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Star Wars – Porque os quadrinhos da franquia merecem sua atenção!

Por Felipe Vinha

Sempre que um filme novo de Star Wars estreia, muitas perguntas pairam no ar. Afinal, em pouco menos de duas horas – ou um pouco mais em alguns casos – nem sempre é possível responder todas as questões da trama. Já é comum que a série deixe conteúdo para ser explorado em seu famoso Universo Expandido, e os quadrinhos deste segmento ganham cada vez mais força.

É curioso notar que, mesmo em um mundo cada vez mais nerd, a mídia em quadrinhos ainda é, de certa forma, marginalizada, talvez pelos gastos excessivos que ela possa trazer ao longo de um mês ou pela cronologia pesada que editoras como Marvel e DC carregam em suas páginas. É mais fácil consumir um seriado ou um filme dos heróis para conhecer suas histórias.

Mas, no caso de Star Wars, o consumo não é apenas mais fácil, é também mais proveitoso, já que as publicações servem como complemento ao que vemos na telona, e não o contrário.

Guerra nas estrelas e nas bancas de jornais

Há alguns anos, ter gibi de Star Wars no Brasil era motivo de comemoração, já que não era nada comum. A Editora Abril chegou a publicar a antiga fase da Marvel dentro de suas próprias revistas, como O Incrível Hulk (pois é), no início dos anos 80. Naquela época, os direitos eram da Marvel Comics norte-americana – como são novamente hoje em dia, aliás.

Depois disso, só víamos Star Wars nas bancas vez ou outra, como a adaptação da saga “Herdeiro do Império” em quadrinhos, que se originou nos livros, ou os infames “gibis piratas” da finada editora Pandora Books. Foi somente em 2005, após enorme hiato, que tivemos o retorno triunfal da saga às bancas, pela Editora Ediouro — pena que durou apenas 12 edições.

Entre 2006 e 2007, a obscura On-Line Editora resolveu relançar a saga em bancas, e obteve enorme sucesso na empreitada, já que a publicação Star Wars durou 30 e poucas edições, ainda que tenha sido cancelada sem alarde ou explicações adicionais, mesmo depois de tanto tempo.

É claro que, com a venda da marca para a Disney, e com a Marvel fazendo parte da casa, era questão de tempo para que Star Wars voltasse às bancas brasileiras, agora pelas mãos da Panini, com, pelo menos, três revistas mensais iniciais e alguns especiais esporádicos. Paralelamente, a Editora Planeta DeAgostini lançou ainda uma coleção de 70 volumes encadernados, apenas com as melhores histórias da saga, em seu antigo cânone.

Leitores: a Aliança Rebelde precisa de vocês!

Nota-se que, apesar de ter sumido das bancas por muitos anos, Star Wars voltou a ganhar força em quadrinhos no Brasil, pouco depois do início do novo milênio. Mas, ainda assim, você não vê o público comentando ou comprando em massa. É passível afirmar que as edições vendem, afinal a Panini não jogaria dinheiro no lixo, mas será que vendem tanto?

O detalhe mais importante é que os quadrinhos são muito bons mesmo, em sua maioria. Por ser fã, sou suspeito para falar, mas as histórias exploram com sabedoria o que pode ser feito fora dos filmes, seja com os personagens clássicos ou figuras inéditas, criadas exclusivamente para o gibi.

Foi aqui que tudo começou

Em uma das histórias da antiga revista Star Wars Legends, por exemplo, vemos uma Princesa Leia com a missão de encontrar um novo lar para a Aliança Rebelde, após a destruição da primeira Estrela da Morte. A jovem senadora chega a comandar um esquadrão X-Wing, somente com pilotos secretos, dada a desconfiança de um espião em suas fileiras.

Já em Star Wars Darth Vader, vemos o grande vilão da trilogia clássica agir pelas costas do Imperador, recuperando o exército de dróides abandonado em Geonosis (lembra do Episódio 2?) para lidar com uma ameaça que pode ruir seus planos de conter os Rebeldes e de confrontar seu inimigo, Luke Skywalker.

Em exemplo ainda mais recente, a Marvel está para lançar, nos EUA, uma mini-série que vai tratar de contar a origem da base rebelde no planeta Crait, que serviu como palco de uma das principais sequências vistas em Star Wars: Os Últimos Jedi, filme mais recente da saga.

Crait, palco de Os Últimos Jedi, terá detalhes contados nos quadrinhos

Alguns dos roteiristas que trabalharam nestas publicações são Jason Aaron, Kieron Gillen e Mark Waid, responsáveis por histórias memoráveis dos X-Men, Quarteto Fantástico e Vingadores. As artes ficam por conta de nomes como Mike Deodato Jr. (Vingadores), Adriana Melo (Doctor Who) John Cassaday (X-Men), Leinil Francis Yu (Superman: Birthright) e Simone Bianchi (Batman), só para citar os nomes mais famosos.

E por aí vai! São muitos os exemplos de boas histórias, com excelente narrativa, bem escritas, e normalmente com bons traços. Isso sem falar no espaço que esta mídia dá para personagens que, em muitos casos, não têm o devido destaque nos filmes.

Ninguém é obrigado a gostar de quadrinhos e, com este texto, não quero te forçar a ler as revistas Star Wars, mas sim fornecer bons argumentos para que dê uma chance. Há todo um universo inexplorado nesta galáxia tão, tão distante.

Afinal, quem foi o Líder Supremo Snoke? E os Cavaleiros de Ren? Como Thrawn voltou ao cânone de Star Wars? De onde surgiu a Resistência dos novos filmes da série? Algumas destas respostas estão também nos quadrinhos, outras ainda não. Se quiser acreditar em mim, dê uma passada nas bancas e folheie uma das mensais ou especiais.Tenho certeza de que não vai se arrepender.

 

E vale o recado de que Star Wars: Os Últimos Jedi ainda está nos cinemas! Veja nossa galeria com artes e fotos do filme:

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sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha