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[Review] O Mundo Sombrio de Sabrina – Um bom começo entre bruxas e demônios!

Por Cristiano Rantin

Depois de muita espera finalmente estamos nos aproximando do lançamento de O Mundo Sombrio de Sabrina, a adaptação da Netflix das HQs The Chilling Adventures of Sabrina, que tem como proposta trazer uma nova interpretação para a icônica história da aprendiz de feiticeira. Recebemos os dois primeiros episódios da série e vamos falar sobre isso agora.

Eu cresci assistindo Sabrina, Aprendiz de Feiticeira e foi apaixonado pela série de comédia dos anos 90 – tanto que o nome do meu gato é nada menos que Salém -, então logo que um “remake” foi anunciado eu não consegui conter a ansiedade e emoção. Claro, depois ficamos sabendo que seria uma nova série, mais sombria e um tanto mais violenta da bruxinha, combinando com o tom obscuro e adulto das novas HQs.

Achei que estava preparado para isso depois dos trailers, mas ainda assim foi um pouco chocante ver essa nova série. Talvez chocante não seja bem a melhor palavra para descrever isso, mas logo no primeiro momento há um estranhamento ao ver as novas personalidades das personagens, o estilo mais sombrio e as mortes.

Isso no entanto não significa que a série esteja ruim, longe disso inclusive, apenas que aqueles que conheciam a bruxinha na série dos anos 90 podem demorar um pouco pra se acostumar com tudo isso. Leva algum tempo para que você realmente entre no clima desse Mundo Sombrio.

Mas depois que isso acontece, tudo flui bem. É impossível não ser conquistado pelo carisma de Sabrina, a bruxa mestiça que não está muito afim de aceitar seu Batismo Sombrio e abandonar toda sua vida mundana (algo que inclui seus amigos, namorado e liberdade). Nessa adaptação a personagem é tudo aquilo que você esperava de uma adolescente dessa geração: Alguém forte, questionadora, que busca por justiça e sua própria identidade.

Logo no primeiro episódio você já é fisgado pela personalidade da moça, que é bem mais doce e gentil do que você poderia esperar de uma série cujas inspirações são O Exorcista e O Bebê de Rosemary. Mas não pense que isso significa que a protagonista destoa completamente da proposta da adaptação, em vários momentos podemos ver um lado mais sombrio na garota, mas a dualidade nela (seu lado humano e seu lado bruxa) garantem que ela seja uma personagem bem relacionável – agindo realmente como o elo entre os espectadores e o mundo louco que estamos entrando.

Se no começo a família de Sabrina parece um pouco estranha – talvez até levemente forçada – essa sensação desaparece rapidamente e você começa a criar algum vínculo com os personagens. Com os humanos, no entanto, é bem mais fácil de se relacionar e gostar. As amigas de Sabrina e até mesmo Harvey, que na maioria das adaptações é só um cara bonito que é meio bobo, fica interessante nesse reboot.

Ainda sobre essa proposta de terror que a série possui, ele não é algo forçado ou gore sem sentido. Os momentos em que o horror é mais presente na série são coerentes com a narrativa e ficam longe de ser jumpscares que só estão ali para assustar os telespectadores. O grotesco e o assustador estão ali, criando tensão e suspense, mas sempre bem amparado pela história.

Parte desse horror vem da linha em que eles trabalham a bruxaria de Sabrina, associando a bruxaria ao Senhor das Trevas e ao satanismo, reafirmando alguns clichês que se perpetuaram durante a Santa Inquisição. E isso é outra coisa que pode causar algum tipo de desconforto nos que acompanharam a série dos anos 90 ou os desenhos, mesmo que isso não afete a essência da protagonista.

Se você estava esperando o humor apresentado nos vídeos promocionais da série, no entanto, é melhor ir se preparando para encontrar algo bem mais sutil e menos caricato. A série não se esforça muito para soltar piadas ou transformar o horror em algo mais divertido – ainda que existam algumas notas de humor negro nela.

O uso de efeitos especiais é bem dosado, não sendo utilizado até que realmente se faça necessário. Não podemos esperar efeitos de filmes de Hollywood ou a perfeição que acontece em séries com orçamentos imensos, mas isso não significa que temos efeitos ruins em O Mundo Sombrio de Sabrina. Ainda que eles sejam um pouco embaçados e não tão polidos, isso não atrapalham em nada a sua experiência.  

Os dois primeiros episódios servem para introduzir esse novo mundo – e o dilema de Sabrina – apresentando o tom sombrio, os novos personagens, os mistérios que estão rondando Greendale, sua complexa relação com os demais membros de sua família e os antagonistas da trama. Sendo assim, você pode ter a impressão de que eles são um pouco parados, mas tudo funciona bem de acordo com a proposta de introduzir a história.

Contudo, algumas surpresas dos episódios, foram ligeiramente arruinadas pelos vídeos promocionais da série. Seria interessante não saber como algumas coisas desses dois episódios iriam se desenrolar, talvez isso causasse uma surpresa maior e melhorasse minha experiência vendo esse começo de temporada.  

Podemos ver um começo cheio de potencial, que cativa o telespectador rapidamente. Agora é só aguardar para ver como o resto da temporada irá se desenrolar.

Confira também algumas imagens da série abaixo:

O Mundo Sombrio de Sabrina chega à Netflix no dia 26 de outubro!

 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"