel, grupo responsável por tentar levar o artefato até a Montanha da Perdição. Cheio de questões que envolvem moralidade, virtudes e vícios do homem, O Senhor dos Anéis acabou se imortalizando na literatura e na cultura pop.

Dois anos após a morte de Tolkien, seu filho, Christopher Tolkien ficara responsável por editar o lendário legado do pai, que tinha pelo menos 70 caixas de manuscritos não publicados. Eram milhares de páginas, anotações, contos, poemas, prosas e fragmentos. E boa parte deles, pertenciam ao universo ficcional criado por J. R. R. Tolkien nos livros O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Estes escritos foram condensados em um livro publicado em 1977, chamado O Silmarillion.

Com o passar dos anos, a obra de Tolkien se tornou um verdadeiro fenômeno global, se estabelecendo como um grande pilar da literatura fantástica moderna, influenciando diversas gerações e virando um símbolo cultural moderno.

O escritor é notavelmente reconhecido pela crítica por ter se apropriado de diversos elementos da mitologia nórdica, bem como da literatura medieval, e transportar isso para uma narrativa tipicamente do século XX. Ele criou o que o professor especialista em Tolkien, Michael Drout, chama de “impressão de profundidade”.

Segundo Drout, numa entrevista para a Revista Galileu, Tolkien é responsável por fazer o leitor ter “a sensação de que está apresentando a você crônicas históricas e uma bagagem de conhecimentos factuais, ao invés de simplesmente alguma coisa que ele apenas inventou.” Tolkien é amplamente reconhecido por não ter criado apenas histórias de ficção e sim um verdadeiro universo fictício, com direito a detalhes minuciosos e idiomas e dialetos inventados.

O império de Tolkien, é claro, não se limita apenas aos livros. Com algumas tentativas fracassadas de adaptar sua obra para o cinema, foi só a partir de 2001, com a super-produção de Peter Jakcson, que O Senhor dos Anéis ganhou sua aclamada trilogia de filmes. Posteriormente, uma segunda série de filmes, desta vez adaptando O Hobbit, chegou aos cinemas

Um programa de TV produzido pela Amazon Prime Video está atualmente em produção e deve se passar no momento conhecido pelos fãs como a Segunda Era, sendo possível que vejamos a queda de Númenor, e ainda a criação dos Anéis do Poder, algo que liga diretamente a nova série com a saga principal de O Senhor dos Anéis.

O legado de Tolkien é vasto e imortal. Ele capturou perfeitamente a essência dessa história universal do bem contra o mal e deu um passo significativo para a literatura e para cultura mundial. Qualquer obra de fantasia criada a partir dele é regada às suas influências. George R. R. Martin, autor de As Crônicas de Fogo e Gelo, série de livros que originou Game of Thrones, é um deles. Neil Gaiman, escritor de Deuses Americanos e Stardust, é um outro exemplo notório. J.K. Rowling, escritora do fenômeno Harry Potter também tem sangue tolkieniano correndo pelas veias da sua criação. E esses são só alguns dos exemplos mais famosos. Há ainda uma infinidade de autores cuja obra bebe da épica fonte de J. R. R. Tolkien.

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira