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The Gifted: 2×03 e 04 – Chega de discursos vazios, o sonho dos X-Men acabou!

Por Cristiano Rantin

Levando em conta a quantidade de materiais promocionais que colocavam Polaris no centro de tudo, eu realmente imaginei que veríamos mais da filha do Magneto na série. Desde que a pequena Dawn nasceu, no entanto, a moça entra muda e sai calada dos episódios, até mesmo do episódio onde tudo girou em torno da sua filha precisando de ajuda médica.

Não dá pra negar que estou ficando um tanto descontente com isso. Se quiseram seguir em frente com a  gravidez de Lorna, eles deveria muito bem trabalhar isso e não apagar a mutante da narrativa. Chega até a ser engraçado comparar a Polaris fodona do final da primeira temporada, com a guria sem voz nem cena dessa segunda temporada – soltando apenas uma ou outra frase de efeito como “Nossa filha precisa de mais coisas do que amor”

Mesmo que eu entenda o sofrimento do Marcos, não aguento mais esse drama arrastado dele (nem de ninguém da Resistência, pra ser sincero). Quando eles vão entender que tanto Lorna quanto Andy foram embora por uma escolha deles? Não foi um sequestro, os dois sabiam muito bem onde estavam se metendo e decidiram se aliar com o Clube do Inferno e posteriormente com o Círculo Interno.

Por isso foi bem satisfatório ver Reeva surrando o Eclipse, ainda que eu desejasse que fossem as Frosts a fazer isso.

No terceiro episódio também tivemos a estreia dos Morlocks. Estava bem ansioso para ver eles chegando na série, mas realmente esperava que eles fossem mais desfigurados ou estranhos – dá pra relevar, no entanto, quando lembramos das questões orçamentárias e quão caro poderia ficar trazendo o pessoal realmente estranho do grupo.

A melhor coisa em ter os Morlocks na série é que eles apresentam um outro ponto de vista, uma outra maneira de seguir em frente sendo mutante. Eles não querem ser os heróis, como era o caso dos X-Men, nem querem criar uma revolução como é o caso do Círculo Interno. Tudo que os Morlocks querem é sobreviver e seguir em frente.

O diálogo entre Erg, o Líder do Morlocks, com Blink deixa muito claro como o sonho dos X-Men, e consequentemente o da Resistência, é um sonho destinado ao fracasso.

“Os X-Men não lutavam por liberdade, eles lutavam por tolerância. Você sabe o que as pessoas toleram? Aquilo que elas odeiam.”

Assim, enquanto a Resistência ficava correndo em círculos tentando salvar dois ou três mutantes, os Morlocks realmente conseguiram criar uma sociedade segura – claro, tá longe de ser uma vida ideal, especialmente porque eles vivem nos esgotos, mas ao menos eles estão protegidos (ao menos por enquanto).

Preciso ressaltar o quanto a Blink está sendo maravilhosa essa temporada. Com seus comentários sarcásticos e irônicos, a personagem na maioria das vezes acaba falando aquilo que eu estou pensando – sim, pois fiquei incomodadíssimo com o Pássaro Trovejante tocando o chão do esgoto. É muito bom ver que a personagem conseguiu ganhar uma personalidade e ser mais interessante nessa temporada.

Quando o quarto episódio da série foi anunciado, mostrando que finalmente veríamos a invasão planejada pelo Círculo Interno eu realmente esperei um episódio cheio de ação – talvez até com alguma fala da Polaris ou com a Mestra do Magnetismo tendo destaque na ação.

Esse definitivamente não foi o caso. O episódio não foi ruim, mas foi tão diferente do que eu havia esperado que não posso negar que me sentir meio decepcionado. Se o episódio fosse focado na ação do Círculo Interno, seria muito mais interessante e divertido, justamente por trazer uma quebra no drama da Resistência que tem se arrastando desde o primeiro episódio.

Alguém realmente precisava ver mais do drama do Eclipse? Ou ver a Lauren sofrendo por causa do Andy? Essas tramas são boas, mas parece que isso não avança nem sai do lugar. Já está repetitivo e cansativo, mas felizmente depois do ataque de Andy – que prova que ele está com Reeva por escolha, não por ter sido sequestrado – as coisas possam mudar.

Devo ressaltar, no entanto, que ainda que o drama esteja cansando, ver Caitlin cruzando todos os limites para tentar “salvar” seu filho foi algo MUITO legal. Normalmente não costumamos ver os “mocinhos” agindo dessa forma, chantageando, torturando e quase fazendo alguém morrer de overdose. Isso prova que mesmo sendo humana, ela consegue ser alguém que impõe respeito – sendo uma ameaça até mesmo para os mutantes. Vai ser interessante ver até que ponto essa “X-Mãe” é capaz de ir pelas suas crias.

Outro ponto que merece ser ressaltado é: Sério mesmo que a Resistência vai ficar tentando culpar o Círculo Interno por libertar e salvar centenas de mutantes que estavam sendo torturados e aprisionados injustamente? Claro, eles tinham segundas intenções, mas não dá pra negar que as Frosts fizeram um bem tremendo obrigando os humanos a se assumirem como torturadores.

E enquanto tudo isso acontecia o que a Resistência fazia? Nada. Mesmo sabendo do inferno que acontecia naquela instituição eles nunca se organizara para tentar salvar ninguém. E agora quando alguém finalmente faz isso, essas pessoas são taxadas de vilãs?

Acho que no fim das contas é isso que mais tem me irritado nessa coisa de Resistência X Círculo Interno. Eles continuam condenando e acusando o Círculo interno de serem vilões fodões e maquiavélicos, enquanto ficam se escondendo e de braços cruzados tentando fazer o sonho dos X-Men acontecer. Ao menos Reeva e os outros mutantes estão tentando fazer alguma coisa para melhorar o mundo.

“Ai, mas eles matam…” Os humanos também. É uma guerra que está acontecendo, especialmente agora que os Purificadores devem entrar no jogo. Não dá vencer uma guerra sendo gentil, apenas pedindo: “Por favor, o senhor poderia parar de caçar, torturar e matar meu povo que, de fato, NÃO FEZ NADA DE ERRADO ALÉM DE EXISTIR? Obrigado. Tenha um bom dia.” Por isso, até reitero o argumento de que Polaris, Magneto, Emma Frost, Ciclope, Reeva e companhia estavam certos.   

Agora resta saber quem foi resgato pelo Círculo Interno. Quais são as apostas de vocês?

Confiram abaixo a nossa galeria sobre a série:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"