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O curioso caso do rejuvenescimento digital!

Por Guilherme Souza

Caso você não tenha percebido, o intuito desse artigo é fazer uma analogia com a onda de rejuvenescimentos digitais nas produções Hollywoodianas, com o longa “O Curioso Caso de Benjamin Button”, onde o personagem de Brad Pitt nasceu velho e morreu como um bebê.

Você com certeza já deve ter ouvido falar que a ordem natural das coisas é nascer, crescer e morrer, porém de uns tempos para cá, a “magia do cinema” vem quebrando esse paradigma e parece que o uso do recurso de rejuvenescimento digital ou até mesmo a recriação de atores que já morreram, veio para ficar e isso levanta algumas questões acerca do futuro da indústria cinematográfica e das bases éticas em geral.

Não é surpresa para ninguém que os atores de Hollywood fazem o possível e o impossível para se manterem sempre jovens, afinal, o trabalho deles é vender suas imagens, com isso, eles querem prolongar isso o máximo de tempo possível, porém com o avanço da tecnologia, eles agora podem literalmente entrar em uma máquina do tempo e voltarem a ter a aparência que tinham há 20 ou 30 anos.

Embora isso pareça incrível, poder continuar acompanhando seus atores favoritos como se eles estivessem congelados no tempo, devemos considerar que isso também pode acabar se tornando um problema a longo prazo, afinal, Hollywood poderia se aproveitar da popularidade de tal técnica e passar a investir cada vez mais nisso, resgatando grandes lendas do passado em produções novinhas em folha, porém por mais realistas que essas cópias se torne, será difícil recriarem uma coisa: a essência desses atores.

Nós já vimos que músicos como Tupac, Michael Jackson e Elvis foram trazidos de volta à vida em apresentações ao vivo, através de hologramas, o que é algo extremamente impressionante, afinal, qual fã desses 3 que não gostaria que seu ídolo estivesse vivo? Entretanto, isso pode acontecer com um viés ganancioso e que, de certa forma, acaba manchando a imagem do artista, como aconteceu no álbum póstumo de Michael Jackson, onde recentemente, a gravadora revelou que usou a voz de outro cantor em algumas canções, ao invés da voz do próprio Michael.

Obviamente, a semelhança é absurda e poucos conseguiriam identificar se o material se trata de farsa ou não, porém o fato de tais técnicas acabarem se popularizando, pode enraizar no público um comodismo, onde deixarão de tentar identificar essas diferenças e apenas continuar consumindo o produto como se o artista ainda estivesse vivo.

Além disso, existe o fato de que se criaria uma grande bolha na indústria, já que passaríamos a ver sempre os mesmos rostos nas produções, limitando a oportunidade de novos atores e atrizes surgirem.

Agora que falamos um pouco sobre o lado negativo do rejuvenescimento e recriação digital de atores, temos de pensar um pouco no lado comercial e em como isso pode beneficiar a indústria, afinal, diariamente temos visto o anúncio de novos remakes, reboots e de novas continuações para franquias antigas e o uso do recurso aumenta ainda mais as possibilidades para tais materiais.

No caso dos filmes da Marvel, vimos atores como Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Kurt Russell, Robert Downey Jr. e, futuramente, Samuel L. Jackson ostentando versões mais jovens de si mesmos em tela, contudo, o recurso parece ser usado com parcimônia e em casos de extrema necessidade, além dos atores autorizarem a técnica e estrelarem as produções com suas feições atuais.

Até hoje, vimos que o “rejuvenescimento Marvel” funcionou muito bem para tais universos, completando lacunas do passado de cada narrativa e abrindo ainda mais o leque, como é o caso do filme solo da Capitã Marvel, que se passa em um período de tempo anterior ao dos demais filmes do Universo Cinematográfico Marvel.

Porém se no caso da Marvel a técnica parece mais “segura e aceitável”, no caso da franquia Star Wars a conversa já é outra. Em Rogue One: Uma História Star Wars, tivemos uma narrativa que se passa pouco antes dos eventos de Episódio IV: Uma Nova Esperança, com isso, era esperado que tivéssemos o retorno de personagens conhecidos do filme da década de 70 e realmente tivemos, porém com os mesmos atores que os interpretaram há mais de 30 anos, ou quase isso.

Em Rogue One, tanto o Governador Tarkin, quanto a princesa Leia foram recriados digitalmente para a trama e a perfeição era assustadora. Usando como base atores parecidos com os atores antigos, a equipe de efeitos digitais recriou com maestria os rostos de Carrie Fisher e de Peter Cushing, como se eles tivessem sido congelados em 1977 e revividos em 2016. É claro, isso foi extremamente emocionante para os fãs, ainda mais quando a aparição da jovem Leia serviu como homenagem para Fisher, que havia falecido na época do lançamento do longa, mas se pararmos pra pensar friamente, será que isso é moralmente correto?

Os atores, assim como nós, possuem falhas, evoluem e se aperfeiçoam, porém não é possível recriar essa evolução e, principalmente, a personalidade de um ser humano através de meios digitais, portanto, tudo o que vemos é uma cópia do que os atores fizeram no passado, não existe inovação, apenas modificação.

Não sei ao certo o que pensar sobre o uso de tais recursos, já que, assim como a maioria dos fãs, fiquei extremamente animado por ver versões mais jovens de meus atores favoritos ganhando vida nas telonas novamente, mas sempre me pego pensando se era isso o que eles iriam querer fazer. Michael Jackson foi um artista extremamente detalhista e sempre tinha controle absoluto de suas performances, o que me faz acreditar que ele provavelmente não concordaria com pessoas lhe dizendo como ele deveria se vestir, como ele deveria dançar ou cantar, mas agora que ele está morto, podem fazer os shows como bem entenderem, afinal, ele não pode mais opinar.

É claro, não estou dizendo que de uma hora para a outra todos os talentos de Hollywood serão substituídos por cópias digitais, essa prática ainda é vista com maus olhos por muita gente, principalmente para a família dos artistas e um bom exemplo disso é a própria Carrie Fisher. Quando a atriz morreu, muitos afirmaram que uma versão digital da atriz seria criada para completar sua participação nos filmes mais recentes da franquia Star Wars, contudo, a Lucasfilm disse que não faria isso em respeito à família da atriz, porém irão usar materiais dos filmes anteriores para isso.

Isso com certeza é uma bela atitude por parte do estúdio, afinal, irão usar materiais feitos pela própria atriz e não terão a narrativa prejudicada pela ausência inesperada da atriz, mas será que essa resistência familiar se estenderá por muito tempo?

Fique com imagens da versão mais jovem de Samuel L. Jackson em nossa galeria de Capitã Marvel:

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