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The Gifted: 2×02 – Lidando com as consequências!

Por Cristiano Rantin

Mais uma semana com The Gifted apostando em construir essa segunda temporada com calma, em um fogo brando, preferindo ir com fazer episódios mais “mornos” para gradualmente ir chegando ao seu ápice, ao invés de simplesmente encher a série de ação e momentos tensos.

Isso é uma boa técnica para criar uma temporada profunda e interessante, mas pode acabar sendo um erro caso demore muito para que as coisas comecem a acontecer. É preciso equilíbrio e que a ação não fique toda concentrada apenas nos últimos episódios.

No episódio dessa semana, vimos um pouco mais da preparação dos dois lados – a Resistência Mutante e o Clube do Inferno – para uma possível guerra. Enquanto o primeiro grupo fazia uma investigação um tanto quanto desesperada sobre o Círculo Interno, o segundo executava uma missão importante para garantir a segurança dos mutantes, enquanto também realizava um dos seus treinamentos (que lembrou muito a sala de Perigo dos X-Men).

É importante falar sobre como, mesmo que o Clube do Inferno mate uma quantidade considerável de pessoas e que, no fim das contas, eles sejam os antagonistas da Resistência, não dá pra pintar eles como vilões. Eles fazem o que é preciso para conquistar o sonho deles – a sociedade que aceite os mutantes, mesmo que seja pela força ao invés do diálogo.

Ao longo do episódio, por exemplo, vimos Reeva e Esme Frost hesitando antes de matarem pessoas, isso porque elas não sentem prazer nisso, mesmo entendendo que isso é necessário para proteger os mutantes. Classificar elas como vilãs seria simplório demais. Claro, elas ainda estão sendo um tanto quanto extremistas, matando tanta gente assim, mas é importante lembrar que os mutantes são caçados, torturados e mortos simplesmente por serem diferentes.

É errado que elas joguem com as mesmas regras dos seus inimigos? É errado que elas tentem sobreviver e garantir um futuro melhor para o seu povo, mesmo que isso signifique sujar um pouco as mãos? Porque no fim das contas, tudo que a Resistência conseguiu fazer foi esconder mutantes, enchendo seus covis com pessoas machucadas e fugitivos que passaram a viver uma vida quase miserável. A estratégia deles era se esconder e fugir e isso não iria fazer com que o mundo mudasse para melhor, não iria realizar o sonho dos X-Men. Ao menos o Círculo do Inferno está fazendo alguma coisa, tentando melhorar o mundo dos mutantes.

Importante citar também que, conforme havia sido prometido pela Skyler Samuels, atriz que encarna as Irmãs Frosts, essa segunda temporada iria trabalhar a personalidade individual das personagens, para que elas parassem se ser uma única personagem.

Desde o primeiro episódio estamos vendo Esme e suas irmãs tendo reações diferentes diante das situações em que elas se encontram, além de discordarem de algumas coisas. Não deve demorar muito para que cada uma tenhaum visual único, buscando ter uma identidade própria como já aconteceu nas HQs.

Outra coisa legal envolvendo as personagens foi ver elas discutindo telepaticamente, afinal é sempre bom ver as habilidades dos mutantes sendo utilizadas em outros contextos que não sejam apenas em combate.

Além disso, também vimos mais consequências da temporada anterior e isso é algo muito bom. Ao invés de todo mundo já estar super bem e incrivelmente recuperado e pronto pra luta, especialmente depois do salto temporal que tivemos, todos apresentam marcas profundas das tragédias e perdas da primeira temporada.

Se no outro episódio vimos como isso afetou a Caitlin, Reed e Marcos, esse episódio mostrou o ponto de vista de Lauren, Andy e principalmente do Pássaro Trovejante.

O episódio já começa nos apresentando o passado de John, em uma cena que inclusive lembrou muito toda a introdução do Wolverine nos cinemas. Depois de ser dispensado da Marinha por ser mutante, Pássaro Trovejante está viciado em analgésicos e gastando seus dons mutantes em lutas ilegais. O personagem aparece totalmente sem motivação, ambição ou propósito, sendo alguém que prefere mascarar a dor com bebidas e drogas, conseguindo algum dinheiro apanhando e batendo em pessoas aleatórias.

Vemos então Evangeline Whedon, a mutante capaz de se transformar em dragão chegando para lhe dar uma causa pela qual lutar: O sonho dos X-Men. A cena traça um paralelo com o momento em que Whedon apresentou a Resistência Mutante para Polaris, um flashback que vimos na outra temporada.

Sabemos então que, basicamente, ser o líder do grupo era basicamente o objetivo de vida de John, então quando tudo que ele tinha construído acaba ruindo, e o grupo que ele lutou para proteger se desfaz, ele acaba ficando perigosamente próximo do fundo do poço.

É interessante ver como essa temporada conseguiu não só deixar o Pássaro Trovejante interessante, como também dar ao personagem uma história profunda e relacionável. Até então, em nenhum momento vimos ele como o Líder dos mutantes, nem como todas as tragédias afetaram ele.

Agora, nesse episódio, vimos que ele tem problemas para controlar sua raiva e frustrações, mas que principalmente, que ele foi terrivelmente afetado pelas mortes de Pulso e Belos Sonhos, assim como a saída de Lorna e demais mutantes do seu grupo.

Ao invés de pedir ajuda, no entanto, ou de falar sobre isso com sua namorada, a Blink, ou seus amigos, ele deixa todos esses sentimentos queimarem dentro dele – o que faz com que ele sofra em silêncio, tanto pelo luto quanto por seus fracassos.

Se as coisas seguirem desse jeito, devemos nos preparar para ver o mutante atingir o fundo do poço, o que não será nada bom para sua raça, especialmente em um momento em que o Serviço Sentinela estão ainda mais ativos e violentos. Como a própria Reeva disse nesse episódio, um deslize é tudo que é preciso para que inocentes morram.

Outra pessoa que também está sofrendo com acontecimentos da outra temporada é Lauren. Finalmente vimos o impacto disso na garota e descobrimos que ela não estava sofrendo apenas por sentir a falta de Andy ou por ver sua família dividida, mas sim porque ela não quer que seu irmão retorne.

Ainda que o ame, Andy representa um poder descontrolável e bastante tentador, sendo também um lembrete de que da última vez que Fenris se uniram, eles mataram 15 pessoas. Tudo bem que eram pessoas que estava ali para matar todo mundo, mas ainda assim, o peso dessas mortes pesa sobre os ombros da garota e, esse tempo todo, ela esteve sofrendo em silêncio.

Enquanto Caitlin e Reed lidavam com seus próprios problemas, ninguém viu como isso afetou Lauren, nem que ela sofre de transtorno pós traumático justamente por ter matado tanta gente. Isso tem corroído a moça por dentro e ninguém notou nisso, ninguém tentou ajudá-la.

E é por isso que ela tem esses sonhos (que, pelo que já ficou claro, não são apenas sonhos) com Andy. É o medo e culpa que faz com que ela se afaste dele. Interessante ver como o jovem Von Strucker tem sentido dificuldade em se abrir com Reeva e o Círculo Interno – o que inclusive quase custou a vida dele, quando a mutante achou que ele estava passando informações para a Resistência -, sofrendo com uma solidão que, em nenhum outro momento de sua vida, ele havia sentido antes.

Em suma, todo o episódio foi focado em aprofundar as consequências em personagens chave, além de mostrar como, no fim das contas, ninguém tá bem. Todo mundo tá sofrendo, lidando com seus próprios problemas e seus próprios demônios, além de estarem sem muita esperança de que o mundo pode ser um lugar melhor. Resta saber como os próximos episódios irão trabalhar isso.

Minha única reclamação com esse episódio é sobre os flashbacks. A gente realmente precisava ter flashbacks de coisas que aconteceram no episódio anterior? Mais que isso, precisava ter tanto flashback assim? Acho que não.

Confira abaixo nossa galeria sobre a série:

The Gifted vai ao ar às terças-feira. Não deixe de conferir nossa review toda quinta-feira! 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"