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[Crítica] Need For Speed Heat – Acelerando na direção certa!

- – Será que o novo Need For Speed resgata a glória da franquia?

Por Lucas Rafael É triste como muitas franquias do mercado atual de games não conseguiram se atualizar. Em busca de adotar novas práticas (sejam câmeras mais fluídas ou microtransações) muitos títulos abriram mão de seu passado em busca de um futuro lucrativo ou “inovador”. Need For Speed é uma dessas franquias que jamais conseguiu se atualizar com perfeição, mesmo que o segredo estivesse debaixo do nariz da publicadora Electronic Arts o tempo todo: a gente só queria Need For Speed Underground para as novas gerações. Basta olhar o que a Capcom fez em Resident Evil 2 – atualizar o passado com dignidade é melhor do que insistir em um futuro medíocre.

A distribuidora parece ter entendido o recado. Need For Speed: Heat busca cruzar essa distância entre o que a franquia é e o que ela já foi. Mas será que funciona?  

Ficha Técnica

Desenvolvedora: Ghost Games

 

Publicadora: Electronic Arts

 

Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, Windows

 

Data de lançamento: 8 de novembro

 

Mãos no volante

O mapa em NFS: Heat é dividido entre noite e dia. De dia, os principais desafios do modo história aparecem, em corridas legítimas que possuem dinheiro como recompensa.

De noite, o negócio fica mais violento. As corridas assumem aquele ar clandestino do primeiro Velozes e Furiosos e a atmosfera do jogo parece ter sido sugada de um filme de Michael Mann (pensem Miami Vice). Neon refletindo no asfalto molhado, chuviscos atravessando a luz de lâmpadas que refletem na carroceria do seu carro, essas coisas. O jogo faz bem em evocar a atmosfera notívaga de Underground nesse sentido, por mais que os gráficos não sejam de ponta para a geração atual, a direção de arte salva muito. 

O visual noturno de Heat é um festival de luzes e neon.

A polícia é mais ativa à noite também. Ela pode invadir uma corrida durante o trajeto para te perseguir, criando uma sensação caótica muito divertida. 

Falando na polícia, ela tende a ser bem agressiva, criando um jogo violento de gato e rato. Se você conseguir escapar, acaba ganhando mais Rep Points ao fim da noite, moeda do jogo necessária para subir de nível e adquirir novos veículos. Esse sistema de Risco e Recompensa acaba sendo um grande atrativo: quanto mais polícia na sua cola, maior a recompensa por escapar. Mas se você for pego, o baque nas finanças é pesado. 

Em termos de jogabilidade, Need For Speed ainda é um dos títulos arcade de corrida que melhor consegue transmitir ao jogador a sensação de velocidade. A proposta de NFS nunca foi a de um compromisso intenso com a realidade (para isso existe Gran Turismo), mas sim a de um game que te permite acelerar pra caramba e caprichar em drifts para chegar em primeiro. 

O controle do carro aqui requer prática, você precisa pegar o jeito das curvas para acertar o drift (não é o básico de frear aqui, “driftar” fica um pouco mais complexo em Heat). Nem todo carro responde da mesma maneira, fazendo com que você tenha que descobrir o ponto certo de cada veículo para que ele dispare nas pistas e não se perca nas curvas. 

É incrível a sensação de dirigir bem em Need For Speed: Heat, fazendo sentido que seja um pouco desafiador se aclimatar ao controle do veículo. 

Rebaixei, Aro 16

Um dos grandes atrativos de Need For Speed: Underground era a capacidade de customização. Deixar o seu carro do seu jeito com diversas peças à disposição para dar aquele gostinho de variedade.  

A customização aqui é densa, devendo animar aos saudosistas da franquia. Também não existem microtransações (pelo menos enquanto essa análise é escrita), fazendo com que toda peça do game seja adquirível através da jogatina mesmo. 

Mundo aberto 

Um dos problemas de Heat é atingir um feijão com arroz, prato simples e delicioso, sem muito tempero. É um jogo eficaz no que propõe mas ainda assim falha em se sobressair para ser algo realmente impactante, como foram ambos os Need For Speed Underground, anos atrás. 

O mundo aberto aqui é repleto de tarefas repetitivas que falham em engajar o jogador a longo prazo. A variedade de corridas também não é muita e, a grande parte da dificuldade se resume em deixar a maioria dos carros para trás, batalhando pela primeira colocação com somente um piloto chato.  

Nota

 

 

Need For Speed Heat é o melhor game da franquia em anos. Se livrando de microtransações e com um foco moderado na história, o game se concentra naquilo que realmente importa: corridas e customizações. 

Não é o retorno que esperávamos, mas sim uma acelerada na direção certa. Os desenvolvedores finalmente perceberam que o passado da franquia pode ser a chave de sua glória futura. 

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sobre o autor Lucas Rafael

Entusiasta de coisas demais