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The Gifted: 1×12 e 13 – Polaris estava certa!

Por Cristiano Rantin

Depois de uma espera que pareceu mais longa do que deveria – sendo que na verdade foi o quê, uma semana sem episódio? Já nem sei mais – The Gifted chegou ao final da sua primeira temporada. A série que conquistou o coração dos fãs dos X-Men (que estavam cansados de ver apenas os mesmos 5 mutantes recendo destaque e carinho nos filmes) já foi renovada para a segunda temporada e, depois desse final, promete muitas reviravoltas nesse novo ano.

Mas, é claro, vamos começar por partes. Depois de chegar salvando todo mundo e espalhando um pouco de caos, as Irmãs Cuckoos – É, pra mim elas sempre serão Irmãs Cuckoos, mesmo que na série o nome oficial delas sejam Irmãs Frost – também vieram para dividir o grupinho da Resistência, mostrando que existem outros caminhos para vencer uma guerra. Sabe, um caminho que não envolva abaixar a cabeça, ser caçado e massacrado…

Enquanto voltavam a discutir com os líderes da Resistência, as irmãs foram confrontadas por Clarisse, que ficou bastante incomodada com a maneira que as moças planejavam executar seus planos, apenas para receber uma maravilhosa patada que veio junto de uma revelação: Blink já participou da Irmandade dos Mutantes.

É claro que eram outros tempos e ninguém aqui vai julgar a teletransportadora, mas é no mínimo engraçado que ela, que fez o que era necessário para sobreviver, esteja agora toda cheia de mimimi sobre as ações das Cuckoos. Bem, a gente até que pode não julgar tanto a menina, mas Pássaro Trovejante com toda a certeza vai.

Não é no mínimo hipócrita isso? John fica todo revoltado com o fato de que Clarisse já fez parte de uma organização mutante mais barra pesada. Clarisse, a guria com olhos estranhos, cabelo roxo e uma mancha na cara que GRITA que ela é mutante, que nunca pode ter uma vida normal, que foi caçada por Purificadores, que precisou roubar e fazer coisas que ela mesmo se envergonha para sobreviver, recebendo lição de moral de um cara que não só consegue se passar como um humano comum, como também recebeu uma missão e ajuda dos próprios X-Men, enquanto ficava relativamente de boas em um abrigo… É, não foi só eu quem ficou bastante puto com o mutante por condenar tão veementemente a moça né? Espero que vocês também tenham se incomodado com isso.

A trama continua. Blink, Polaris, Pássaro Trovejante e um Eclipse que não para de reclamar e agir como um garotinho mimado – algo que provavelmente não acontecia quando ele torturava pessoas por dinheiro no cartel de drogas… – decidem seguir o plano das Cuckoos e tentar impedir que o Dr. Campbell consiga levar seu projeto dos Hounds a um patamar ainda maior, depois de fazer contatos na convenção de ódio ao mutante.

É interessante citar que o flashback que temos no começo dos episódios, na maioria da vezes não só nos ajuda a saber o tema geral daquele episódio, como também criar certa empatia com os personagens mostrados ali. Você passa a entender ao menos uma parte deles. É, com o Dr. Campbell tudo que entendemos é que ele é um grande babaca que, mascarando seu discurso com ciência, genes e evolução, estimula as pessoas a matarem toda uma espécie em busca da suposta sobrevivência.  

Sim, porque pra ele não existe uma maneira de conviver de forma pacífica com o que a Mãe Natureza “armou” para os humanos, ou você mata ou morre. É, sorte que a gente não vê esse discurso de “morte ao diferente” e todo esse ódio contra aquilo que quebra o modelo considerado “natural” de vida, né? Ah não, pera, a gente que faz parte de grupos minoritários ouve isso o tempo todo…

Depois de muita discussão entre os membros dessa operação, vemos eles finalmente agindo. As Cuckoos desovam o empresário racista que serviu para que eles entrassem ali, Polaris manipula as ondas de sinal de telefone e rádio, Blink teleporta os rapazes lá dentro – depois de beijar apaixonadamente Jhonny, que finalmente pediu desculpas pra ela. Sabe, o cara que acabou de enterrar a namorada, aquela ruiva que morreu do seu lado, a que morreu não faz nem uma semana… (Desculpa pessoal, mas não dá pra shippar um casal assim. #SonyaMereciaMais).

E então Eclipse e Pássaro Trovejante falham em todas as coisas que eles deveriam fazer funcionar. Com todo esse discurso de “Nós não matamos”, “Nós somos melhores que isso” e tudo mais, os dois simplesmente deixaram o Dr. Campbell fugir enquanto apontava uma arma para uma criança, quando eles poderiam ter matado ele rapidamente e fugido.

Com o plano dando errado, coube a Polaris fazer o que precisava ser feito. A moça que não só está tendo que lidar com toda a sua mudança nos poderes, como também com o fantasma do Magneto e seu legado que paira sobre ela – ainda mais agora que as Cuckoos chegaram para reforçar isso – decidiu que se ela quer que o mundo seja um lugar melhor para seu filho – e sua espécie – ela precisa fazer isso com as próprias mãos.

E como ela faz isso? Derrubando um avião, matando assim o Dr. Campbell e o senador racista – e purificador – que estava criando uma cruzada contra os mutantes. Em uma cena incrível, vimos a nossa heroína finalmente lidando com a situação como ela é, fazendo o que fosse necessário para sobreviver (mesmo que ela não gostasse disso) e matando seus inimigos, antes que eles pudessem matar toda a espécie dela.

Ao invés de ficar chorando que os X-Men escolheram eles por um motivo, que eles não matavam e que eram melhores que isso, Polaris entendeu que enquanto eles continuarem abaixando a cabeça e fugindo, eles serão caçados e mortos sem piedade. Não existe convivência pacífica e nunca vai existir (e a série nos provou isso desde o início), então é melhor ela lutar para proteger seu filho e seus colegas de espécie da ira dos humanos. Em outras palavras: MAGNETO TINHA RAZÃO!

Enquanto a moça lidava com isso, a Resistência mutante tinha que lidar com o Serviço Sentinela, que não só descobriu onde era a sede deles, como mandou seus Hounds para fazer o serviço sujo e matar todo mundo. Sim, nada de fazer prisioneiros, as ordens do Agente Turner era de matar todo mundo ali dentro – mulheres e crianças inclusas.

Por sorte os papais Von Strucker estavam a postos e assumiram a liderança (já que aparentemente a Sábia é figurante demais para organizar os mutantes para uma fuga). Enquanto Reed liderava um ataque com todos os mutantes treinados por Polaris, Caitlyn mandava em todo mundo fazia com que todos ajudassem a abrir um túnel através do cofre.

O plano dá certo, mas não antes dos Hounds entrarem no abrigo. Sem outra escolha Fenris (Andy e Lauren) decidem ficar para destruir o local, dando mais tempo para que todo mundo pudesse fugir.

Infelizmente, isso significava matar todos os Hounds que estavam ali – um trauma que com toda certeza irá pesar nos dois na próxima temporada, mas que como todo mundo entendeu, ainda que eles fossem mutantes e não estivessem ali por escolha deles, ou eles faziam isso ou acabariam morrendo.

No final do episódio, com todo mundo reunido – exceto Polaris, que fugiu com as Cuckoos – vemos um grupo de mutantes menor do que tínhamos no começo da temporada. A maioria das pessoas sem esperanças para continuar fugindo e se escondendo, especialmente agora que eles perderam tudo que tinham construído nos últimos anos.

Até porque a destruição do abrigo deles serviu como uma bela metáfora para o que acontece com os mutantes nesse momento: Eles perderam tudo, desde seu “lar” e poucos bens materiais, até amigos e colegas nessa cruzada. O sonho que os X-Men tinha para eles não os protegeu dos terrores que eles tiveram que passar para sobreviver.

Enquanto Marcos, John e os Von Strucker continuam com o discurso de “juntos somos mais fortes”, “tenham esperanças”, “vamos continuar fugindo”, vemos uma Lorna ainda mais linda e bem vestida – com toda certeza patrocinada pela riqueza do Clube do Inferno – dizendo a verdade:

“Não existe nada nobre no sofrimento, Marcos. E sacrifício é apenas um nome bonitinho para derrota. […] E eu estou dizendo a verdade a eles. A Resistência Mutante está morrendo. Aquele mundo onde não precisamos nos esconder que a gente sempre falou dele? Eu quero construir esse mundo. Para todo nós. Para o meu bebê.”

E é exatamente isso. A moça cansou de jogar um jogo em que só os mutantes perdem. Isso é uma guerra e chegou a hora de tratar isso pelo nome certo. Por isso ela não voltou para a Resistência para fazer amigos, ela voltou para pegar aliados (incluindo a Sábia, que com sorte vai ter destaque na próxima temporada).

Quem também decide ir pro lado de Lorna é Andy que desde muito tempo tem batido na mesma tecla: É hora de lutar, de fazer com que eles tenham medo dos mutantes e não o contrário. É claro que a separação de Fenris não só chega para trazer drama (e trama) para a próxima temporada, mas também para nerfar os poderes dos dois, afinal Andy e Lauren são poderosos demais juntos. Separar eles garante alguma dificuldade para os dois, sem que tudo seja resolvido fácil demais (ou tenhamos recursos de roteiro toscos para justificar os dois não utilizando o poder deles).

Então é isso. A primeira temporada de The Gifted chega abordando coisas que os filmes dos X-Men nunca conseguiram fazer – especialmente pela falta de tempo para desenvolver tramas. A série mostrou um mundo onde os mutantes são temidos e odiados, caçados e mortos apenas por serem quem eles são, mostrou os dois lados dessa guerra e como os pensamentos são diferentes entre os próprios mutantes e criou muitas tramas interessantes para essa nova temporada.

Minha aposta é que agora veremos menos do Programa Sentinela e mais do Clube do Inferno e dos Purificadores. De qualquer forma, eu como fã dos X-Men estou especialmente orgulhoso do seriado, do que está sendo trabalhado e do fato de que teremos mais dessa série maravilhosa.

Ah, é importante lembrar que a moça que visita Polaris no hospital (durante o flashback do último episódio) é uma personagem que também existe nos quadrinhos. Evangeline Whedon é uma advogada aliada dos X-Men capaz de se transformar em um dragão quando entra em contato com sangue. A série parece ter adaptado os poderes dela para não precisar dessa exigência, e deixar que ela controle essa habilidade. Pelo visto ela deve ganhar algum destaque na segunda temporada.

Mas o que vocês acharam do episódio? Se conseguiram ler todo esse textão (foi episódio duplo, então o textão também era duplo!) vocês merecem os meus parabéns. Nos vemos na próxima temporada – ou nas outras reviews que escrevo.

Até lá, vejam a nossa galeria sobre a série:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"