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O cinema de ação moderno está em boas mãos!

Por Lucas Rafael

Dizem que filmes de ação e musicais são excelentes para se aprender a escrever roteiros. Basicamente, existem diversos momentos; e então, uma historinha entre eles. Nos musicais, tais momentos geralmente são um monte de gente bonita cantando algo bem coreografado em algum lugar onde normalmente não fariam aquilo, como um congestionamento no trânsito ou na cantina da escola. Em filmes de ação, são aquelas partes em que o Tom Cruise se pendura em um helicóptero; que o Keanu Reeves mata um monte de caras com um lápis ou que a Charlize Theron desce uma escada espancando dois pobres coitados. 

E então existe Mad Max: Estrada da Fúria, onde parece que o roteiro do filme se trata apenas de cenas intensas embaladas por ação frenética interligadas por eventuais momentos de calmaria. Lembram quando o filme foi lançado, ali por 2015? Parecia que uma anomalia havia saltado diretamente dos anos 90 para a atualidade. Aqueles carros estavam realmente capotando em alta-velocidade, aqueles caras estavam realmente se pendurando em cabos acima de veículos em movimento como uma versão pesadelar do Cirque du Soleil e, tinha mesmo fogo saindo de uma guitarra enquanto o instrumento era tocado acima de outro carango em movimento. What a Lovely Day.  

Aqui, o objetivo não é soar como um purista dos efeitos visuais práticos, e sim escrever uma cartinha de amor aos filmes de ação recentes: muitos deles estão trazendo catarse através de uma espécie de ação mais visceral, oferecendo um contraponto interessante ao festival de efeitos digitais que outros blockbusters vem trazendo.

Depois de ver um exército digital arrasar Wakanda; que também é concebida digitalmente, chega a quase rolar um frescor em ver Tom Cruise saltando de um avião sendo filmado por um cinegrafista que pulou junto com ele usando câmera IMAX presa ao peito. Os caras realmente se empenham. Sim, sim, existe manipulação digital nos filmes citados até aqui; mas sempre usada com parcimônia para retocar algumas cenas ou em momentos grandiosos (vide a Tempestade de Areia em Mad Max).

Falando em Marvel, lembram quando Demolidor chegou na Netflix e não se falava de outra coisa além DAQUELA cena de luta?

Um dos grandes nomes do gênero de ação atualmente é John Wick. Uma das principais inspirações para tal franquia foi o filme Operação Invasão, de 2011. A trama é simples: um grupo tático invade um prédio tomado pelo crime organizado. Depois de cerca de 15 minutos iniciais morosos, o longa vira um espetáculo de ação desenfreado e extremamente focado na coreografia e proeza física dos atores. É o tipo de filme em que todo figurante sabe lutar alguma arte marcial e é tudo filmado da maneira mais insana possível.

Na excelente (embora inchada) sequência de Operação Invasão, lançada em 2014; temos mais um espetáculo desenfreado de cenas catárticas. A câmera dança entre pessoas lutando de forma ensandecida, usando martelos e tacos de baseball para se manterem vivas dentro daquela narrativa fictícia. Em uma certa cena, acredito que o cameraman pulou de uma janela e rolou no chão para capturar a movimentação de um ator. Falem o que quiserem do cinema de ação moderno, que o espetáculo pode servir um roteiro vazio ou algo do tipo, mas ele definitivamente não é preguiçoso.

Repare como na maioria destas cenas de ação recentes existe uma intimidade entre a câmera e o ator principal, que se fecha ao redor dele de maneira quase claustrofóbica; ressaltando o quão abatido personagem e ator ficam ao desempenhar cenas tão intensas. O cansaço é palpável, sobra a catarse como recompensa.

O ponto animador é que essa nova onda de filmes de ação está ganhando mais tração. Recentemente, tivemos o novo Missão Impossível, melhor filme da franquia até o momento, injetado de adrenalina contínua.  Em termos de lançamentos menores, tivemos A Vilã (2017) e Upgrade (2018). Upgrade é uma surpresa agradável para os fãs de ficção-científica B, embalado por aquelas cenas de ação que fisgam o espectador pelos sentidos.

Sim, não é de hoje que filmes de ação elaborada pipocam aqui e ali, mas é legal ver que eles seguem sendo feitos (por mais trabalhosos que sejam de executar, tanto do lado técnico dos profissionais quanto da dedicação dos atores) e que estão caindo nas graças do público. Tais longas como Operação Invasão, Kill Bill e John Wick seguem carregando um legado extenso que já foi perpetuado por nomes como Jackie Chan e Bruce Lee (influências nítidas em grande parte destas projeções, inclusive), entre outras grandes lendas do cinema marcial.  

Obviamente, existem filmes que servem como contra-exemplo. Um tempo atrás, virou mania de muitos longas gravarem a ação de maneira desordenada, chacoalhando a câmera enquanto as lutas/perseguições ocorrem para transmitir uma falsa sensação de adrenalina e intensidade. A técnica ficou conhecida como “shaky-cam” (câmera trêmula) e filmes que a empregaram em certas cenas, como a trilogia Batman de Christopher Nolan e Wolverine: Imortal, foram duramente criticados pelo uso deste artifício.

Mas não vamos encerrar essa cartinha de amor falando de pontos negativos. Abaixo, deixo vocês com uma das cenas mais malucas do cinema do cinema de ação moderno.

E você, quais têm sido os seus filmes de ação favoritos? Empolgado para John Wick 3? Comente!

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sobre o autor Lucas Rafael

Entusiasta de coisas demais