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The Gifted: 2×01 – A Aurora da Era Mutante!

Por Cristiano Rantin

Depois de uma longa espera, The Gifted finalmente voltou para a sua segunda temporada, mostrando as consequências da separação que aconteceu depois que a Polaris usou de meios mais agressivos para conseguir construir um futuro melhor para o povo mutante.

Assim, se antes nós tínhamos apenas a Resistência Mutante, agora o grupo se dividiu em dois, com a ascensão de um novíssimo Clube do Inferno. Como a própria divulgação da série sugeria, essa temporada vai ser bastante focada nessa Cisma entre os mutantes. É preciso escolher um lado.

Mas essa divisão não aconteceu só nos grupos, o impacto da saída de Polaris e Andy afetou diretamente todos os personagens, nenhum relacionamento saiu impune dessa separação, todos estão com algumas rachaduras perigosas.

Na Resistência vimos que o Pássaro Trovejante não gosta de como Eclipse está agindo, e a amizade dos dois está bastante delicada por causa disso. Enquanto isso Caitlin está louquíssima em busca do seu filho, estando verdadeiramente obcecada com isso, sem se dar conta de que isso está fazendo mal tanto para Lauren quanto para Reed, uma vez que eles próprios precisam lidar com o “luto” pelo Andy e seus próprios dramas pessoas, como a volta dos poderes mutantes de Reed.

O Clube do Inferno não está totalmente unido, também. Como vimos logo na cena inicial, a maravilhosa Reeva e as Frosts precisaram matar todos os líderes do clube para conseguirem prosseguir com os seus planos, e isso deve trazer alguma fragilidade para a organização mutante. Isso, como já ficou claro no episódio, faz com que Polaris tenha problemas em confiar nelas, o clube não é uma nova família para a filha de Magneto, ainda que Andy esteja se esforçando ao máximo para ser uma espécie de irmão pra ela.

E isso tudo serve para levar nossos protagonistas para direções interessantes, fica muito claro que ninguém está muito confortável com a maneira que as coisas estão acontecendo e que no meio de todo esse conflito interno, os mutantes continuam sendo caçados e morrendo.

O que eu mais gostei desse retorno da série, é que não tentaram demonizar o Clube do Inferno, colocando a Reeva como uma assassina sanguinária vilanesca, algo que temi que pudesse acontecer quando saiu o teaser dela se tornando a nova líder da organização. Ela não é uma vilã cartunesca que gargalha enquanto conquista mais poder, tudo que ela quer é criar um mundo melhor para os mutantes, a única diferença entre ela e o pessoal da Resistência é que Reeva está disposta a sujar as mãos para realizar o sonho falido dos X-Men.

Inclusive, adorei a maneira que esse episódio subverteu minhas expectativas, quando ao invés da Reeva e das Frost tentarem algo vilanesco para salvar a vida da Polaris – como a própria mutante esperava – elas se reuniram para mostrar o Sonho Mutante delas para Lorna. Isso só ajuda a construir a ideia de que a única coisa diferente entre os dois grupos são o limite moral entre eles, o objetivo final é o mesmo.

Também é interessante ver que a série realmente investiu na gravidez de Lorna. Como fã de série de ficção dramática, estava esperando que em algum momento a mutante acabasse perdendo sua filha, o que seria uma boa justificativa para que Polaris ficasse mais sombria e violenta.

É muito raro que uma série de ficção trabalhe com temas como maternidade, sem que isso seja usado como um efeito narrativo para trazer mais drama e tragédia. Claro, ainda existem mil maneiras de fazer isso com a pequena Dawn (Aurora em português, um nome que Lorna e Marcos já haviam cogitado para a criança e que, claro, faz referência ao tema dessa temporada, Dawn of the Mutant Age, a Aurora da Era Mutante), mas é bem bacana ver que, pela primeira vez na história, estamos vendo esse tema sendo trabalhado em alguma adaptação dos X-Men.

Outro ponto bastante positivo nesse retorno, foi vermos o quão fodona a Caitlin realmente pode ser. Se na primeira temporada já tínhamos mostra disso – inclusive na parceria dela com o Marcos – esse primeiro episódio levou tudo ao extremo, deixando ela verdadeiramente perigosa, sendo mais feroz do que o próprio Eclipse no confronto contra o mutante Wired e não parando nem mesmo quando levou um tiro.

Tudo isso só serve pra mostrar o quanto Cait está cansada. Cansada de seguir em frente como se nada tivesse acontecido, cansada de ficar sem notícias do seu filho, sem nem ao menos saber se ele continua vivo, cansada de ver todo mundo vivendo sua vida sem fazer nada para resolver isso. Claro, ela está errada ao achar que Andy foi levado contra a sua vontade pro Círculo do Inferno, mas não muda o fato de que tudo aquilo é o que uma mãe faria para encontrar e proteger sua cria.

Falando em termos técnicos – como se eu realmente fosse especialista no assunto – fica claro que a série não só conseguiu um orçamento maior, como se deu conta de que alguns efeitos práticos são mais baratos e mais interessantes que o puro CGI. A maquiagem dos personagens também melhorou bastante, ainda que isso não chegasse a ser um problema antes.

Outra coisa que melhorou foi a atuação dos atores, que deu uma bela evoluída – e podemos ver isso especialmente quando prestamos atenção na Blink, a atriz parece mais confortável como a personagem e, como resultado, a personagem parece bem mais orgânica e menos forçada.

Os momentos mais descontraídos foram bem-vindos e leves, já que não tiraram o foco do parto poderoso da Polaris, mas também garantiram que tivéssemos alguns momentos de alívio e relaxamento ao longo desses quarenta e poucos minutos de episódio.

Em resumo, foi uma ótima maneira de retornar com a série. Focar o episódio no drama dessa grande família mutante, ao invés de fazer todo um episódio sobre a caça feita pelos humanos e a guerra que deve chegar, foi uma escolha sábia. Claro, ação é algo importante quando falamos de uma adaptação dos X-Men, mas mais do que isso, as histórias deles sempre foi mais focada no emocional do que só na pancadaria.

Trazer essa base logo no primeiro episódio, mostrando onde cada personagem está – no sentido emocional, nas suas relações com as outras pessoas – vai ajudar a explorar melhor as consequências que devem acontecer nessa temporada, sem que as coisas parecem forçadas ou sem sentido. É melhor ir com calma e vermos tudo construir de uma forma natural e coerente, do que forçar uma pancadaria sem sentido só pra gastar o orçamento e agradar alguns fãs.

Estão animados para o próximo episódio? Comentem!

Confira abaixo nossa galeria sobre a série:

The Gifted vai ao ar às terças-feira. Não deixe de conferir nossa review! 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"