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Quadrinistas brasileiros fantásticos e onde habitam!

Por Felipe Vinha

Muito se fala sobre apoiar quadrinhos brasileiros e artistas nacionais, mas pouco se faz, de verdade. Ainda estamos longe da realidade de ter um mercado verdadeiramente aquecido, como nos EUA, e isso mal comparando, pois nem lá a coisa anda tão boa para os gibis. Mesmo assim, há iniciativas que favorecem bastante os “autores da casa”, como, por exemplo, os chamados “Beco dos Artistas”, ou “Artists Alley”, dentro de grandes eventos.

Durante a GGRF 2018, no Rio de Janeiro, a Legião dos Heróis pôde conferir, de perto, o Artists Alley recheado de boas novidades, rostos conhecidos e muitos estreantes. Pensando em aumentar a acessibilidade deste tipo de material, conversamos com alguns dos autores presentes, principalmente aqueles que tratavam de temas que possuem mais afinidade com o site, para entender: como um leitor pode apoiá-los, onde buscar seu material e quais são suas principais iniciativas no mercado?

A GGRF 2018 estava lotada de bons quadrinistas

Anderson Awvas, Santtos, Fred Cassar, além da dupla Paulo Crumbim e Cristina Eiko, foram os que abordamos por lá. É claro que, em hipótese alguma, isso quer dizer que os outros artistas que estavam na feira não mereçam sua atenção – pelo contrário, a lista completa de expositores você pode conferir aqui. Porém, como nosso tempo era limitado, tivemos que nos concentrar em captar pequenos exemplos deste mundo vasto, e ainda pouco desbravado, que é o quadrinho nacional.

Awvas e a arte representativa

Anderson Awvas já é velho conhecido de quem frequenta eventos nerds no Rio de Janeiro. O jovem artista chegou a lançar duas coletâneas em quadrinhos – “A Vida de Awvas” e “5 Estágios” –, mas também se especializou em artes mais gerais, principalmente aquelas em que desenha heróis negros da cultura pop, mas sob um aspecto bem brasileiro, além de ter criado uma espécie de universo próprio, com “A Lenda das Guardiãs”, inspirado pelo folclore brasileiro, com bastante representatividade.

Anderson Awvas

“Se a pessoa está procurando por ideias fora da caixa, alguma coisa fora do meio comum, fora da cultura pop e do mainstream americano e europeu, ela pode se interessar pelo meu trabalho, pois falo muito da cultura nacional, de mim, como me tornei brasileiro, gosto de falar do dia-a-dia de outro ângulo”, comentou Anderson, para exemplificar seu trampo.

Você pode acompanhar o trabalho de Awvas em seu site oficial.

A vida pessoal de um casal de artistas

Paulo Crumbim e Cristina Eiko são um casal de desenhistas e roteiristas, que, juntos, lançaram a coletânea “Quadrinhos A2”, que aborda, principalmente, sua vida pessoal, com tons cômicos. Eles estão neste mercado desde 2010 e já angariaram premiações, além de terem sido selecionados para criar a Graphic Novel “Penadinho”, da linha Graphic MSP, inspirado pelo famoso personagem de “A Turma da Mônica”, de Mauricio de Sousa.

Paulo Crumbim e Cristina Eiko

A arte de Cristina Eiko ilustra boa parte de “A2”, com traços leves e com uma pegada mais cômica. “Tenho influências de quadrinistas que começaram publicando online, além de mangás”, disse Eiko, falando conosco. “A ideia de adaptar nossa vida para os quadrinhos veio de um caderno que tínhamos quando trabalhávamos com animação e fazíamos um tipo de charge de rascunho, mas as pessoas queriam ver mais disso e assim começamos o A2”, explicou Crumbim.

Siga a arte de Paulo Crumbim e Cristina Eiko no site do Quadrinhos A2.

O mundo dos games e outras nerdices boas

Fred Cassar estava no GGRF ao lado de seu amigo e co-criador de histórias, Bruno Moraes. Ambos de Niterói, estavam por lá demonstrando suas fanarts, muitas simulando o estilo “pixel art”, além de dois álbuns em quadrinhos – “Nocturne” e “Space Punch”, partes de um mesmo universo compartilhado. A pegada das histórias é voltada para as nerdices clássicas, videogames, heróis, adolescentes, tudo com um traço que lembra bastante as obras de Bryan Lee O’Malley, mas com incrível identidade própria.

Fred Cassar e Bruno Moraes

“Não tenho muitas referências do mercado mainstream, mas sim de pessoas que publicam ‘webcomics’ por paixão. Principalmente a cena gringa de quadrinhos neste estilo. O’Malley foi uma das minhas inspirações. Foi apaixonante quando o conheci e abracei como referência. O começo do meu projeto lembra muito a arte dele, mas, conforme cresci, adotei uma identidade própria”, comentou Cassar.

Confira a arte de Cassar em seu Instagram e a de Bruno em seu DevianArt.

Aventura com gostinho de referências

“Blackout” é uma obra recém-lançada no mercado, criada pelo roteirista Chris Tex. Porém, durante a GGRF 2018, quem demonstrava o quadrinho era seu artista, Santtos, que nos contou um pouco mais do que esperar sobre a história. Se você gosta de um traço que lembra bastante um bom desenho animado, história recheada de referências e cenas de ação verdadeiramente cinéticas, talvez esta seja sua pedida.

Santtos

“A arte tem outras várias influências também, tem muito de Akira, o mangá, e de Moebius [o artista] na nossa história”, apontou Santtos. “Blackout também tem ação, diversão. Não queríamos fazer uma história muito cabeça, pra pensar. Queríamos fazer algo sem compromisso. É basicamente diversão”, complementou.

Veja a arte de Santtos em seu ArtStation.

Estes foram alguns dos artistas brasileiros que estiveram na GGRF 2018! Qual foi seu preferido? Você quer mais matérias sobre quadrinhos nacionais na Legião dos Heróis? Comente aí embaixo!

Fique também com nossa galeria completa das entrevistas, incluindo fotos do quadrinistas e de seus trabalhos que estavam expostos por lá:

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sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha