Capa da Publicação

[CRÍTICA] Star Wars: Jedi Fallen Order – Uma nova esperança para os games da série!

Por Raphael Martins

FICHA TÉCNICA

 

Estúdio: Respawn Entertainment

Distribuidora: Electronic Arts

Plataformas: Xbox One/PlayStation 4/PC

Data de lançamento: 15 de novembro de 2019

Gênero: Ação

Modos: Single Player

Após dois lançamentos muito criticados pela imprensa especializada e jogadores por suas práticas abusivas de microtransações com os games da série Battlefront, parecia que a Força havia abandonado a Electronic Arts. O público estava descontente não a toa, foram apenas dois jogos de grande orçamento baseados em Star Wars lançados desde que a Disney comprou a franquia em 2012.

Mas assim como numa galáxia muito, muito distante, uma nova esperança surgiria para renovar o ânimo dos fãs da saga, ansiosos por um jogo realmente bom que capturasse toda a atmosfera de aventura e emoção que os filmes proporcionavam. Essa esperança tinha nome: Star Wars – Jedi: Fallen Order, que foi lançado no último dia 15 de novembro para as principais plataformas desta geração.

Muita gente desconfiou, afinal, se tratava de um jogo com o dedo da EA, uma empresa não muito bem vista pelos jogadores nos últimos anos. Entretanto, ela apenas distribui o jogo, tendo deixado a produção a cargo do estúdio Respawn Entertainment, o mesmo de Titanfall 2 e Apex Legends. Felizmente, o resultado é não só um dos melhores jogos desta geração, mas também um dos mais envolventes e divertidos já feitos baseados na saga espacial.

Cal Kestis, o herói de Jedi Fallen Order

O jogo conta a história de Cal Kestis (interpretado por Cameron Monaghan, de Gotham), um padawan que sobreviveu ao expurgo dos Jedi provocado pela Ordem 66. Traumatizado, ele se escondeu em um planeta longínquo, onde levava uma vida tranquila trabalhando como sucateiro, até ser obrigado a usar seus poderes novamente para salvar um amigo de uma queda fatal.

Visto por uma sonda droide imperial, Cal chama a atenção dos terríveis inquisidores, usuários do lado sombrio treinados pelo Império para caçar e matar Jedi. Sem escolha, ele acaba precisando empunhar seu sabre de luz novamente e usar seus poderes, e em sua fuga, acaba conhecendo uma ex-Jedi e se envolvendo em uma trama para reviver sua ordem caída e derrubar a tirania do Império.

Assim começa a trama de Star Wars – Jedi: Fallen Order, que reserva muitas surpresas, referências e emoções a todos os fãs que se dispuserem a jogar a aventura a sério.

Acompanhada de seus leais Purge Troopers, a Segunda Irmã é uma das pricipais vilãs do jogo

Jedi Fallen Order mistura elementos de outros games consagrados para compôr sua jogabilidade. Cal Kestis é um personagem bastante ágil, podendo saltar, se pendurar, escalar e até andar pelas paredes no melhor estilo Prince of Persia. Algumas grandes sequências de ação até lembram a série Uncharted, com seu personagem participando de loucas escapadas em meio a muita destruição e situações de tirar o fôlego.

Já nas batalhas, o game se assemelha mais a Sekiro e Dark Souls, onde o segredo para vencer é saber se esquivar, defender e contra-atacar em momentos precisos. A falha resultará em danos bem altos e uma morte rápida, onde você perde toda a experiência que ganhou. Para recuperá-la, só acertando um golpe em quem te matou.

Também é possível meditar, e ao fazer isso, você tem a opção de usar seus pontos de habilidade para aprender novas técnicas e se fortalecer ou descansar para recuperar sua energia e itens de cura. Mas ao fazer isso, todos os inimigos derrotados também voltam, então abusar de sua meditação pode não ser lá uma boa ideia.

Logicamente, a Força também está presente, e apesar de a princípio seu único poder seja desacelerar a movimentação de seus inimigos, novos poderes vão sendo aprendidos ao longo da jornada do Jedi.

Mesmo Stormtroopers podem dar muito trabalho caso você não lute com sabedoria

Auxiliando Cal em sua aventura está o pequeno droide BD-1, que será bastante útil ao longo do game. Com ele, o jogador pode escanear inimigos mortos, abrir caixas contendo peças para seu sabre de luz e melhorias de status e visualizar um mapa para navegar pelos cenários, que aliás são bem grandes e com muitas bifurcações e passagens secretas.

Falando no sabre de luz, sua arma Jedi pode ser customizada dentro da Mantis, a nave do grupo de Cal, ou em mesas de trabalho espalhadas pelos diferentes cenários do game. Pode-se mudar da empunhadura à cor da lâmina, uma mudança meramente cosmética, mas ainda assim, muito legal.

Exploração também é um dos fortes de Jedi Fallen Order. A ordem dos planetas a serem visitados depende inteiramente da vontade do jogador, mas algumas áreas deles podem não ser acessadas de pronto e será preciso voltar até lá mais tarde com uma nova habilidade aprendida para alcançar aquela caixa de prêmio ou aquela memória perdida, dando aos jogadores uma sensação gostosa de evolução e recompensando seus esforços anteriores.

A dificuldade pode ser customizada e modificada a qualquer momento do jogo, mas mesmo na opção mais branda, o desafio pode ser cruel se você não prestar bastante atenção nos movimentos de seus inimigos. Morrer neste game é muito fácil, algo que dá ao seu personagem uma vulnerabilidade nunca antes sentida ao se controlar um Jedi nos jogos anteriores baseados na saga.

Cal pega carona em um AT-ST imperial: nenhum desafio é grande demais para reerguer a ordem Jedi

Para não dizer que o jogo não tem nenhum problema, o tempo de espera para reviver depois de uma derrota é muito longo, durando mais de 20 segundos para recomeçar a jogar.

Mas como diria o mestre Obi-Wan Kenobi, tudo depende de seu ponto de vista: você pode encarar isso como um teste de paciência Jedi e usar esse tempo para respirar fundo, acalmar sua mente, refletir onde errou e ir com mais vontade para cima do inimigo que o derrotou, com os ânimos renovados e a Força como aliada.

Levando em conta todo o conjunto da obra, Star Wars – Jedi: Fallen Order ganha merecidos cinco emblemas Jedi da LH, sendo o jogo que os fãs mereciam depois das decepções anteriores e uma aventura digna dos melhores momentos da saga em todas as mídias. Então encare o desafio, ative seu sabre de luz e vá à luta. Que a Força esteja com você!

Imagem de perfil
sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael