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Manto e Adaga: 1×08-09 – Entre Heróis e Vilões!

Por Gus Fiaux

Não, você não leu errado. Manto e Adaga está chegando ao final. Falta apenas mais um episódio para a conclusão da primeira temporada. Os personagens estão cada vez mais amadurecidos. E a série pode estar tendo o melhor ano de estreia dentre todas as outras séries do Universo Cinematográfico da Marvel.

O motivo é simples: nada de enrolação. Tudo bem que a série tem só 10 episódios, o que deixa mais “fácil” competir contra os 22 de Agentes da S.H.I.E.L.D. ou até mesmo os 13 (de uma hora) das séries da Netflix. Ainda assim, já vimos séries menores ou equivalentes – Fugitivos (que, diga-se de passagem, eu adoro), Agente Carter e Defensores – deslizando em uma série de episódios fillers e com uma encheção de linguiça bem desnecessária.

Manto e Adaga, por sua vez, consegue equilibrar com uma dosagem bem satisfatória tudo que precisa desenvolver. Não há como negar que, por exemplo, o sétimo episódio é “arrastado” – dentro de sua própria proposta narrativa – e pode ser facilmente visto como um filler. Ainda assim, ele possui uma conexão tão grande com as tramas e subtramas da série que você logo o vê como parte crucial da história. Também ajuda o fato dele ser um episódio tão bom.

Mas bem, vamos ao presente. A série lançou, nas duas últimas semanas, seu oitavo e nono episódio. E para a alegria geral, a série está apostando em um crescente cada vez maior, o que só nos deixa extremamente ansiosos – e até um pouco preocupados – para o que vai acontecer na season finale, que vai ao ar na próxima quinta-feira.

Na semana passada, não tivemos a review por conta da correria da San Diego Comic-Con – que aliás, trouxe uma ótima notícia para os fãs com a renovação da série para uma segunda temporada. Mas aqui, discutiremos um pouco a respeito dos dois episódios, que se complementam de uma forma sensacional.

Na trama, vemos dois lados da história – como tem sido até aqui. Tyrone tenta provar a inocência de seu irmão ao se aliar à Detetive O’Reilly para capturar o corrupto Connors, e fazê-lo confessar pela morte de Billy. Enquanto isso, Tandy vai atrás da Roxxon para finalmente se vingar pela morte de seu pai… e acaba descobrindo um segredo assustador sobre ele.

Até agora, Manto e Adaga tem trabalhado muito bem a quebra de expectativa. As pessoas não são quem acreditamos que elas são, e as coisas mudam casualmente de mal a pior. Não seria diferente nesses dois episódios, e o resultado está sendo mais que sensacional.

A trama é conduzida da melhor forma possível quando para de tratar Tandy e Tyrone como super-heróis, e tenta tratá-los de uma maneira humana e falha. Os dois são cheios de cicatrizes do passado e estão dispostos a ir até o fim da Terra para se vingar pelas tragédias que assolaram suas infâncias. E é justamente assim que a história transcorre nos dois episódios.

É muito empolgante vê-los correndo atrás de justiça – ou pelo menos o que os dois acham se tratar de justiça. E é melhor ainda vê-los encontrando alguns obstáculos no caminho, pois é justamente ao fazê-los tomar decisões tão bruscas que a série revela suas verdadeiras personalidades.

Estou achando verdadeiramente fantástica a forma como Tandy tem evoluído, principalmente através de seus poderes. É com eles que ela desenvolve sua personalidade, e é excepcionalmente intenso ver o que ela é capaz de fazer com as esperanças das pessoas – algo que a coloca em um limiar tão além de tudo que já vimos da heroína.

Aliás, a trama envolvendo seu pai é simplesmente arrasadora. Ao descobrir que ele era um agressor, a personagem sofre uma quebra de realidade, e isso justifica toda sua virada dramática no último episódio, que foi algo muito bem-vindo para “agitar” a trama antes do final.

Por outro lado, a história de Tyrone toma contrastes bem dramáticos, o que é perfeito para desenvolver assuntos referentes à questão social da morte de seu irmão. Só nesses dois episódios, há uma discussão internalizada sobre racismo institucional e brutalidade policial que toca na ferida e supera tudo que a Marvel já trabalhou na TV em relação a esse assunto.

Destaco, nesse sentido, o diálogo entre o herói e sua mãe, que aconteceu no nono episódio. É um momento extremamente poderoso e brutal, no qual nós sabemos que os dois lados estão certos.

Porém, há uma outra personagem que está ganhando um espaço grande, e que está deixando os fãs bem ansiosos pela segunda temporada: a Detetive Brigid O’Reilly. Sabemos que, na segunda temporada, ela provavelmente vai assumir sua contraparte vilanesca das HQs, de Mayhem. Ainda assim, a construção que ela ganhou é sem igual.

Os parabéns vão para a atriz Emma Lahana, que de fato consegue passar um episódio inteiro sem dizer uma palavra sequer e ainda assim transmitir a emoção, a dor e o luto da personagem. Aliás, espero que ela acabe com a vida de Connors, principalmente depois do confronto dos dois no bar.

Em termos técnicos, a série só tem evoluído. Devo destacar bastante a edição e montagem dos dois episódios, especialmente em duas cenas específicas: Do oitavo, a sequência em que Tandy descobre a verdade sobre seu pai e O’Reilly encontra o corpo de Fuchs na geladeira. No nono, cito a sequência em que Tyrone perde a cabeça e agride um de seus bullies no colégio.

Ambas as cenas trazem um recurso bem clássico, mas que geralmente não funciona: a montagem de videoclipe. Temos uma música tocando alto e as coisas acontecem em uma ordem alternada, passando a ideia de um clipe musical de fato. Na maior parte das vezes, isso é algo considerado bem brega e é recusado pelos críticos de cinema e TV.

Contudo, a série sabe fazer isso funcionar, apelando para sua estética dualista. É incrível ver Tyrone e Tandy nesses momentos mais introspectivos, sem muitas palavras sendo ditas, e apenas com uma música de fundo.

No geral, a série está fantástica. Se o sétimo episódio havia sido meu preferido até então, o oitavo e o nono tomaram esse lugar logo em seguida. Infelizmente, devo dizer que me preocupo com o final. A série nunca foi muito puxada para a ação, e sempre investiu melhor na ligação entre os personagens.

Do que sabemos da season finale, será um grande conflito em Nova Orleans, e isso me preocupa no que diz respeito à construção da narrativa. Mas maior do que minha preocupação é a minha confiança no produtor Joe Pokaski e nesse elenco maravilhoso. Caso seja um final à altura, podemos já destronar Demolidor e ter aqui o melhor ano de estreia de uma série da Marvel TV.

 

Abaixo, fique com mais imagens da série:

Manto e Adaga vai ao ar às quintas-feiras, na Freeform e na Hulu. Não perca as reviews semanais aqui, na Legião dos Heróis.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux