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Precisamos falar sobre os fãs!

Por Guilherme Souza

Primeiramente, este texto não tem por objetivo falar sobre os fãs do trabalho Legião dos Heróis, mas sim, falar sobre os fãs de cultura Pop em geral, que dedicam suas vidas a acompanhar as notícias mais recentes sobre séries, filmes, quadrinhos, games e qualquer outra coisa que envolva esse nicho. Além disso, os fãs também investem seu suado dinheiro nessa indústria que, cada vez mais, cresce e mostra que o público nerd mudou e quebrou barreiras.

Uma coisa que ajudou muito nessa quebra de barreiras, foi a internet, que deu voz às minorias e aproximou os fãs de seus ídolos, porém nem tudo são flores, já que toda essa expressividade também veio acompanhada de muito negativismo e intolerância. Sim, esse é um assunto saturado, porém por mais que se fale sobre isso, nada parece mudar, pelo contrário, a coisa só piora.

Pra começar, vamos falar sobre Star Wars e seu longo histórico de fãs raivosos. Recentemente, foi divulgado que o ator Ahmed Best, intérprete do Jar Jar Binks, quase se suicidou após as críticas ao seu trabalho e seu personagem. Jar Jar foi tão rejeitado pelos fãs, que ele nunca mais apareceu nos filmes da franquia.  A partir daí, a relação dos fãs com atores e diretores da saga só vai ficando mais tóxica.

Depois do “caso Jar Jar”, chegamos ao mais recente, envolvendo a atriz Kelly Marie Tran, que interpretou Rose Tico em “Star Wars: Os Últimos Jedi“. Mesmo depois de quase um ano que o filme foi lançado, os fãs continuaram mandando mensagens de ódio para a atriz, que viu como única solução, abandonar suas redes sociais para conseguir um pouco de paz. A polêmica fez com que Mark Hamill, colega de elenco de Kelly, além de diversas outras celebridades, expressarem sua decepção com os fãs. Esses são apenas alguns dos exemplos envolvendo atores da franquia.

Falando por mim, me considero um fã da franquia Star Wars – e assim como muitos outros, também não gostei do último longa – porém não deixo que isso me cegue o suficiente para que eu saia proferindo mensagens de ódio a Ryan Johnson, diretor da película, ou a qualquer outro ator que participou da produção. O cinema é uma forma de arte, isso significa que cada diretor/roteirista produz filmes tentando expressar a si mesmo e deixar sua marca nos filmes e nem sempre, a visão do diretor está de acordo com os fãs e tudo bem.

Por mais que você esteja financiando aquele material, o cinema trabalha com emoções, o que significa que os filmes são feitos com o intuito de surpreender os espectadores, seja positiva ou negativamente. Se os diretores forem seguir tudo o que os fãs querem, temos dois grandes problemas, o primeiro é que a surpresa acabaria e o segundo, é que mesmo ouvindo os fãs, os filmes não conseguiriam agradar a todos, já que não existe um único pensamento e uma única verdade.

Além disso, o fato de humilhar atores por um papel em um filme ou uma série é algo meio absurdo, já que eles apenas estão fazendo seu trabalho. Imagine você: um ator novato em Hollywood, rezando para conseguir um trabalho, até que te convidam para estrelar uma das maiores franquias da história do cinema, obviamente, você irá aceitar e fazer seu melhor. Mas, temos que nos lembrar que um personagem em um filme não depende apenas da atuação, como também do que o diretor pede para o ator e do roteiro que ele terá de seguir, ou seja, o ator apenas interpreta o que lhe foi proposto.

Se o roteiro é ruim, ou se o diretor não fez um bom trabalho, isso é algo muito relativo, já que sempre existirá alguém que odeia como também existirá os que amam, independente se o filme/série é bom ou não. Sim, devemos expressar nossas opiniões, entretanto, não podemos nos aproveitar da máscara fornecida pela internet para nos tornarmos um ser não civilizado, agressivo e tantos outros adjetivos negativos.

O pior disso tudo, é quando usam como desculpa o fato de algo não estar de acordo com as expectativas dos fãs para proferirem mensagens racistas, homofóbicas e afins, como aconteceu com Zazie Beetz, a Dominó de “Deadpool 2“, Anna Diop, a Estelar de “Titans” e tantos outros. Por falar em Beetz, a belíssima e talentosa atriz quase foi queimada viva quando foi anunciada como Dominó, para no fim das contas, os fãs chegarem ao consenso de que a personagem foi uma das melhores coisas do segundo filme do Mercenário Tagarela.

Fazer um julgamento com base em um conceito estabelecido por seu imaginário sobre determinado personagem pode ser um verdadeiro tiro no pé. Quem não lembra o quanto Gal Gadot foi criticada quando a atriz foi anunciada como a Mulher-Maravilha dos cinemas? A atriz era criticada principalmente por conta de seu físico, que não condizia com os padrões imaginários de uma guerreira amazona, mas hoje em dia, a atriz se tornou uma das queridinhas dos fãs e foi responsável por interpretar o filme de maior sucesso do Universo Estendido da DC.

Esse com certeza é um assunto muito delicado, não estou dizendo que os fãs devem se calar e aceitar tudo o que os estúdios fazem, porém estamos chegando em um ponto em que está ficando insuportável conviver com todo esse ódio, além disso, o fanatismo já não sabe mais separar a ficção da realidade, resultando em comportamentos extremamente destrutivos.

Não podemos fazer com que nossos egos, padrões e conceitos pessoais nos façam esquecer que, antes de tudo, o cinema, a TV, os quadrinhos e etc, são formas de entretenimento, feitas para nos divertir e nos transportar para mundos fantásticos e imaginários. Lançar um filme que não seja exatamente da maneira que você imagina não é o fim do mundo, acredite, existem maneiras civilizadas de ser ouvido, você não precisa acabar com a vida de um ator.

Nenhum estúdio faz filmes por caridade, a partir do momento que eles virem que algo não está agradando e não está lhes rendendo lucro o bastante, eles com certeza mudarão a direção criativa, até que encontrem um equilíbrio entre inovação e a visão dos fãs. Temos que aproveitar o momento maravilhoso que estamos vivendo e lutar para que ele continue existindo por muito mais tempo.

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