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Black Mirror e a Hannah Montana Sombria!

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Por Guilherme Souza

Assim como muitas estrelas da música Pop norte-americana, Miley Cyrus começou sua carreira como estrela da Disney, protagonizando o seriado Hannah Montana.

Na trama, Cyrus interpretava uma garota Miley Stewart, que vivia uma vida tranquila com sua família, mas que, secretamente, era uma estrela da música Pop, assumindo o pseudônimo de Hannah Montana.

Ao colocar sua peruca loira, Miley se transformava em uma estrela confiante, que dominava os palcos e encantava plateias gigantescas ao redor do mundo. Com isso, ela poderia aproveitar da privacidade fornecida por sua identidade secreta e do glamour que a vida de superstar oferecia, tendo o “melhor dos dois mundos.”

No decorrer da série, vimos Miley crescendo e descobrindo que ter essa vida dupla era mais complicado do que ela imaginava, até que chegou o momento em que ela decidiu que não queria mais ficar à sombra de uma peruca loira e de ser a estrela sorridente o tempo todo e que queria ser apenas ela mesma.

Acontece que essa evolução também era um reflexo da vida real de Cyrus, já que ela também cresceu e, assim como outras estrelas Disney, ela não queria mais ser aquela garota que tinha que fazer tudo certo e ser um exemplo o tempo todo.

Na verdade, depois que a série acabou, Miley passou por um longo período de rebeldia, disposta a se desvincular da imagem imaculada que os anos de trabalho na Disney lhe renderam. A rebeldia deu certo e ela conseguiu se sobressair ao seriado e mostrar que era muito mais do que a ex-intérprete de Hannah Montana.

Agora, oito anos depois do fim da série, Cyrus volta a viver uma estrela pop com dupla personalidade, desta vez, no episódio “Rachel, Jack and Ashley Too” da quinta temporada de Black Mirror, série exclusiva da Netflix que tenta mostrar os impactos que a tecnologia podem causar em nossas vidas de forma fictícia.

No episódio, Cyrus interpreta Ashley, uma garota comum que, ao vestir uma peruca rosa, se torna a popstar Ashley O.

Apesar da premissa similar à da série da Disney, em Black Mirror, vemos um lado mais cruel da vida das celebridades, principalmente aquelas que começam suas carreiras bem cedo, como foi o caso de Cyrus.

Enquanto as músicas e a persona de Ashley O passam mensagens positivas e estimulam seus fãs a serem o que quiserem, isso não acontece com a própria Ashley, que é forçada a passar essa imagem para o público. Através da ficção proposta pela trama, temos algumas analogias bem claras com o mundo das celebridades, que são estimuladas por seus agentes e aqueles que estão ao seu redor a continuarem produzindo, mesmo que a contragosto, afinal, o lucro precisa continuar sendo gerado.

Um ponto bem preocupante que também é levantado pelo episódio, é o fato de que, com o avanço da tecnologia, cada vez mais ficamos próximos da “imortalidade”, principalmente quando se fala das celebridades.

Como já vimos anteriormente, músicos como Elvis, Michael Jackson e Tupac já foram recriados através de hologramas, onde fizeram apresentações como se estivessem vivos novamente. Com isso, vemos que a tecnologia pode permitir que continuem lucrando em cima do talento dessas pessoas mesmo que eles não estejam mais em condições de produzir novos materiais ou de se apresentar.

Por fim, a trama também se relaciona bastante com a vida da própria Miley e de outras estrelas juvenis da Disney, que tiveram dificuldades ao passarem por essa fase de transição e essa tentativa de se desvincular de uma imagem pré-estabelecida. Apesar de dramatizar tudo de um jeito mais sombrio, a série continua lidando muito bem com temas reais através de sua ficção futurista.

Fique com imagens da quinta temporada de Black Mirror em nossa galeria:

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