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Lendas das artes marciais: Jet Li

Por Raphael Martins

Ao lado de Jackie Chan e Donnie Yen, Jet Li é um dos maiores nomes do cinema de artes marciais há mais de vinte anos. Tendo iniciado seu treinamento em Wushu muito cedo, o pequeno Li Lianjie, nascido em Pequim em 1956, mostrou desde criança seu inigualável talento para as artes marciais.

Hoje conhecido como Jet Li, o ator e artista marcial de 56 anos continua na ativa, dando a seus fãs sequências de luta impressionantes e atuações dignas de prêmios, sem nenhum sinal de que ele possa anunciar uma aposentadoria tão cedo.

Jet Li em “Lutar ou Morrer”, de 1994

Filho de uma mãe superprotetora, Jet Li começou a aprender Wushu aos doze anos de idade, demonstrando um talento ímpar. Aos dezesseis, já tinha se sagrado campeão nacional chinês cinco vezes, sendo tido pelo governo de seu país como um “tesouro nacional”. Neste meio tempo, ele aprendeu diversos estilos de Wushu, se tornando também um mestre no manejo de diversas armas brancas.

Aos dezessete anos, foi descoberto por um produtor de cinema e apareceu em seu primeiro filme, O Templo Shaolin, de 1979, que fez sucesso imediatamente. Mas foi apenas em 1991 que sua carreira decolou de vez, quando interpretou o lendário herói chinês Wong Fei Hung em Era Uma Vez na China, do diretor Tsui Hark.

Sua versão de Fei Hung, que realmente existiu e é uma figura importante da história moderna da China, foi tão marcante que gerou diversas homenagens por aí. O personagem Lee Reka, do game de luta The Last Blade, por exemplo, é uma homenagem claríssima ao Wong Fei Hung que Jet Li viveu no cinema. Assim sendo, não faltaram convites para estrelar filmes para o agora ator, quase todos eles produções de época tentando capitalizar o sucesso de Era Uma Vez na China.

Filmes como Fong Sai Yuk, Tai Chi e outras produções com heróis folclóricos da China eram quase sempre estreladas por Jet Li, que esbanjava tanto carisma quanto habilidade. Vê-lo lutar contra múltiplos adversários ou voar no meio de um combate mortal continua sendo algo hipnotizante para qualquer fã do gênero.

Conforme sua fama crescia, seus papeis também se tornavam mais e mais importantes, se mostrando grandes desafios para o ator. Em 1994, veio a enorme responsabilidade de assumir o papel de Chen Zhen no remake de A Fúria do Dragão, um dos filmes mais famosos e celebrados do inigualável Bruce Lee. 

Felizmente, Jet Li entregou um trabalho simplesmente memorável, tanto em matéria de ação quanto de atuação, não devendo em nada ao próprio Bruce Lee. Lutar ou Morrer se tornou uma das maiores bilheterias daquele ano em território chinês, dando tão certo que o nome de Li começou a ser ouvido no ocidente… em Hollywood, para ser exato.

Sua estreia em solo americano foi em Máquina Mortífera 4, onde viveu o primeiro vilão de sua carreira no último filme da franquia de ação estrelada por Mel Gibson e Danny Glover. Era um papel secundário, sim, mas serviu para mostrar aos americanos o potencial do ator para ser o mais novo astro de ação do momento.

Após Máquina Mortífera 4, Joel Silver, produtor do filme, ficou tão impressionado com a dedicação de Li que o chamou para protagonizar Romeu Tem Que Morrer, seu primeiro longa como protagonista nos Estados Unidos, ao lado da cantora Aaliyah. O filme foi um sucesso e abriu portas para ainda mais trabalhos para o ator neste novo mercado que se mostrava para ele.

Nos anos seguintes vieram O Beijo do Dragão, Contra o Tempo e O Confronto, uma ficção científica de ação onde Jet Li enfrentava uma versão maligna de si mesmo, que percorria o multiverso matando seus outros “eu” para se tornar cada vez mais poderoso. Mas ele nunca deixou de fazer filmes no oriente, afinal, lá era seu lar, onde vivia seu maior público. Em 2002, veio mais um drama de época, Herói, onde viveu um guerreiro sem nome com a missão de matar o imperador da China.

Já em 2005, Li fez Cão de Briga, que mostrou toda a veia dramática que o ator era capaz de imprimir caso o roteiro pedisse e lhe rendeu elogios inflamados dos críticos mais exigentes. No ano seguinte, surgiu uma das melhores obras de toda sua carreira: O Mestre das Armas, onde ele viveu mais um herói real chinês, o mestre Huo Yuanjia.

Outros trabalhos conhecidos e muito elogiados do ator são O Reino Proibido, onde atuou ao lado de Jackie Chan – e lutou contra ele -, A Múmia: Tumba do Imperador Dragão e a cinessérie Os Mercenários, na qual aparece ao lado de outros nomes de peso do cinema de ação, como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Jean Claude-Van Damme. Seu próximo grande trabalho será como o imperador da China em Mulan, versão em live action da animação da Disney.

Na vida real, Jet Li criou sua própria disciplina, o Taiji Zen, uma mistura de Tai Chi Chuan com meditação, voltada para o bem estar de seus praticantes ao invés de combate. Ele também é conhecido pela filantropia, sendo o embaixador da Cruz Vermelha chinesa e fundador a The One Foundation, dedicada a apoiar vítimas de desastres naturais no mundo inteiro.

Em 2013, ele revelou que sofre de hipotireoidismo, precisando tomar remédios para controlar o comportamento de seu coração, explicando sua ausência em filmes de artes marciais. Em 2016, ele se declarou curado de sua doença, mas disse que ainda assim diminuiria seu ritmo de trabalho para ter mais tempo para se dedicar à caridade e à filantropia. Em seu tempo livre, ele gosta de jogar tênis de mesa e de meditar.

Jet Li hoje, aos 56 anos

Embora realmente esteja meio afastado dos filmes de ação nos últimos anos, fica a torcida para que Jet Li volte a nos brindar com coreografias de luta espetaculares novamente e que não demore a voltar. O cinema de ação ainda precisa de sua velha guarda para ensinar aos novatos como se faz.

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael