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Supergirl: 3×11 – Esquadrão Regicida!

Por Cristiano Rantin

Vamos começar essa review com uma constatação importante: Supergirl precisa de mais amigas. Veja bem, eu não disse Kara Danvers, eu disse Supergirl. Kara possui Lena, Sam, Alex e muita gente bacana que pode ajudar sua vida mundana ou dar apoio pra ela em momentos difíceis, já a Supergirl… Bem, ela precisou se aliar com as vilãs né? Acho que isso já diz muito sobre as necessidades da heroína.

Para derrotar Reino (sim, depois de 11 episódios o nosso querido Vinha me deu um toque de que o nome da Reign, aqui no Brasil não é Régia, mas sim Reino. Ainda acho o primeiro mais interessante que o segundo, mas né, pra deixar as coisas certas chamaremos a vilã de Reino.) Supergirl viu que precisava de informações e, para isso, precisava falar com uma sacerdotisa encarcerada no Fort Rozz, sabe, aquele lugar de onde saiam os vilões semanais da primeira temporada. Lugar esse que a moça jogou no espaço no final da temporada.

Por algum milagre, a estrutura não só se manteve inteira, como fez com que seus prisioneiros remanescentes continuassem vivos – mesmo sem muita comida ou água. Bem, parte dos prisioneiros, afinal a região onde eles se encontravam era letal para os homens.

É bizarro como os mocinhos deram zero fodas sobre né, resgatar esses criminosos que ESTAVAM PRA MORRER. Claro, eles fizeram por merecer a estadia deles ali, mas isso não significa que eles deveriam sofrer uma morte lenta por envenenamento da estrela, falta de água ou comida. Especialmente nessa temporada que temos Reino matando todos os criminosos, sendo criticada pela cidade e por Kara por fazer isso. Quando paramos para pensar, ao menos os Reino mata rapidamente, sem torturar eles com esse sofrimento. Pior que isso, Supergirl não fez o menor esforço para resgatar os criminosos dali e pelo menos tentar fazer com que eles tivessem um encarceramento mais seguro.

O foco era a missão, claro, e pra isso ela achou de bom tom chamar Curto-Circuito, a vilã com poderes elétricos que já tentou matar Cat Grant e a própria Supergirl, mas que estava numa posição mais confortável já que a própria Kara deixou ela escapar no último conflito que tiveram, e Psi, a moça capaz de projetar os piores medos na mente de seus inimigos. A única outra heroína no grupo era Satúrnia, a esposa do Mon-El que é incrivelmente fofa mas que até agora teve apenas umas 5 falas em toda a temporada.

Foi impossível não ter a mesma reação da Curto-Circuito quando ela foi “recrutada”. Eu também comecei a rir por todo o absurdo da situação. É claro, as duas tinham uma inimiga em comum e Lesli viu amigos morrerem pelas mãos da Reino, ainda assim, não é um pouco bizarro que a primeira escolha da Supergirl tenha sido alguém que tentou assassiná-la?  É por isso que digo que a heroína precisa de mais amigas.

Importante perguntar: Onde diabos estava a namorada do Winn que queria ser uma heroína? Ela era alienígena, tinha experiência em combate, era super forte e ainda queria fazer o bem, inclusive no martírio que foi o arco do Guardião da segunda temporada, vimos ela surtando por querer fazer parte daquele time. Ela com toda certeza seria uma escolha melhor do que assassinas em potencial. Mas né, quem sou eu pra julgar as escolhas de Supergirl, especialmente se ela achou de bom tom ficar cercada por vilãs enquanto não possuia seus poderes…

Assim, com escolhas questionáveis ou não, Kara reuniu seu próprio esquadrão suicida (ou Regicida, nesse caso, já que elas pretendem derrotar a Reino) e partiu para o espaço em busca de respostas.

Como era de se esperar, isso não seria uma tarefa fácil. Logo que desembarcam na prisão, as quatro são atacadas por uma alienígena figurante qualquer, que com uma simples barra de ferro consegue derrubar todas as suas inimigas – acertando inclusive um grande golpe na cabeça de Psi, que enquanto se recuperava acabou disparando uma rajada de medo em Satúrnia.

Achei que naquele momento iriam revelar os poderes telepáticos da moça, mas pelo visto eles decidiram transformar suas habilidades mentais em (apenas) telecinese. De qualquer forma, vimos ela se encolhendo sob o poder de Psi, sem que seu maior medo fosse revelado, no entanto. Eu realmente espero que não façam algo clichê para colocar mulher brigando com mulher por causa de macho, pois se fizerem o maior medo dela ser a Supergirl voltando a ficar com o Mon-El, eu realmente vou ficar irritado.

Seria interessante ser algo mais profundo – e que fosse explorado mais adiantes – pois Imra é extremamente fofa e merece mais destaque. Eu realmente queria ver ela se aproximando de Kara e sendo uma grande amiga pra ela, deixando toda essa coisa de “você se casou com o meu ex-namorado babaca que eu mandei pro espaço depois que a mãe dele tentou me matar” no passado. Afinal, ninguém tem culpa dessa situação, nem mesmo o Mon-El.

Depois desse primeiro ataque, quem salva o dia é ninguém menos que Curto-Circuito que consegue capturar a figurante. Depois de um rápido interrogamento, a equipe se divide. Psi e Satúrnia ficam na nave tentando impedir todo mundo da morte certa – porque é claro que uma situação de vida ou morte iria acontecer, e todo mundo estava sendo sugado para a estrela mortal; Enquanto uma Kara sem poderes e Curto-Circuito partem em direção da sacerdotisa. Para complicar ainda mais a situação, Reino fica sabendo do que elas planejam e parte na sua nave para impedir isso.

Ai temos alguns momentos bem interessantes. Vemos uma conversa bastante sincera entre Kara e Leslie, onde as duas realmente parecem amigas. Além de falar a verdade sobre Satúrnia, Kara deixa claro que vai tentar encontrar uma maneira de apelar pro lado humano de Reino e não encontrar uma forma de matá-la, da mesma forma que ela fez com a Curto-Circuito.

Quando paramos para pensar, desde a primeira vez que a vilã elétrica apareceu, estamos vendo sua evolução. Antes ela era extremamente violenta no seu ódio contra Kara, depois se aliou com a Banshee Prateada pra tentar matar a Cat Grant e então ela foi sequestrada e torturada por pessoas que queriam roubar seus poderes. Depois de ser salva por Kara, lutando lado a lado com ela e depois tendo uma chance de fugir, vemos que todo aquele ódio (e inveja) havia passado.

As duas podem não ser Melhores Amigas, mas mesmo com suas diferenças vemos que Leslie não despreza Kara – ou quer matá-la a todo custo. Em momento algum, nem mesmo quando sua “grande inimiga” está sem poderes (e sozinha no espaço) ela pensa em atacá-la. E isso não é auto-preservação ou medo de represália, é a evolução da personagem. A Curto-Circuito que conhecemos no começo da série não é mais a mesma, ela cresceu.

Diferentemente do filme Esquadrão Suicida não vemos Leslie fazendo discursinho de “Somos uma família” ou tratando Kara como se elas fossem irmãs. Ela não quer matar a Supergirl e as duas estão com uma relação de amizade e isso é tudo, nada de forçar a barra ali (como aconteceu no filme).

Assim, Kara finalmente encontra a sacerdotisa que fala muita coisa inútil, mas também revela que existem outros Arrasa-Mundos que serão liderados pela Reino. Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ela é morta pela vilã, que não viu muita utilidade em ter outra “guia”. Começa então uma luta entre Reino e Curto-Circuito, sim pois Supergirl já quase morreu em uma luta contra a moça, agora que está sem poderes ela obviamente não duraria dois tapas, por isso cabe a ex-vilã tentar salvar o dia.

Quando as coisas parecem difíceis e Reino está pronta para matar Leslie, Supergirl intervém, apenas para ser lançada pra longe, fazendo com que Curto-Circuito diga “Você precisa parar de atacar meus amigos”. E é isso, ali temos a confirmação de toda a mudança da personagem.

Mudança essa que é finalizada com Leslie se jogando na frente de um disparo mortal da Reino para proteger a Supergirl. Sei que pra algumas pessoas isso pode parecer forçado, mas eu definitivamente não vejo isso dessa forma. Ao invés daquele “Nós somos uma família” que foi o sacrifício do Diablo de Esquadrão Suicida, o que Leslie faz é proteger Kara, aquela que, mesmo depois de todas as coisas que ruins que Leslie havia feito, escolheu acreditar na humanidade e potencial dela.

Ela não se joga na frente do disparo por nenhum outro motivo além de proteger a esperança de que o mundo seja um lugar melhor, algo pelo qual Supergirl trabalha. Tudo é muito impactante, mas ainda preferia que ela não tivesse que morrer.

O dia é salvo de forma surpreendente por Psi que chega ali para mostrar o maior medo da Reino, que, é claro, é perder a Ruby. Como a própria vilã havia admitido, Sam ainda é forte, não foi uma personalidade que se apagou quando Reino despertou, mas sim alguém que continua viva. E é alguém que finalmente começou a questionar o que acontece com ela mesma.

Diferente de Supergirl que consegue controlar bem sua agenda e equilibrar vida pessoal e vida heróica, Reino não faz isso, ela não dá a mínima para as questões mundanas de Sam, o que significa que uma hora ou outra alguém ia notar que a moça não estava trabalhando nem cumprindo com suas obrigações.

Foi o que aconteceu, agora só nos resta torcer para que essa revelação leve Sam para um caminho de consciência – e que ela consiga não só entender que também é a Reino, como fazer a redenção que eu espero que aconteça.  

Em resumo foi um bom episódio, ainda que tenha escolhas questionáveis por parte da Supergirl. Ainda acho o sacrifício da Leslie desnecessário, mas fico feliz que não tenha sido algo tosco como vimos em Esquadrão Suicida, afinal aquilo era condizente para com a evolução da personagem (e algo que aconteceu ao longo de três temporadas, e não apenas algumas horas, como foi no filme).

Mas o que vocês acharam? Comentem!

Confira abaixo o teaser do próximo episódio e a nossa galeria de Supergirl:

Supergirl vai ao ar todas as segundas, na CW. A Review dos episódios sai toda quarta-feira aqui na LH.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"