Sobre ser o Cowboy em Red Dead Redemption!

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Sobre ser o Cowboy em Red Dead Redemption!

Por Lucas Rafael

O ano é 2010, o mês é maio e Red Dead Redemption é lançado. A expectativa de muitos estava alinhada em jogar uma espécie de GTA ambientado no faroeste e, embora o título compartilhasse certas semelhanças com seu “primo,” a coisa aqui era um pouco diferente. Red Dead Redemption queria que você sorvesse toda aquela atmosfera western como guardanapo sorve café derramado. Diferente de GTA, onde somos apresentados a figurões de caráter dúbio para fazer com que um simulacro da realidade vire nosso parque de diversões, Red Dead até mantinha intacta a parte do “figurão de caráter dúbio”, no entanto, o principal diferencial aqui era que o jogo não te incentivava a tocar o caos em um mundo parecido com o seu. Na verdade, Red Dead Redemption queria que você fosse um cowboy.

A atmosfera do jogo, composta por visuais, diálogos e trilha-sonora é tão densa que existe o perigo de um coldre com uma pistola se materializar em sua cintura enquanto você joga. Poucos jogos conseguem tornar prazerosa a jogabilidade de montaria, mas Red Dead consegue. Se você experimentar o negócio em HD, perigo até mesmo sentir o aroma do oeste selvagem exalando do seu televisor. Como é bom ser um cowboy fora da lei.

 

Toda vez que eu caminhava pela estrada de Ouro Fino…

Entre tiroteios e jogos de pôquer em saloons, entre corridas de cavalo e caça a animais periculosos selvagens, Red Dead Redemption conquistava o coração do jogador ao oferecer uma simulação intoxicante do Velho Oeste, e talvez esse seja o maior mérito da Rockstar Games aqui.  

De primeira, eu tinha achado o jogo um porre. As missões iniciais de Red Dead Redemption são extirpadas de qualquer ação ou adrenalina, fazendo o jogador realizar tarefas banais e rotineiras de uma fazenda. Isso é o game desarmando suas expectativas, pedindo para que você esqueça a proposta de um GTA e absorva o clima rural idílico do campo. Red Dead Redemption subitamente vira algo próprio e único, transcendendo o rótulo de “GTA no faroeste.”

Como é de praxe com a Rockstar, filmes são a principal inspiração para o tom de seus jogos. Se GTA bebe de fontes como Scarface, Profissão: Ladrão e Fogo Contra Fogo, Red Dead é edificado por obras como a Trilogia dos Dólares, Era uma Vez no Oeste e Meu Ódio será Tua Herança, todos filmes com tramas centradas em personagens estoicos e questionáveis inseridos em um mundo tinindo de oportunidades, onde todos querem garantir a sua parcela de riqueza, não importam os meios. São personagens que riem na cara do governo e escarram no conceito de lei. Aqui, o cavalgar ao pôr do sol é a sua religião, a arma carregada no coldre é a sua bíblia e a obstinação em triunfar é o seu deus. Ser cowboy é intenso.

Existe todo um arco permeando a jornada de John Marston no primeiro Red Dead Redemption. Das escolhas violentas de seu passado o forçarem a permanecer em um presente violento contra sua vontade. Com todo o sangue derramado pelo personagem voltando para afogá-lo. O desfecho é uma tragédia que encoraja vingança, mantendo a tradição de violência intacta naquelas terras inóspitas do Oeste.

Foras da lei, xerifes, dançarinas, banqueiros e toda sorte de gente dá as caras em Red Dead Redemption, estejam elas sentadas ao redor de uma fogueira na noite fria ou trocando tiroteios intensos em cidades rústicas. Todos têm algo em comum: com a promessa de um novo mundo tinindo enquanto os alicerces da América são erguidos, todos eles querem a riqueza. Seja através do comércio de peles, montarias, escavação de ouro, a ambição de todos deslancha em cenários divididos entre beleza natural, tingida de florestas com árvores que farfalham ao vento, montanhas sinuosas acobertando o pôr do sol e planícies áridas refletindo o brilho lunar e cadáveres estirados ao chão, buracos de bala na madeira de saloons servindo como uma cicatriz de homens desvairados em busca de glória. Respire o ar fresco da natureza, mas cuidado para não tomar uma bala na cabeça. Ser cowboy é para os corajosos.  

Dizem que, no mundo real, o velho oeste não era essa coisa toda. Que talvez nenhum dos homens que viveram naquela época estejam à altura de qualquer personagem de Clint Eastwood ou até de John Marston. O ideal do cowboy no limiar da lei em uma terra selvagem é tanto um fruto da cultura popular quanto vampiros espreitando as sombras da Transilvânia. E que bom que existe a ficção para te dar o gostinho de como é ser algo que nunca foi.

Red Dead Redemption faz isso com os sentidos do jogador. Amplifica aquela coisa perigosa e sensual presente em qualquer música do Johnny Cash.

Red Dead Redemption 2 está finalmente entre nós. Ainda não joguei, mas só de ver os trailers já sinto que, pela primeira vez desde maio de 2010, ser o cowboy será melhor do que nunca. 

E você, já vestiu seu chapéu e cavalgou ao pôr do sol dando tiros pra cima com Red Dead Redemption 2?

Confira uma galeria de imagens do jogo:

Red Dead Redemption 2 será lançado no dia 26 de outubro para Playstation 4 e Xbox One.

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais