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[CRÍTICA] Zumbilândia: Atire Duas Vezes – Família pós-apocalíptica!

Por Gus Fiaux

Dez anos após o lançamento do filme original, finalmente chega aos cinemas o aguardado Zumbilândia: Atire Duas Vezes, nos levando de volta a uma realidade pós-apocalíptica onde o mundo foi dominado por zumbis. Agora, Columbus, Tallahassee, Wichita Little Rock estão de volta, enfrentando os problemas familiares e as hordas de mortos-vivos.

O novo filme, dirigido por Ruben Fleischer – que também comandou o original – é sangrento e impulsivo, mas será que consegue ficar à altura do Zumbilândia original? Nós já conferimos ao longa, e você pode ler nossa crítica do filme aqui!

Créditos: Sony

Ficha Técnica

Título: Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap)

Direção: Ruben Fleischer

Roteiro: Dave Callaham, Paul Wernick e Rhett Reese

Ano: 2019

Data de lançamento: 24 de outubro (Brasil)

Duração: 109 minutos

Sinopse: Columbus, Tallahassee, Wichita e Little Rock vão até o coração da América, enquanto enfrentam zumbis evoluídos, novos sobreviventes e as dores de crescimento de uma família improvisada.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes – Família pós-apocalíptica!

O primeiro Zumbilândia foi lançado em 2009, e desde então muita coisa mudou no mundo, como um todo. A internet foi dominada pela cultura dos memes e pelo streaming, a sociedade entrou em várias roubadas, o cinema foi dominado pelos super-heróis… e os zumbis voltaram com tudo à cultura pop, especialmente com o auge – e o declínio – de The Walking Dead. 

Felizmente, uma década depois voltamos ao universo do filme, com Zumbilândia: Atire Duas Vezes. O filme marca o retorno do diretor Ruben Fleischer – que se aventurou pelo mundo dos quadrinhos com Venom – e da dupla de roteiristas Rhett ReesePaul Wernick – que também mergulharam no universo dos super-heróis, de uma forma mais bem-sucedida, com Deadpool e sua sequência.

E eles não são os únicos que estão de volta. O quarteto original voltou ainda mais sanguinário, com Jesse Eisenberg, Emma Stone, Woody Harrelson Abigail Breslin. Agora, todos eles são conhecidos por terem passado no Oscar (com exceção de Breslin, que já havia sido indicada antes mesmo do primeiro filme). Ah, e nessas idas e vindas pelo tapete vermelho, Stone já conseguiu arrancar um prêmio de melhor atriz da academia. Nada mau.

Mas isso é só o contexto fora das câmeras. No universo de Zumbilândia, também se passaram dez anos, mas pouca coisa mudou. Agora, Columbus (Eisenberg), Tallahassee (Harrelson), Wichita (Stone) e Little Rock (Breslin), após suas desventuras em um parque de diversões recheado de mortos-vivos, formaram uma “família”, e continuam viajando pelos Estados Unidos em busca de um lar – e de miolos podres para estourar.

Falando neles, os zumbis também evoluíram. Agora, cada um deles possui uma denominação, e há uma nova raça mais forte, inteligente e veloz que pode representar o fim da humanidade de uma vez por todas. Resta aos heróis se reunirem para impedir esse Armagedom total. Mas dessa vez, eles não estão sozinhos. O filme nos apresenta alguns novos personagens, como Madison (Zoey Deutch), Berkeley (Avan Jogia) e Nevada (Rosario Dawson).

E assim, começa a segunda aventura dessa franquia. Zumbilândia: Atire Duas Vezes é um presente para os fãs do primeiro filme. Quem gostou do longa de 2009 provavelmente vai adorar voltar para esse universo, que está cada vez mais sanguinário, glorioso e engraçado. Porém, por mais que isso seja um ponto muito positivo, é um pouco decepcionante notar que a franquia não aproveitou todo o potencial desse pulo temporal.

Assim como no primeiro filme, o novo longa não tem uma história totalmente estruturada e coesa – o que não é um problema. Os personagens vão migrando de situação para situação, enfrentando alguns zumbis casuais em uma enchente de piadas e referências. A diferença aqui é que o filme acaba soando como uma repetição de todos os melhores momentos do primeiro longa.

As piadas mais engraçadas derivam diretamente de piadas do primeiro filme, e até a trama é muito bem encaixada na “fórmula” que o original tinha, sempre com pequenos problemas e rápidas soluções. Quanto aos personagens, nota-se pouca evolução na figura de Tallahassee, Columbus Wichita – eles são basicamente as mesmas figuras do primeiro longa, com poucas mudanças.

Mas é aí que entram os destaques. Little Rock, apesar de aparecer pouco, tem um arco individual bem interessante que traz o teor peculiarmente “familiar” para o novo filme – e isso inclui sua relação com Berkeley, que rende alguns momentos divertidos. Mas a verdadeira salva de palmas vai para Madison, que é o alívio cômico mais engraçado do filme. Zoey Deutch manda muito bem no papel, garantindo cenas icônicas e piadas que não cansam.

Acaba que, de certa forma, ela está presente nas melhores cenas do filme – e há um momento no meio do longa em que ela “desaparece” por um tempo – e é quando sentimos uma brusca falta de energia na trama. Essa “barriga” do filme até tem cenas memoráveis, como um plano-sequência formidável onde Columbus e Tallahassee precisam enfrentar alguns zumbis… peculiares, mas no geral serve apenas como uma transição para o final.

Quanto ao clímax do filme, tem certamente seus momentos, mas nada tão divertido quanto a sequência no parque de diversões do longa anterior. Isso acaba fazendo com que o filme comece muito melhor do que termina, embora tenha lá suas grandes cenas de ação e uma diversão violenta e escatológica que lembra tanto Deadpool quanto Venom, as obras mais recentes dos criadores da franquia.

Ainda assim, uma coisa que podemos notar ainda em mais destaque é o humor auto-referencial – algo que com certeza veio da experiência de Reese e Wernick com um certo Mercenário Tagarela. Aqui, temos de tudo: piadas com The Walking Dead, com elementos do primeiro filme e até mesmo uma discussão acalorada sobre o Uber e outros aplicativos de transporte – que, devemos lembrar, nem chegaram a ser criados nesse universo.

Quanto às escolhas de direção, até que Ruben Fleischer manda bem, mesmo após o catastrófico Venom. O longa começa com uma cena bem impactante e mantém esse ar ao longo de seus melhores momentos – como o já mencionado plano-sequência. Ainda assim, ele acaba usando demais o recurso dos cards que demonstram as “regras” de Columbus. Isso acaba tendo uma estética mais próxima de um videoclipe do que de um filme.

O restante do trabalho técnico é muito competente no que se propõe. As ruas estão vazias e acabadas, sinal de um ótimo design de produção, enquanto a maquiagem especial para os zumbis está cada vez mais grotesca, nojenta e sangrenta. Nesse sentido, o filme não deve em nada às séries e filmes de mortos-vivos que surgiram nos últimos anos, compondo um visual ao mesmo tempo divertido e pavoroso.

design sonoro é bom, com muito uso de som tridimensional para criar uma imersão completa do público. Entretanto, algo que decaiu muito em relação ao primeiro filme são as cenas com efeitos visuais. Há uma sequência no meio do filme envolvendo um certo monumento italiano que conta com um dos piores efeitos já vistos no cinema em anos. Tudo bem que isso passa um charme de filme B, mas também acaba tirando imediatamente o público da imersão criada pelos outros recursos técnicos.

Num geral, Zumbilândia: Atire Duas Vezes é um filme divertido e que consegue ser um bom sucessor do longa lançado há uma década. Por mais que as piadas se repitam e o filme nem sequer tente criar algo novo e “original”, há um charme em rever esses personagens e acompanhá-los por mais uma aventura insana – que agora, insere inclusive momentos de humor físico e de comédia stoner (ou seja, humor pra quem tá bem chapado).

Com destaque para Madison, que rouba a cena em cada momento que aparece, o filme também insere novos personagens que poderiam muito bem voltar em novas aventuras, mas estabelece sua jornada em torno de seus quatro protagonistas, lutando para sobreviver como uma família no apocalipse. Porém, para o que nós é o fim do mundo, eles chamam de “terça-feira”.

Na galeria abaixo, fique com imagens do filme:

Zumbilândia: Atire Duas Vezes está em cartaz nos cinemas.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux