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Jessica Jones (2ª Temporada) – Sem ritmo, sem vilão, sem filtro!

Por Leo Gravena

A primeira temporada de Jessica Jones foi uma das séries mais bem recebidas da Marvel, porém, nem todos os fãs gostaram do ritmo “lento” da trama. Jessica Jones é uma série lenta, ela não se força utilizando  vários cliffhangers para continuar prendendo o espectador e não tenta avançar a sua trama de maneira mais rápida do que é necessário. Ela tem ação, ela tem momentos tensos e climaxes, porém, você consegue ver exatamente como cada um deles serve para fazer com que a trama de Jessica se aprofunde e siga em frente.

Após assistir os cinco primeiros episódios da segunda temporada de Jessica Jones, concedidos pela Netflix, a única coisa que consigo pensar é que a série perdeu a mão. Como todos já disseram antes de mim, o maior problema da temporada é o ritmo, mas não apenas isso. Na falta de um vilão claro, o ritmo da temporada tomou o posto de antagonista principal. O problema não é ser lento, o problema é que a série simplesmente não anda.

Um dos maiores problemas de todas as séries da Marvel na Netflix é como as tramas demoram a engatar, a Marvel/Netflix continua tratando isso como um “recurso narrativo”, algo que já faz parte delas, porém, quando é algo que todo mundo critica, é difícil acreditar que seja algo além do fato de que muitas das séries, simplesmente, poderiam ter menos episódios.  Dos cinco episódios liberados, três episódios e meio poderiam ser apagados sem qualquer problema para a história. E isso é algo bem complicado quando se fala de uma série que é conduzida por seus personagens.

O tom noir dos episódios, fazendo um resgate aos filmes de detetive dos anos 40 e 50 é muito bem vinda, porém, na maior parte das vezes parece algo forçado e não natural. Realmente queria ter gostado dos episódios, principalmente porque todos são dirigidos e produzidos por mulheres, o que é extremamente raro na indústria, porém o grande problema no meio disso tudo foi a falta de controle de Melissa Rosenberg.

Em um filme, o diretor é quem manda em tudo, ele decide o que cada uma das partes da produção vai fazer, como será a direção de arte, onde estarão os atores e onde as cenas vão ser filmadas. Em séries, esse papel cabe, também, ao showrunner, o trabalho do showrunner é auxiliar os diretores do episódio a se “manterem na linha”. O que é possível ver nesses episódios é que nenhuma das diretoras teve essa guia, já que os episódios não seguem uma linha de direção estável, todos eles são muito diferentes, é quase como se cada diretora tivesse chegado e feito o que queria, sem ter Rosenberg as guiando e explicando como seria melhor trabalhar as cenas e os personagens dentro da série.

Infelizmente, algo que sabemos que irá acontecer é pessoas dizendo que mulheres dirigindo os episódio foi exatamente o problema. Mas já vou deixar algo claro aqui: não, não foi. O maior problema foi o fato de que a showrunner da série não as guiou da melhor maneira possível, já que todas são bem competentes em seus outros trabalhos.

Mas, mesmo com os problemas na direção dos episódios, é necessário dizer que a direção de arte continua impecável, várias cenas são feitas de uma maneira muito bonita e os cenários, cores e fotografia se destacam pelos tons sombrios e que instigam o ar de mistério.

Agora, entrando na trama da temporada em si, houve grandes problemas no roteiro e no desenvolvimento de personagens. Já de inicio fica claro que a falta de um vilão claro deixou a trama com um mistério bem desnecessário e mal aproveitado. Você simplesmente não se importa com os “vilões”.

A IGH, que foi introduzida na primeira temporada, se torna o foco principal da segunda, porém, enquanto lá tinha a promessa de uma trama interessante, com uma viagem para o passado sombrio de Jessica. Mas o que temos é apenas uma história que nem mais interessante é – a IGH e as pessoas relacionadas aos experimentos feitos por ela falham feio ao assumir o papel de “mistério da temporada”, de antagonistas, ou qualquer outro papel que possa ser dado à organização.

Já o desenvolvimento de personagens é algo realmente sofrível. O relacionamento de Jessica e Trish Walker é o principal da série, a irmandade entre elas é algo lindo de se ver e tivemos um desenvolvimento excelente entre as duas na primeira temporada de Jessica Jones e em Defensores. Porém, quando a segunda temporada começa, todo esse desenvolvimento é jogado no lixo e as personagens voltam para onde estavam no começo da primeira temporada.

Trish Walker, inclusive, merece mais. Enquanto todos os fãs querem ver ela se tornando a Felina, ou Hellcat, a série continua fazendo com que ela tenha um “desenvolvimento falso”, ao colocar ela nas mesmas situações da primeira temporada. A personagem mal tem desenvolvimento e vemos apenas ela sofrendo e sofrendo. Rachael Taylor não teve o melhor currículo antes de Jessica Jones, porém ela realmente se encontrou na personagem e, nas poucas ocasiões que ela tem de brilhar e realmente mostrar sua atuação, as cenas são cortadas ou mal vemos ela realmente lidando com os problemas.

Malcolm, o vizinho de Jessica, ganha um destaque merecido e vemos muito mais dele ao lado da investigadora particular. As tramas dele não são grandes ou muito importantes, porém ele está sempre lá como um leve “alívio cômico”. Também é bom ver Jessica tendo mais amizades além de Trish. Já Jeri Hogarth continua com uma “trama repetida”, porém, espero que seja trabalhada de maneira diferente para a frente, mas pelo menos temos vários momentos onde podemos ver Carrie-Anne Moss atuando de maneira espetacular.

Das novas introduções, quase todos os personagens são simplesmente esquecíveis ou chatos – se qualquer um deles morresse fora de tela e dois episódios depois algum outro personagem dissesse “fulano morreu”, você sequer se importaria. A única exceção, pelo menos até o quinto episódio, é Oscar (acompanhado de seu adorável filho, Vido). O personagem de J.R. Ramirez (o Pantera de Arrow), é uma contraposição gigante à Jessica, além disso, é muito interessante notar como a trama do personagem é algo que (normalmente) vemos sendo dada à mulheres em filmes e séries. Além de carismático o personagem deve ter um grande papel na temporada, que vai crescendo a cada episódio.

Vido, o filho de Oscar, entra para trazer uma trama muito necessária para Jessica Jones, não apenas ele, como alguns outros personagens pequenos, mostram para Jessica que existem sim pessoas que a admiram, que a veem como uma heroína, e não apenas uma vigilante, que ela pode sim inspirar. Obviamente, Jessica Jones precisa trabalhar muito para se tornar uma heroína, porém, com pequenas cenas, vemos esse caminho sendo criado para ela.

Jessica Jones, por fim, continua sendo a protagonista mais atormentada e problemática de todo o Universo Cinematográfico da Marvel. Krysten Ritter atua com perfeição e se esforça ao máximo para trazer a personagem que conhecemos de volta… Mesmo que o roteiro não a ajude muito, é bom ver Jessica tendo que lidar com seu passado, que é a trama principal desta segunda temporada. Mas todas as promessas feitas no final da primeira temporada não se cumprem nos primeiros episódios.

A pior coisa, contudo, é como todo o desenvolvimento da personagem em Defensores é totalmente apagado, é praticamente como se nada daquilo tivesse acontecido, o que é uma pena, já que Jessica e o Demolidor foram os personagens que tiveram o maior e mais interessante desenvolvimento no evento.

Por fim, não me entendam mal, qualquer pessoa que me conheça sabe que Jessica Jones é uma das minhas personagens favoritas de todos os filmes e séries da Marvel, que amei a primeira temporada de uma maneira sem igual. Porém, é decepcionante ver os primeiros episódios da segunda e ter algo tão inferior ao que a personagem merece.

Fazendo uma comparação com o momento entre Hulk e Thor em Thor: Ragnarok. A primeira temporada de Jessica Jones é um “fogo ardente”, que não parece muita coisa de longe, porém, quanto mais você se aproxima, mais quente fica. A segunda, é um “fogo de brasa”, lutando para continuar aceso, se apagando com o vento e voltando, prestes a se extinguir…

Realmente, uma pena…

 

Confira abaixo algumas das imagens da segunda temporada da série:

Jessica Jones chega à Netflix em 8 de março.

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sobre o autor Leo Gravena

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