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Perdidos no Espaço (1ª Temporada) – Tudo seguro, Will Robinson!

Por Felipe Vinha

Quando o Perdidos no Espaço da Netflix foi anunciado… Espera, você soube que ele estava em produção? É certo que a série foi divulgada aqui e ali, mas a plataforma de streaming lança tanta coisa que, em alguns casos, podemos perder alguma “joia escondida”, como é o caso deste seriado. Remake da versão de 1965, a nova série tenta atualizar a história para os dias atuais, enquanto, ao mesmo tempo, se mantém o máximo possível fiel ao original, em termos de ficção científica.

Perdidos no Espaço, o original, é uma saga que mostra a aventura da Família Robinson, um grupo de exploradores que vaga pelo cosmo para colonizar outros planetas, mas que acaba se perdendo por conta de um tipo de buraco negro, que os leva para um local muito, muito distante. A série original durou três temporadas, mas foi o suficiente para criar um ar de “cult” ao seu redor, bem como gerar uma legião de fãs nostálgicos.

Não por um acaso ela foi “vítima” de tentativas de remake, em mais de uma ocasião. A primeira tentativa foi em 1998, com um filme para o cinema, que não é exatamente ruim, mas ficou só naquilo. A segunda veio em 2004, com um piloto encomendado pela Warner, mas que não foi adiante por questões criativas e financeiras. Agora nos vemos frente a um “novo tempo” para a família Robinson, sob o comando da Netflix.

Perdidos no Espaço, a versão de 2018, conta a mesma história do original, mas com pequenas adaptações – ao menos nos cinco primeiros episódios que assistimos. A família, John, Maureen, Judy, Penny e Will, continua com os mesmos membros, ainda que com pequenas mudanças visuais. O Dr. Smith, grande antagonista da saga, agora é Dra. Smith, pela primeira vez em versão feminina, aumentando para quatro o número de mulheres centrais na saga.

Por falar em Dra. Smith, vamos começar por ela: a figura de Smith sempre foi central nas histórias da família Robinson. Aqui ela entra na vida dos personagens quase que ao acaso, mas de maneira bem interessante. O trabalho de Parker Posey no papel da vilã não é tão cheio de tremeliques e caras e bocas como era com Jonathan Harris, na série original, mas não dá para comparar: a intenção aqui é outra.

Perdidos no Espaço deixa claro que quer ser um “sci-fi” moderno, com ambientação atual e ligações com o mundo real, mais do que a série original. A história tem um “quê” futurista por, de fato, passar cerca de 50 anos adiante de nosso tempo, mas não há uma estranheza. Tudo ainda faz sentido de acordo com o tempo atual e meio que o presente deles ainda poderia ser o nosso – claro que, sempre estações espaciais gigantescas ou naves que viajam singrando o cosmo para colonização.

O mais interessante nessa versão é que a família Robinson não é mais a “Família Margarina” que estávamos acostumados. Eles têm problemas, camadas, dificuldades e defeitos. Eles são quebrados. Mas não entenda errado: isso não quer dizer que eles tenham se tornado personagens ruins, mas sim muito mais bem trabalhados e com possibilidade de evoluções e crescimentos que nunca vimos antes na saga.

A única exceção, talvez, seja Will Robinson, que ainda mantém certa “pureza”, ainda que passe longe de ser uma criança 100% inocente. Robinson, assim como na edição original, é muito inteligente e nem um pouco ingênuo. Ele costuma saber o que faz, por mais que as provações nem sempre sejam justas com o menino.

É possível ver que Perdidos no Espaço, mesmo em 2018, continua com aquele ar de “Quarteto Fantástico”, sim, o da Marvel – que aqui seria “Quinteto”, mas você entendeu. Eles ainda são uma família e agem como tal. Momentos ruins e tristes ocorrem, problemas internos rolam, mas eles nunca deixam de ser uma família e, ao mesmo tempo, um grupo de exploração altamente preparado para colonizar o desconhecido. É um ar muito interessante de ver e bem divertido de acompanhar.

Como toda versão moderna de obras clássicas, o novo Perdidos no Espaço é muito mais carregado de drama. Ele também utiliza muita narrativa em “Flashback”, seguindo de perto a fórmula estabelecida por Lost e que faz sucesso, ainda nos dias atuais. Mas calma: não chega em um nível Arrow ou Punho de Ferro de irritação. Os flashbacks são sempre bem colocados e servem para um propósito. Você realmente agrega detalhes importantes ao enredo ali, e não apenas fica sabendo como o personagem machucou o dedão do pé quando tinha 15 anos, ou algo do tipo.

Há uma outra série de atualizações válidas na nova saga, incluindo o famigerado Robô, que atende pelo nome de… Robô. Quero dizer, nesta versão isso ainda não fica claro, mas há uma grande mudança pela qual a figura da máquina passa, que é melhor você assistir para entender melhor e se surpreender. O que posso contar é que eu curti a interpretação. Não está exatamente purista, mas cumpre bem seu papel.

Os cinco primeiros episódios do novo Perdidos no Espaço surpreendem ao apresentar um material bem focado no que se propõe, com uma dose bem calculada de ficção científica e com atualizações que, até agora, deram certo. Se você era fã do original, veja sem medo. Se não conhece a obra e tem receio de ficar perdido: não se preocupe. Vai perder apenas uma referência ou outra, mas é tudo explicado do zero, voltado para todo tipo de audiência.

A estreia da série ocorre em 13 de abril, com todos os episódios disponíveis na Netflix.

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Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha