Capa da Publicação

Supergirl: 4×01 – Como você luta contra o preconceito?

Por Cristiano Rantin

Como muitos de vocês sabem, a terceira temporada de Supergirl me deixou bastante dividido. Em muitos momentos a série seguiu por uma direção duvidosa, que mais machucou a série – e os seus personagens – do que ajudou. No fim, a temporada até que conseguiu se salvar, mas ficamos com um gostinho meio amargo na boca.

Depois disso tudo, eu realmente não estava muito animado com a chegada da quarta temporada, mas felizmente a série retornou com um primeiro episódio MUITO PROMISSOR.

O que fazia com que Supergirl se destacasse entre as outras séries de super-heróis da CW eram seus discursos bem didáticos e militantes. A série sempre se colocou como um canal bastante ativo em favor das minorias, combatendo o preconceito e até mesmo falando sobre os absurdos do governo do mundo real – às vezes usando metáforas, outras vezes mandando indiretas tão grandes que qualquer um poderia entender.

Agora, a quarta temporada finalmente voltou a fazer isso, sim, pois isso ficou meio de lado com a terceira temporada. Neste ano o grande vilão da temporada são “pessoas do bem” que odeiam alienígenas e querem simplesmente matá-los. Sim, de forma gratuita e sem nenhum motivo além do fato de que eles são alienígenas.

Não é preciso pensar muito para entender como que, nesse contexto, os alienígenas representam muito bem qualquer grupo minoritário que é, constantemente, marginalizado e alvo de preconceito e violência.

A grande questão desse piloto – e que deve ser levada para o resto da temporada – é: Como Supergirl pode lutar contra as pessoas comuns que ela salva no dia-a-dia?

É justamente essa a pergunta que a heroína se faz ao longo do episódio. Pois dessa vez não se trata de vilões poderosos com roupas fantasiosas e planos de dominação mundial, ou coisa do tipo. Dessa vez temos pessoas que se auto-proclamam como “cidadãos de bem” e que se acham no direito de matar os alienígenas – que são visto como errados, inferiores ou nojentos.

Isso quer dizer que o grande vilão dessa temporada é o preconceito. E, infelizmente, isso não é algo que a Supergirl possa socar e resolver o dia apenas com uma boa briga. É preciso mais do que apenas violência para resolver isso e, no fim das contas, não existe muito o que se pode fazer para mudar tudo rapidamente.

É interessante ver a personagem tendo que lidar com isso, pois realmente não é como se ela pudesse prender todas as pessoas que estavam naqueles grupos de ódio da Mercy e do Otis Graves. Mais do que isso, pra cada pessoa que estava tendo acesso aquele grupo, pedindo dicas para construir bombas e falando sobre como matar alienígenas, existem centenas de outras pessoas fora da internet. Como você para uma onda de ódio tão grande?

É por isso que é bastante compreensível ver a recusa de Supergirl em acreditar que isso realmente está acontecendo. Pois isso significa ter toda essa esperança de que o mundo realmente estava se tornando um lugar melhor sendo despedaçada. E quando isso acontece é algo devastador e doloroso.

“Pensar que há tanta raiva lá fora… É algo que eu não queria acreditar que fosse verdade. Pensei que esse país, que nós tínhamos melhorado. A ideia de ter que lutar contra algo tão vasto, tentar unir um mundo tão dividido, é… esmagadora.”

Vai ser interessante ver como Kara vai conseguir lutar contra isso, afinal, como disse anteriormente, não tem como ela agir com força bruta nessa situação. O que ela pode (e talvez deva fazer) é agir como um farol de esperança, amor e justiça, sendo mais uma figura política do que uma heroína no sentido clássico da palavra.

Parte da razão para Supergirl ter conseguido ficar por tanto tempo nessa “bolha cor de rosa” de que estamos em um mundo melhor é por causa dos seus privilégios. No fim das contas a moça não sofre o mesmo preconceito que muitos outros alienígenas sofrem. Como o próprio J’onn J’onz disse: “Boa parte da razão para eles te considerarem uma heroína é porque você se parece com uma humana.” E é isso mesmo. Nem todo mundo tem esses mesmos privilégios, o que significa que eles acabam sofrendo uma dose ainda maior de ódio e preconceito – especialmente aqueles que não querem se esconder ou disfarçar aquilo que os torna diferentes.

Fica então a pergunta: Será que o mundo seria tão receptivo e amoroso com Supergirl se ela tivesse uma aparência horrível – ou mais traços alienígenas? É pouco provável que ela recebesse o mesmo tratamento da mídia, das pessoas e das autoridades. Talvez vejamos isso sendo explorado na série, já que finalmente descobriram que a Presidenta dos Estados Unidos é uma alienígena disfarçada – e que ela é bem horripilante.

Essa quarta temporada deve abordar mais dessas “Pessoas de Bem” que matam e torturam o que é diferente, sem nem ao menos sentir um peso de remorso. Para quem é de um grupo minoritário, isso pode ser um tanto difícil de se assistir – ainda mais levando em conta acontecimentos recentes. É impossível não se identificar com o que está acontecendo, ou não ficar um pouco revoltado e triste.

Para quem é diferente, como é caso dos alienígenas da série, as coisas podem parecer bem difíceis mesmo. A ideia de que um batalhão de pessoas te odeia apenas por você ser quem você é – de uma forma que não machuca ninguém e em algo que não foi sua escolha – é aterrorizante. O fato de que essas pessoas podem se esconder na casa ao lado também assusta muito.

E nesse mundo que está longe de ser perfeito, é fácil perder a esperança ou sentir que a luta para sobreviver essas ondas de ódio é esmagadora. Mas no fim das contas, não existe outra solução além de ficar de pé e continuar lutando. E eu aposto que é isso que a Supergirl e os outros aliens da série irão fazer. Nessa situação, viver tentando levar esperança, amor, otimismo e justiça para o mundo já é uma forma incrível de lutar.

Então lutamos e sobrevivemos, torcendo para que o mundo fique melhor, fazendo a nossa parte para que ele continue mudando pra melhor.

Foi uma excelente maneira de começar essa temporada e eu gostei bastante do potencial que foi mostrado. Se a série for bem trabalhada – e não acabar dando uma desandada no meio, ela tem grandes chances de se tornar a melhor temporada da série.

Alguns pontos rápido que precisam ser mencionados desse piloto: Amei vendo a Kara se tornando mais parecida como Cat Grant, é quase como se um ciclo estivesse se finalizando e isso só mostra o crescimento da personagem. Ainda estou meio receoso com o novo caminho seguido por J’onn, mas estou amando muito o novo visual e cargo de Alex – mas sem o menor saco para o Winn 2.0 que é Brainy.

Gostei especialmente do que Lena Luthor fez para salvar James. Aquilo foi muito Luthor da parte dela, manipulando sua mãe e fazendo coisas moralmente questionáveis para conseguir o que queria, mas foi totalmente Lena por ser algo feito pelo amor. No entanto, eu realmente espero que isso seja o que vai destruir essa casal forçado e sem sal e que, finalmente, nós possamos ter Lena livre de um romance escroto e fodona novamente.

Também vimos um pouquinho do Agente da Liberdade que deve acabar sendo o principal antagonista dessa temporada, personificando todo o preconceito e ódio que serão temas da série.

O que vocês acharam do episódio? O que esperam dessa nova temporada? Comentem!

Não deixem de conferir nossa galeria sobre a série:

Supergirl vai ao ar todo domingo pela CW, não deixe de conferir nossa review sobre o episódio aqui no site!

Imagem de perfil
sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"