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Matrix, e os impactos para o cinema de ação e ficção-científica!

- – 20 anos do legado de Matrix!

Por Evandro Lira O ano era 1999, e ali estreava um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Escrito e dirigido pelas irmãs Wachowskis, Matrix foi um sucesso de bilheteria e de crítica e levou quatro estatuetas do Oscar. Mas além dos feitos em sua época, o filme teve um impacto que pôde ser sentido em todos os anos seguintes.

Duas décadas nos separam de Matrix, e o longa ainda é tão instigante, inteligente e relevante quanto foi no final do século. O cenário cinematográfico de 1999 era muito diferente do de hoje, e dentre muitos lançamentos marcantes, o longa estrelado por Keanu Reeves surpreendeu ao trazer uma premissa que fascinou a todos, alinhados a uma estética e técnica que rapidamente se tornaram emblemáticas.

Ambientado em um futuro distópico, Matrix nos convida a conhecer um mundo onde a realidade que conhecemos é, na verdade, uma simulação criada por máquinas, que se utilizam da energia dos corpos humanos para “se alimentar”. No entanto, há um grupo de humanos cientes disso, e eles planejam uma rebelião massiva contra essas misteriosas figuras tecnológicas.

É aí que entra Neo, personagem de Reeves, que atua como um habilidoso hacker e que é visto pelo líder da rebelião como aquele que vai libertar a todos da Matrix.

Produzido com míseros 60 milhões de dólares, o filme foi um alto investimento para a Warner Bros., que precisou apostar no talento de cineastas iniciantes, cujo roteiro tinha um conceito filosófico nunca antes explorado no cinema blockbuster e que possuía uma quantidade enorme de efeitos visuais imprescindíveis para o sucesso do filme.

Nem mesmo duas grandes estrelas da época toparam estrelar a produção da Warner: Enquanto para Val Kilmer foi oferecido o papel de Morpheus, Will Smith foi consultado para viver Neo. No entanto, Smith recusou o papel pois não entendeu muito bem o conceito do filme.

Conceito esse que aliás se utilizava de inúmeras referências, que para qualquer um poderia soar louco e arriscado demais. O projeto vendia uma mistura de ficção científica, com conteúdos da filosofia, estética cyberpunk, abordagem característica de animes e uma inspiração nos filmes de artes marciais.

O estúdio não estava convencido que o filme poderia dar certo e contratou os artista de quadrinhos underground Geoff Darrow e Steve para desenhar um storyboard quadro a quadro do roteiro. O resultado foram 600 páginas de storyboard, que ganhou a aprovação da Warner, fazendo assim as Wachowskis começarem a pré-produção.

Matrix foi um dos grandes responsáveis por aperfeiçoar a imagem dos filmes de ação, que nos anos 90 já haviam sucumbido a uma reputação nada invejável. A produção contou com um exímio cuidado nas cenas de luta, especialmente porque as diretoras contrataram o coreógrafo de artes marciais Yuen Woo-ping, algo que passou a ser regra nos filmes de ação hollywoodianos subsequentes. Além disso, o longa popularizou a técnica “Bullet time”, um efeito de câmera lenta que mostra movimentos feitos rapidamente em detalhes, quase como se as cenas parassem no tempo.

O longa também experimentou trazer diversos conceitos filosóficos em seu roteiro, aplicando na prática e adaptando teorias de grandes nomes, como Platão, Descartes e Kant, por exemplo.

Não é a toa que Matrix se mantém como um dos filmes mais importantes da sua geração. Além de ter levantado debates filosóficos enquanto seus personagens usavam roupas de couro preto, óculos de sol e armas, a sua linguagem visual inovadora foi incorporada a praticamente tudo que veio depois. Até mesmo obras aclamadas como A Origem, de Christopher Nolan, por exemplo, bebeu muito da água de Matrix.

Não deixa de ser interessante olhar para o filme e para a época em que ele foi produzido e observar que uma produção como essa não poderia ter sido feito em mais nenhum outro momento. As Wachowskis atingiram em cheio os receios pré-milenares das pessoas, que acreditavam que o mundo entraria em colapso por meio da tecnologia. Era uma época de transição, e não se sabia bem para onde o futuro estaria caminhando. Matrix imaginou algo tão assustador quanto fascinante: era uma distopia onde a humanidade vivia encarcerada por uma realidade virtual. Meio profético, não?

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira