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Jogar para relaxar?

Por Guilherme Souza

Ser competitivo é um dos instintos mais primitivos do ser humano e isso fica ainda mais aflorado quando sentimos a necessidade de provar nossa superioridade. Nossos antepassados, tinham de provar sua superioridade constantemente, seja para demarcar território, ou para conquistar uma parceira reprodutora (na era da pedra) – e esses conceitos foram evoluindo e se moldando, até que foram implementados nos Jogos Olímpicos, na escola, no mercado de trabalho e em tudo aquilo que cerca nossa sociedade atual.

Obviamente, as competitividades atuais visam muito mais um conceito amistoso do que algo “tóxico” por assim dizer, mas ao que parece, nossa necessidade de vencer sempre acaba falando mais alto e mesmo nas competições mais simples, nos deixamos levar por essa sede que nos cega e que não aceita o segundo lugar.

Infelizmente, essa ânsia de “ser o melhor” tem afetado até mesmo os jogos de videogame, que, inicialmente, foram criados como um produto de entretenimento e diversão. Por mais que atualmente existam campeonatos renomados e com premiações, que até ganharam o título de ESports (Esportes Eletrônicos), não é muito difícil vermos jogadores caseiros que quase têm um AVC quando estão perdendo em uma partida de League of Legends ou que sentem vontade de matar seus companheiros de equipe por fazerem uma jogada ruim em uma partida de Overwatch ou qualquer outro multiplayer online.

É claro, não podemos culpar os jogos multiplayer por esse comportamento mais hostil, já que isso é um costume que vem desde os jogos mais antigos e simplistas, algo que foi evoluindo junto com eles, afinal, até hoje, partidas de UNO ainda podem ser extremamente problemáticas, principalmente quando um “+4” entra na mesa, contudo, tudo no mundo digital é diferente, principalmente pelo fato de você não ter um contato direto com seus companheiros de equipe (quando está jogando com estranhos).

Longe de mim dizer que todos os jogadores possuem um comportamento ruim, afinal, todos somos diferentes, mas é muito mais fácil você encontrar jogadores que não têm paciência e que partem logo para a agressão verbal do que jogadores solícitos e que conseguem se divertir mesmo quando estão perdendo. Essa hostilidade toda fica ainda mais explícita quando vemos jogadores novatos se misturando com jogadores que possuem um pouco mais de experiência (ou que acham que possuem), o que é péssimo, já que muitos novatos acabam ficando assustados com o que veem e sequer têm vontade de continuar jogando.

A partir daí, entramos em um ponto muito importante dos jogos multiplayer. Com a evolução da tecnologia, ficou cada vez mais fácil jogar com amigos do mundo todo e expandir a experiência, mas isso foi criado com o intuito de que todos possam jogar, independente de seu nível de habilidade, afinal, nem todo mundo é um jogador profissional e nem tem a obrigação de ser, mas muitos jogadores não aceitam perder e não aceitam que possam existir pessoas ruins em seu time. Se pararmos para pensar, isso meio que remete diretamente aos tempos vergonhosos de escola, em que alguém sempre era escolhido por último no time, pois não o consideravam bom o bastante.

É claro, ganhar é muito bom, mas é muito melhor quando todos da equipe estão em sintonia e se divertindo juntos. O intuito de um jogo cooperativo é que todos os participantes se ajudem e façam algo para o bem do time, mas vez ou outra, sempre aparece aquele que se acha melhor do que os outros e que quer comandar tudo.

Não dá pra dizer ao certo o que provoca essas reações extremas nos jogadores, já que, muitas vezes, eles deixam de lado qualquer tipo de educação (por melhor que ela seja) e colocam pra fora o que têm de pior dentro deles, através de xingamentos e acessos de fúria. Nosso cotidiano agitado, pressões da vida e diversos outros fatores podem ser um catalisador para isso, afinal, muitos jogam com o intuito de se divertir e “distrair a cabeça”, mas na maioria das vezes, a diversão acaba se tornando uma verdadeira luta consigo mesmo para não quebrar o teclado ao meio.

Independente do que aconteça, acho que devemos levar em consideração que a vida já é séria demais e que um jogo não deve ser estressante, mas sim uma ferramenta de diversão. Independente se você ganha ou perde, tente extrair algo de positivo de sua experiência, afinal, não precisamos de mais uma coisa que nos aborreça e que nos traga problemas, mas sim de coisas que nos deixem leves e de bem com a vida e esse é o princípio mais básico dos jogos.

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