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Supergirl: 4×03-04 – Coitado do psicopata americano!

Por Chris Rantin

Uma das frases mais conhecidas dos quadrinhos é Só é preciso um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático, a frase é do Coringa em Piada Mortal, a HQ que tenta humanizar um pouco o vilão, fazendo com que o público conheça outro aspecto do palhaço psicótico.

É sempre bom quando uma série tenta aprofundar seus vilões, sem deixar eles descartáveis ou rasos (no maior estilo sou mau porque sou mau). Mas existe um outro problema quando você humaniza um vilão cedo demais, e é justamente esse o problema que o terceiro episódio desta temporada de Supergirl cometeu.

Ao focar a história totalmente no Agente da Liberdade, o vilão psicopata que deseja matar todos os alienígenas do mundo, a série seguiu um caminho bastante ousado, fazendo com que a própria Kara Danvers acabasse no papel de coadjuvante, enquanto o vilão assumia as rédeas como protagonista.

Assim, conhecemos a história de Ben Lockwood, algo que começa ainda na primeira temporada da série, e vamos vendo o que o fez se tornar esse vilão tão perigoso que fomenta o ódio e o preconceito nas pessoas comuns.

Foi muito bom vermos que a história dele está diretamente ligada com a própria série – sofrendo com os acontecimentos que já vimos acontecer, com a série finalmente mostrando como os humanos comuns são impactados por tudo aquilo. Também vimos que no começo, ele ainda seguia os valores defendidos por Supergirl, ficando até mesmo contra seu pai para proteger alienígenas.

Mas no fim das contas, o resto só ficou estranho. Ao não trazer tanto peso as ações do Agente da Liberdade, é como se a série estivesse apresentando desculpas para justificar as mortes que ele causou. É quase como se fosse um “coitadinho do psicopata americano, ele só é assim porque perdeu o emprego e a casa.”

Apresentar suas motivações é algo importante, e dá pra entender que tudo que a série desejava era mostrar que ele não passa de um cidadão comum, alguém que foi se tornando cada vez mais preconceituoso por causa das coisas que aconteceram em sua vida – isso traça um paralelo com o plano do vilão que, no fim das contas, tem como principal objetivo espalhar seu ódio e preconceito para outras pessoas comuns, estimulando elas a agredirem e talvez até matar os alienígenas.  

Mas, como disse antes, a humanização de Ben acabou aparecendo cedo demais e, principalmente, sendo executada de uma forma que quase faz com que sintamos pena dele, justamente por darem pouca atenção (e peso) para as mortes que ele causou. Funcionaria melhor se isso acontecesse antes da derrota do vilão.

Contudo, a trama do Agente da Liberdade não foi a única trama do terceiro episódio, também vimos Supergirl quase morrendo por causa da  Kryptonita espalhada na atmosfera da Terra, o que faz com que Lena Luthor tivesse que emprestar um aparato tecnológico que é basicamente uma armadura para a Supergirl.

De qualquer forma, o traje é basicamente para filtrar o ar e manter Kara viva, o que faz com que, mais uma vez, ela acabe sendo quase que a figurante do quarto episódio, que é muito mais focado em Alex tendo que lidar com a pressão do seu novo cargo, e em J’onn tendo que conciliar suas emoções mais violentas.

A ausência de Kara no episódio, que só aparece em momentos bem pontuais, não chega a atrapalhar a narrativa, no entanto, fica bem natural o foco nos outros personagens, já que a série criou uma justificativa para isso.

Desde que foi promovida como líder do DEO, vimos Alex tendo que lidar com situações que fogem do seu controle e que pesam muito em seus ombros, já que agora ela não é apenas uma agente de campo, mas alguém que tem que comandar todas as operações e ser a responsável por tudo que acaba dando errado.

E o peso disso tudo é imenso, especialmente quando ela passa a receber pressão do governo, no mesmo momento em que sua irmã está quase morrendo – outra coisa pela qual ela se culpa, já que foi um dos seus agentes que permitiu a fuga de Mercy e Otis e a dispersão de Kryptonita na atmosfera.

É importante vermos a moça lidando com outra trama que não seja apenas sua vida amorosa – que foi basicamente tudo que escreveram pra ela na terceira temporada – mas o que deixa tudo mais interessante é ver como ela age em relação a isso (buscando o apoio da sua família), e o quanto ela está crescendo nessa jornada.

Outro personagem que teve que crescer muito nesse quarto episódio foi J’onn. Desde o começo da temporada o Caçador de Marte está tentando abandonar a violência e seguir o caminho de seu pai, sendo mais pacifista. O problema é que o herói acabou escolhendo não fazer nada quando Supergirl pediu a sua ajuda, e isso causou uma bola de neve de problemas.

Não dá pra dizer que o dilema entre ser pacifista e agir contra os vilões é algo original, esse é um tema que costuma ser adaptado em várias mídias, mas caso a série realmente invista nisso podemos ter uma jornada muito importante para J’onn, que talvez consiga encontrar uma paz de espírito maior e formas de proteger o mundo que não seja apenas na força bruta (ainda que ela seja necessária em alguns momentos).

Talvez o personagem que melhor ajude a balancear esses momentos de J’onn será Manchester Black. Cheio de raiva e com desejo de vingança – o que é bem compreensível, visto o que fizeram com sua esposa – o novo personagem mostrou uma química muito boa com J’onn e pode ser muito bem trabalhado na série, crescendo com os ensinamentos do Caçador de Marte e mostrando que é preciso agir para mudar o mundo, às vezes de maneiras que Supergirl não poderia fazer. Tudo bem que nos quadrinhos ele é apenas um anti-herói/vilão, mas pela introdução que ele teve na série, talvez vejamos um lado diferente do personagem.

Antes de terminar essa review eu não poderia deixar de citar Nia Nall. Ainda que tenha aparecido rapidamente no episódio, já tivemos um vislumbre dos seus poderes. A heroína Sonhadora é capaz de ver o futuro em seus sonhos, e mesmo que nem sempre consiga interpretar o que vê com clareza, ela tem uma precisão incrível, vendo coisas que irão acontecer com 100% de chances.

No episódio vimos a jornalista cochilando em sua mesa, e ficando motivada a falar com James e alertá-lo para que ele não aja como o Guardião, já que isso deve trazer grandes consequências negativas. E foi exatamente o que aconteceu, já que ele se tornou um peão na manipulação criada pelo Agente da Liberdade.

Falando sobre os vilões, não dá pra dizer que as mortes de Mercy e Otis foram uma surpresa muito grande. Mesmo acreditando que Mercy teria algum papel na trama de Lena nessa temporada, depois do terceiro episódio ficou claro que o grande vilão desse arco é o Agente e não seus lacaios.

O vilão inclusive acaba seguindo mais ou menos aquilo proposto em V de Vingança (ainda que totalmente ao contrário), explicando que a razão para ele usar a máscara é para mostrar que ele é importante, que poderia ser qualquer um no lugar dele, que ele é uma ideia, uma fagulha que acendeu a chama.

Eu realmente espero que a temporada seja dividida em dois arcos e que a Supergirl Russa não surja no meio dessa trama. Se dividir tudo certinho, a temporada não fica arrastada no meio e corrida no fim, a história é bem trabalhada e todo mundo sai ganhando.

Mas o que vocês acharam dos episódios? Comentem!

Na galeria abaixo, fique com mais episódios da série:

Supergirl vai ao ar aos domingos, no CW.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"