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Supergirl: 4×02 – O medo é a arma do inimigo!

Por Cristiano Rantin

Essa nova temporada de Supergirl continua mostrando ao que veio, colocando o dedo na ferida e militando abertamente contra o ódio e o preconceito contra as diferenças, utilizando os aliens como uma metáfora para isso. Dá um baita orgulho ver uma série que faz isso em tempos tão sombrios como esses que estamos vivendo, mas ainda dói um pouquinho ver isso acontecendo sendo minoria – e odiado por isso.

Lá na review da semana passada eu já havia falado sobre essa relação entre grupos minoritários e os alienígenas da série – e convenhamos, não é preciso se esforçar muito para entender isso -, então não vou me alongar muito nesse assunto. Mas, se na outra semana o episódio foi focado no preconceito e no choque de Kara ao descobrir que ainda existia tanto ódio em seu país, essa semana vimos as armas do seus inimigos e como ela pretende lutar contra isso.

Era de se esperar que, depois de exporem a Presidenta dos Estados Unidos como alien, os vilões da temporada iriam continuar semeando o medo e a ignorância, fazendo com que as pessoas realmente passassem a enxergar os alienígenas como uma ameaça que precisa ser combatida com todas as suas forças. Pois essa é a arma da covardia e dos que manipulam as massas, é através disso que eles crescem.

No entanto, isso é um contraponto direto à própria Supergirl cujo símbolo é a esperança e justiça. Assim sendo, vimos a Garota de Aço lutando contra seus inimigos – que aumentaram de número de forma considerável, já que boa parte da América está acreditando que alien bom é alien morto – não com seus punhos, pois ela não pode socar todo mundo e nem é assim que ela age na série, mas sim com suas palavras. Ela tenta ser um farol de luz e esperança nesse mar revolto, caótico e escuro. Mas será mesmo que ela vai conseguir?

Assistindo o episódio fica a sensação de que, no fim das contas, boa parte das pessoas que estão querendo a morte dos alienígenas não é de fato má. Eles só estão sendo envenenados com mais ódio e medo, fazendo com que todas as suas inseguranças, medos e ignorância seja metamorfoseada em outra coisa. Claro, não dá pra dizer que todos são inocentes, porque eles não são, mas no fim das contas eles estão sendo manipulados para isso. No fim das contas eles são burros, estão assustados e vão se apegar a qualquer coisa.

O mais interessante disso é que essa narrativa faz sentido. Não é a primeira vez que vemos isso acontecendo – dessa mesma maneira – em outras obras de ficção e na própria história. O discurso inflamado do Agente da Liberdade no final do episódio me lembrou muito toda a conversa de Amon logo na primeira temporada de A Lenda de Korra, assim como as palestras dos vilões de X-Men (que também discursaram espalhando o ódio e o medo em The Gifted). Essa é a arma deles, é assim que eles conseguem poder: se aproveitando do medo e ignorância do povo.

E no meio disso tudo fica cada vez mais claro qual o papel que a imprensa precisa ter. Como pontuado pela maravilhosa Nia Nal, que já conquistou meu coração se colocando na linha de frente contra agressores para proteger o que realmente importa e sendo um cristalzinho fofo que merece ser protegido, é preciso se posicionar e lutar pelo que importa. “Quando inocentes estão sendo atacado a questão não é sobre imparcialidade, é sobre justiça.” Cat Grant deve estar se revirando na cova dos personagens que não estão mais na série, pois eu aposto que no primeiro atentado ela já estaria fazendo um pronunciamento caloroso sobre amor, respeito e união. O império de comunicações dela foi construído dessa forma, e sempre se apresentou como uma voz da razão na série, e agora vem o desperdício de cachê não querendo se posicionar. VOLTA LOGO CAT GRANT!

Lena Luthor é outra personagem que precisa ser elogiada nessa review. Depois de ser injustiçada e ser desenvolvida de forma porca na reta final da terceira temporada, Lena voltou com sua personalidade maravilhosa, sua amizade com a Kara e até mesmo o que parece ser o começo da relação que ela tinha com a Supergirl. Foi muito bom ver impedindo Kara de fugir para se trocar, se recusando a separar o grupo delas e assumindo uma postura bastante protetora. Também foi ótimo ver ela batendo de frente com a Mercy, não só pelo embate físico, mas também pelo ideológico. Ainda que defenda que os humanos evoluam e fiquem mais fortes, ela não quer matar alienígenas – reforçando que os Luthors não merecem a Lena.

E aproveitando que estamos falando da Mercy, ainda que eu goste muito da atriz, a direção que deram para ela me incomoda um pouco. A atuação dela está extremamente exagerada, de uma maneira que tanto sua forma de falar quanto a de andar chega a ser meio cômica e forçada. Espero que, caso ela continue na temporada, isso melhore.

Nesse episódio também vimos um pouco mais da postura de Alex Danvers no comando do DEO e da nova jornada de J’onn. Eu não quero parecer reclamão, mas eu realmente estou incomodado com isso. Ainda acho que Alex é muito boa no comando, mas foi uma puta decisão burra deixar um lacaio vigiando dois terroristas perigosos, ainda mais sabendo o momento de tensão que o mundo está vivendo – especialmente depois de ter separado uma briga por causa disso. Eu espero que J’onn comece a agir logo, ou ele pode acabar sendo a próxima vítima do Agente da Liberdade se continuar ficando longe da luta.

Uma outra coisa que achei fofinha foi ver o Brainy tendo um bom momento com a Alex e ficando confuso depois de conhecer Nia Nal. Sabemos que a moça vai ser uma heroína nessa temporada e, por ser do futuro, Brainy pode ter informações importantes sobre o destino da garota, mas vocês também ficaram com a impressão de que pode haver algo mais ali? Talvez até um romance…

Na semana passada eu acabei não comentando sobre a Outra Supergirl, algo que algumas pessoas mencionaram nos comentários. O meu sonho seria ver essa temporada dividida em arcos. Metade dela ser focada no Agente da Liberdade e no ódio/preconceito e a outra exclusivamente dedicada à Garota de Aço Russa. Isso seria uma boa forma de trabalhar as tramas sem atropelo, mas também sem deixar tudo arrastado e chato.

Como vocês acham que a nossa heroína vai conseguir vencer o medo e o ódio de uma nação inteira? Estão gostando desse começo de temporada? Comentem!

Abaixo, confiram a nossa galeria sobre a série:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação Social pela UEL • Twitter: @ChrisRantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"