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[CRÍTICA] Concrete Genie – Jogando um filme da Pixar!

Por Márcio Jangarélli

FICHA TÉCNICA

 

Estúdio: PixelOpus

Distribuidora: Sony Interactive Entertainment

Plataforma: PlayStation 4

Lançamento: 08 de Outubro de 2019

Gênero: Aventura

Modos: Single player

Estamos quase içando velas e partindo em direção às terras desconhecidas da nova geração de consoles, mas isso não significa que as máquinas atuais já perderam seu potencial de entregar produções excelentes e, principalmente, surpresas. E mesmo em uma indústria bem homogênea, onde todos os games tem as mesmas funções, mesmos sentimentos, mesmos gostos e mesmos problemas, ainda é possível sim, com um pouco de esforço, encontrar um sabor completamente original.

Veja, por exemplo, Death Stranding. A primeira produção do Kojima pós-divórcio com a Konami nem foi lançada ainda, mas já mostrou que é algo novo no oceano das mesmices que amamos tanto. Cyberpunk 2077 é outro sabor diferenciado, que ainda vai demorar pra chegar, mas o que foi entregue do game é exótico se comparado aos lançamentos que rodeiam. Tudo isso no capítulo final de uma geração que surpreendeu não exatamente por novidades, mas por aperfeiçoamento.

E estamos falando só de jogos gigantes, que escutamos de muito longe o que eles pretendem ser. Em uma área não tão apreciada, mas imersa em potencial, os estúdios também estão tentando e sendo super bem-sucedidos em entregar experiências únicas, sensíveis, novas. A fatia indie do mercado às vezes me atrai até mais que os AAA por experimentar mais – afinal de contas, aqui o orçamento é baixo, então você não só pode, mas precisa ser criativo.

De um dos menores estúdios da Sony, o Pixelopus, o PS4 ganhou nesta semana seu mais novo exclusivo: Concrete Geniee a PlayStation foi gentil em enviar o game para a LH fazer este, review, muito obrigado pessoal! Não sabia exatamente o que me esperava quando embarquei no game, vi um trailer apenas e “vamos nessa”, e a surpresa foi bem grande. Positivamente.

Concrete Genie é novo. Mesmo sendo um game indie, no final de uma geração e com tantos lançamentos magnânimos chegando até mesmo no universo indie, seria bem mais fácil apostar em uma fórmula mais conhecida, mas não foi o caso. Esse é um jogo que transborda sentimento e você consegue ver em cada pontinha dele que a equipe se esforçou para entregá-lo para o público com o maior carinho e cuidado possível. O comprometimento pode não ser novo, mas está em falta na indústria.

Sobre o game em si, Concrete Genie é um jogo difícil de caracterizar. Ele é um pouquinho game de plataforma, mas é principalmente aventura, tudo misturado com muita arte e sistemas bem distintos de progressão. Você controla o Ash, um menino que está passando um tempinho fazendo desenhos na cidade portuária – e praticamente abandonada – de Denska, até que coisas estranhas começam acontecer.

O grande atrativo do game está nos modos mais artísticos. Ash tem que usar sua arte mágica para trazer a luz de volta à cidade. Assim, você desenha pelas paredes do lugar inteirinho, usando o sensor do controle para posicionar, aumentar ou diminuir a arte do menino. São várias e várias opções de desenhos diferentes que ficam animados nas paredes, então você vai montando um cenário mais bonito que o outro. Para apagar a escuridão real do lugar, você usa supertinta – e para conseguir supertinta, bom, aí entram os Gênios.

A parte mais legal de Concrete Genie são os Gênios do título. Além das paisagens, o Ash desenha esses monstrinhos amigáveis. Você pode montar os gênios mais malucos possíveis com todas as opções de corpo, chifres e tudo mais que você encontra pelos cenários. Depois de prontos, eles se tornam seus amigos nessa cidade, interagem com você e te ajudam a atravessar alguns obstáculos. Se você deixa os Gênios felizes, que vivem pedindo desenhos específicos ou para brincar, eles te dão supertinta.

Parece algo bem lúdico, né? Até é, mas a história e outras funcionalidades do game dão uma balanceada com drama e ação. Concrete Genie começa, sim, como um game para salvar a cidade com pinturas, mas se torna algo muito maior depois – e é até um choque a mudança. Você tem alguns poucos elementos de stealth, quando tem de se esconder do esquadrão de crianças “malvadas” que ronda a cidade, e existe um sistema de combate, que surge em certo ponto, que é muito legal e muito travado ao mesmo tempo.

Mesmo sendo uma experiência incrível, com uma história realmente tocante e mecânicas super legais, Concrete Genie peca exatamente em não conseguir distribuir seus “experimentos” direito. O sistema de arte e interação com os Gênios, por exemplo, é super legal e talvez o mais trabalhado do game. Ainda assim ele é um tanto limitado e algumas funções são desperdiçadas. Eu brinquei com meus gênios uma ou duas vezes só e não é necessário dar atenção pra eles a não ser que você precise de supertinta. Isso desperdiça todo um potencial de investir mais na relação com os Gênios, de se afeiçoar mais a eles.

O sistema de escapar das crianças é algo bem raso também, quando você só tem que chamar a atenção delas em um ponto, esperar elas irem até lá e pronto, você não precisa nem correr muito para atravessar onde eles estavam bloqueando. Mas o que me deixou mais triste foi o sistema de batalha. De longe a coisa mais divertida do game, quando você luta com tinta elemental e desliza como se estivesse em um skate de tinta, essas habilidades aparecem muito tarde e são pouco utilizadas e desenvolvidas.

Talvez o ponto negativo de Concrete Genie seja que o jogo apresenta várias coisas muito legais, que você vai querer ver mais delas, mas que são podadas muito cedo. De novo, esse é o menor estúdio da Sony, então é compreensível um ou outro deslise. No entanto, a distribuição dessas funções, a vida curta delas e o potencial desperdiçado são bem frustrantes.

Não se enganem, porém: o game te prende. É uma história muito boa, com personagens carismáticos, dublagem brasileira excelente, visual mais que incrível e uma trilha-sonora que complementa e fecha tudo com chave de ouro. Minha esperança é que o game tenha a recepção esperada ou até superior, para que talvez seja melhor trabalhado no futuro.

Resumindo de uma forma que dê pra entender sem dar spoilers, Concrete Genie é jogar um filme da Pixar; é um game para te dar um calorzinho no coração e te fazer relaxar. São poucas horas de gameplay, mas que realmente valem a pena e vão te deixar uma marquinha que seja.

O jogo leva 3,5 gênios de concreto da LH! Tem alguns probleminhas sim, mas nada que tire o valor da produção como um todo.

Já experimentou Concrete Genie? O que achou? Não esqueça de comentar!

Até a próxima o/

Imagens: Reprodução/PlayStation
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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.