Capa da Publicação

Lara Croft: trajetória e evolução da personagem!

- – Dos polígonos para uma forma real.

Por Jessica Pinheiro → Em 15 de outubro de 1996 nascia Lara Croft, estreando sua primeira aventura no Playstation One e Sega Saturn, com o jogo Tomb Raider. A partir de então, a arqueóloga “badass” fez muito sucesso e com sua franquia própria de jogos, mas um dos aspectos que mais chamavam a atenção na personagem era a sua forma desproporcionalmente sensual.

Lara tinha seios gigantes e pontiagudos que fariam a Madonna morrer de inveja. Segundo seus criadores esta concepção foi um acidente: o mouse da proporção desta parte de seu corpo sem querer escorregou de 50% para 150% e, de acordo com eles ficou divertido então eles deixaram assim.

A cada novo jogo que saía e os avanços tecnológicos, as formas de Lara foram sendo mais e mais ajustada até que a personagem se tornou uma espécie de musa para a indústria. Não apenas no sentido mais sensual da palavra, mas ela foi a primeira representante feminina de sucesso nesse mercado, com sua franquia de games sendo registrado no Guiness Book até.

Se dentro dos games Lara era uma arqueóloga descendente de uma família de aristocratas ingleses e que colecionava artefatos por diversão, cuja criação foi inspirada por Indiana Jones e uma personagem de quadrinhos britânicos chamada Tank Girl; na vida real a personagem era um verdadeiro ícone feminino.

Ao lado de Indiana Jones, Tank Girl também foi uma inspiração para a criação de Lara.

Ao lado de Indiana Jones, Tank Girl também foi uma inspiração para a criação de Lara.

Foi ela quem mais estampou capas de revistas ao longo dos anos, ultrapassando a marca de 1.000 capas de diferentes revistas. O sucesso foi incalculável e lhe rendeu até uma breve e fracassada carreira musical e filmes e quadrinhos. Artistas se fantasiavam dela para gerar publicidade (Ellen Rocche, um beijo!) e assessorias até promoviam campanhas de marketing onde os ganhadores tinham direito a um encontro com uma modelo paga para se vestir como Lara.

Lara Croft foi um verdadeiro fenômeno. E com tanto sucesso, qual seria o próximo passo? Estrelar no cinema, mas é claro. Uma tarefa que sobrou a princípio para Angelina Jolie. A atriz viveu a arqueóloga nas telonas por dois filmes e arrecadou alguma grana, mas não emplacou como a personagem – algo curioso de se pensar.

O começo dos anos 2000 e a mudança para o XboxPlayStation 2 por sinal, desempenharam um papel importante na vida de Lara. Com a chegada dessa geração de consoles, a personagem começou lentamente a ser esquecida. Seus dois jogos nessa plataforma, Chronicles e Angel of Darkness, não renderam tanto quanto os antecessores e a arqueóloga parecia estar fadada ao limbo.

Porém, quando o Xbox 360 e o PlayStation 3 chegaram, houve o primeiro reboot da franquia. Tomb Raider Legend foi o primeiro da trilogia, seguido do Anniversary e enfim, do Underworld. Os três jogos não alcançaram o sucesso esperado com a crítica e o público parecia dividido.

Os novos jogos eram mais do mesmo: grandes em forma e pouco conteúdo. A Lara não passava, mais uma vez, de só um rosto bonito sem muito a oferecer.

Os novos jogos eram mais do mesmo: grandes em forma e pouco conteúdo. A Lara não passava, mais uma vez, de só um rosto bonito sem muito a oferecer.

Em partes era porque a imagem de Lara parecia a mesma dos anos 90: ela era uma figura que beirava a perfeição em tudo, desde sua aparência à sua personalidade. A indústria e o público estavam um pouco saturados desse tipo de personagem que, a essa altura, já existiam aos montes: todas filhas da arqueóloga, as quais a tinham, aparentemente, superado.

Parecendo saturada e sem um lugar no mercado dessa época, Lara parecia enfrentar um possível limbo de franquias mais uma vez. Mas cinco anos após seu último título, outro reboot aconteceu. O Tomb Raider de 2013 para Xbox One e PlayStation 4 parecia trazer, enfim, uma personagem que refletia e época e as principais necessidades da indústria, com uma jovem em uma expedição que, antes de ser uma grande arqueóloga era uma sobrevivente. Mais do que isso: ela era humana.

Foi a partir desse jogo que começaram a explorar este aspecto da personagem e a abordagem ainda está trazendo resultados, já que lhe rendeu duas continuações até aqui: Rise of the Tomb Raider de 2015 e Shadow of the Tomb Raider em outubro de 2018 – além de um novo filme, desta vez estrelado por Alicia Vikander e baseado nos games atuais.

A Lady Croft é um caso curioso e é possível mostrar a evolução do mercado de games com sua existência. Primeiramente passou de uma importante representante para a indústria que trazia pela primeira vez uma personagem feminina de sucesso, mas que era bastante objetificada e usada até mesmo símbolo sexual para promoção sua e de terceiros – tendo tudo isso começado com uma “brincadeira” de seus criadores.

Um equilíbrio foi encontrado e a nova Lara atende ao público e a crítica de forma balanceada.

Um equilíbrio foi encontrado e a nova Lara atende ao público e a crítica de forma balanceada.

Alcançou a fama e se tornou um fenômeno e então, sem muito mais a oferecer, foi lentamente esquecida. Tentou, porém, se reerguer e se reinventar, mas manteve a mesma pose de durona quando a indústria de jogos estava em fase de mudanças, buscando personagens com quem pudesse se relacionar, compreender e apreender; algo que a Lara não tinha a oferecer.

Alguns a frente e eis que a franquia parece ter aprendido com suas próprias criações (vide Uncharted, apenas para citar um exemplo) e, o mais importante, com alguns de seus próprios erros. Hoje, Lara Croft não apenas continua sendo uma importante protagonista de uma franquia de sucesso, mas se tornou uma personagem com quem é possível se identificar: mais humana, na medida do possível.

Fique a seguir com uma lista com as 10 maiores curiosidades sobre a franquia Tomb Raider!

 

Imagem de perfil
sobre o autor Jessica Pinheiro

Não dá pra resumir aqui, a vida é muito maior e complexa pra ser enquadrada num texto de perfil.