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Manto e Adaga: 1×10 – Entre o Fim e o Começo!

Por Gus Fiaux

E então, após dez episódios muito instigantes, Manto e Adaga conclui sua primeira temporada em excelente estilo, dando ao público um gostinho do que pode ter sido o melhor ano de estreia para uma série dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, superando até mesmo nomes grandes como Demolidor e Jessica Jones.

Desde o início, a série se vendeu pela diferença. Não devíamos esperar o típico programa de super-heróis, com figuras mascaradas lutando para cima e para baixo, tentando salvar alguma grande cidade. Em vez disso, mergulhamos a fundo na personalidade de Tyrone Johnson e de Tandy Bowen, e em suas respectivas jornadas no momento em que descobrem seus poderes.

Analisando o último episódio, podemos ver claramente que a série acertou em cheio quando tentava cumprir essa proposta estabelecida originalmente, e que a qualidade só deu uma oscilada no momento em que eles precisaram ser mais “super-heroicos”.

Aqui, acompanhamos a eclosão da trama estabelecida até então. Sabemos que Tyrone e Tandy são o “par divino” – uma dupla arcana que aparece de tempos em tempos para salvar Nova Orleans. Aliás, isso traz um dos pontos altos do episódio: a narração de todos os pares divinos que vieram antes dos dois.

Ao mesmo tempo, acompanhamos Tyrone se tornando um fugitivo depois que a polícia invade sua casa à sua procura. Do outro lado, Tandy precisa salvar sua mãe – e logo também se torna uma foragida. Quem manda mexer com os tubarões da Roxxon?

A parte dos dois, vemos a cidade entrando em um verdadeiro caos, após a explosão de um reduto da Roxxon. Isso cria os terrores – seres humanos transformados pelo resíduo de energia da explosão, que se tornam altamente violentos e sanguinários, atacando as pessoas que ainda não foram transformadas.

Concluindo o círculo, ainda temos a Detetive Brigid O’Reilly, precisando ajudar Tyrone a confrontar definitivamente o corrupto Connors. Porém, ela acaba tendo um destino bem cruel – ainda que seu retorno já esteja garantido, inclusive de uma forma bem fiel aos quadrinhos.

Como dito anteriormente, o último episódio de Manto e Adaga encontra sucesso ao explorar aquilo que sempre nos prometeu: a relação entre Tandy e Tyrone, e a evolução da dupla enquanto figuras descobrindo mais sobre seu passado e sobre os terrores que os atacam, tanto corporativos quanto policiais.

Contudo, há uma nítida quebra de interesse quando os dois começam a fazer coisas mais “heroicas”, por assim dizer. Particularmente falando, por mais que a ação estivesse muito boa, não consegui me conectar com o público durante a grande batalha em Nova Orleans, por dois fatores distintos.

O primeiro deles é a violência casual. Não consegui comprar, de forma alguma, a ideia de ver Tandy e Tyrone atacando – e matando – pessoas inocentes que haviam sido transformadas em terrores pela explosão da Roxxon. Mas isso até pode ser relevado.

Por outro lado, não há como não achar um pouco ridícula – e até mesmo “fácil” – a solução final, em que Manto e Adaga se unem para absorver toda a explosão da sede da Roxxon. O momento é quase uma sequência de Power Rangers, e a música de fundo cantada pela própria Olivia Holt (nossa querida Adaga) também não ajuda em nada a melhorar a cena.

Mas verdade seja dita, esse é um problema pequeno e irrelevante, quando analisamos toda a conclusão da temporada. Ainda que esse fim tenha sido corrido e passe a impressão de que não foi tão bem planejado, vemos que o resto da série já criou raízes profundas, que podem ganhar um grande espaço no próximo ano.

A simples noção da “troca de vida” entre Tandy e Tyrone já espelha com firmeza as histórias da dupla nos quadrinhos, e mostra o quanto eles ainda podem ser evoluídos se os roteiristas continuarem apostando nos contrastes entre os dois.

Além disso, devo destacar a cena em que Tyrone absorve Connors em seu manto. Isso foi extremamente leal às HQs, e ainda abre mais possibilidades para os poderes do herói – que até então, eram relativamente simples demais.

Outra cena que merece ser elogiada é a transformação de O’Reilly na Mayhem. Pelo que podemos ver, Nova Orleans terá uma nova ameaça no ano que vem… mas ainda não sabemos se os heróis vão confrontá-la ou se podem se aliar a ela.

No mais, deixo o restante das opiniões para a crítica completa da temporada, que deve sair em breve. Por ora, devo apenas dizer que Manto e Adaga realmente me surpreendeu. Para quem não dava nada pela série, já posso me sentir um fã de carteirinha. E enquanto morremos no aguardo da segunda temporada, ao menos podemos esperar por um breve crossover com Fugitivos.

 

Abaixo, confira imagens da série:

Manto e Adaga já foi oficialmente renovada para uma segunda temporada!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux