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Marvel Studios: De zero a herói!

Por Guilherme Souza

Se você cresceu durante os anos 90 e acompanhou as primeiras adaptações cinematográficas baseadas em personagens da Marvel, antes da fundação do Marvel Studios, provavelmente jamais imaginaria que o estúdio e os personagens trabalhados por ele chegariam onde chegaram. Hoje em dia, é fácil ficar ansioso por um novo filme da Marvel, além do fato de ter se tornado comum o sucesso comercial deles, mas isso nem sempre foi assim, na verdade, o Marvel Studios foi praticamente um milagre.

Por volta de 1993, todo o sucesso da Marvel na indústria de quadrinhos começou a despencar, colocando a empresa em uma situação de quase falência. Na época, estourou-se a bolha da indústria, que fez com que os colecionadores e leitores perdessem o interesse na aquisição de novas revistas em quadrinhos por conta dos aumentos absurdos nos preços das revistas, bem como a quantidade exagerada de títulos sendo lançados simultaneamente (similar ao que vem acontecendo recentemente na indústria de quadrinhos brasileira).

Em 1995, Ron Perelman, dono da Marvel Entertainment na época, viu como alternativa para a queda vertiginosa das ações da empresa, a criação do Marvel Films, que visava adaptar os personagens da editora para os cinemas, mas a decisão de Perelman não foi inteiramente apoiada pelos acionistas, que foram contra as medidas apresentadas por ele para que a divisão fosse criada, que incluíam até mesmo uma fusão completa com a empresa de brinquedos ToyBiz. Sendo assim, Perelman declarou falência da Marvel Entertainment, para que pudesse tomar todas as medidas necessárias sem a interferência dos acionistas.

O caso acabou resultando em uma batalha judicial gigantesca entre Perelman e os acionistas da Marvel Entertainment, porém quando toda a situação começou a se normalizar por volta de 1998, a empresa ficou sob controle de três nomes que mudariam o futuro da Marvel para sempre: Isaac Perlmutter, Avi Arad e Joseph Calamari.

Arad, uma lenda da indústria de brinquedos, foi o responsável pelo início das adaptações cinematográficas de personagens Marvel. Para isso, sua primeira medida foi substituir Stan Lee como chefe da Marvel Films. O executivo esteve por trás do sucesso da aclamada série animada dos X-Men e foi o responsável pelo acordo com a Fox, que faria com que os personagens ficassem na mão do estúdio até pouco tempo atrás.

No final dos anos 90, a Marvel finalmente conseguiu começar a emplacar seus personagens em Hollywood, dando os primeiros passos com o sucesso de Blade e o início da produção do primeiro filme dos X-Men na Fox. Naquela época, o mercado de filmes baseados em super-heróis era dominado por, basicamente, Batman e Superman, o que explica essa dificuldade e resistência da indústria para com os personagens da Marvel. Mesmo com essas dificuldades iniciais, os filmes dos X-Men e do Homem-Aranha acabaram se tornando verdadeiros sucessos, atraindo a atenção dos estúdios que passaram a almejar a exclusividade de outros personagens da editora.

Embora a venda dos direitos para os estúdios tenha conseguido garantir algum lucro para a Marvel a curto prazo, Arad logo percebeu que o valor que era repassado para a empresa sobre os lucros das produções era mínimo e que isso seria extremamente prejudicial para eles a longo prazo.

Foi quando em 2003, David Maisel, um talentoso agente de Hollywood, propôs para Isaac Perlmutter a criação de um estúdio próprio da Marvel, resultando em maiores lucros recebidos com os filmes.

Obviamente, executar a ideia não seria tão simples, já que para isso, a empresa precisaria da aprovação dos acionistas, bem como de um alto capital para investir no negócio. Em 2005, a Marvel fechou um acordo com o banco Merrill Lynch, que permitiu a concretização do Marvel Studios, mas para isso, a empresa teve de oferecer os direitos dos personagens que lhe restavam como garantia e, caso os filmes não fizessem sucesso, o banco passaria a ser dono dos personagens.

Mesmo com o acordo arriscado, o banco concedeu à Marvel o valor de US$ 525 milhões, que seriam pagos ao longo de sete anos, no qual eles poderiam usar na produção de 10 filmes com orçamentos entre US$ 45 e US$ 180 milhões. Com isso, o estúdio passou a recomprar os direitos de alguns dos personagens que havia vendido anteriormente, e assim, foi anunciada a produção do primeiro filme do Homem de Ferro.

Além do importante passo de criar seu próprio estúdio, outra “tacada de mestre” da Marvel foi escalar Kevin Feige como produtor do primeiro filme do Homem de Ferro. Feige atuou como produtor do primeiro filme dos X-Men na Fox quando ainda tinha 27 anos – e desde então, ficou cada vez mais envolvido em produções baseadas em super-heróis feitas por outros estúdios.

Apesar de ter começado como produtor, a importância de Feige no Marvel Studios foi ficando cada vez maior, até o ponto em que ele se tornou presidente do estúdio, fazendo dele uma peça fundamental para todo o sucesso conquistado nos anos que se seguiriam.

O maior marco na história da Marvel e do Marvel Studios talvez tenha sido em 2009, ano em que a Disney adquiriu a companhia pela bagatela de US$ 4.3 bilhões, um valor que viria a ser praticamente irrisório, quando levamos em consideração os lucros astronômicos obtidos pelo Marvel Studios ao longo da última década.

Atualmente, o Marvel Studios é um dos maiores estúdios de Hollywood, produzindo filmes de super-heróis que são extremamente aclamados pela crítica e público, mostrando que eles realmente conseguiram dar a volta por cima para se tornar uma potência.

Recentemente, a Disney comprou grande parte das propriedades da 21st Century Fox, o que significa que a maioria dos personagens vendidos por Avi Arad antes da criação do Marvel Studios estão retornando para as mãos da Marvel, permitindo que esse bem-sucedido Universo Cinematográfico criado por eles se expanda ainda mais e perdure por muito tempo.

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