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Fugitivos: 1×09 – Clube dos Seis!

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

É oficial, por mais que nos doa no coração. Fugitivos irá lançar, na próxima semana, o último episódio de sua primeira temporada. E é muito interessante observar como a série conseguiu se construir e erguer um material novo – e de muitíssima qualidade – a partir da primeira revista da equipe nos quadrinhos, lançada há mais de dez anos.

Essa semana, a Hulu exibiu o nono capítulo, que serve como uma transição para os grandes problemas da equipe até o final brutal, que deve transformar bastante a equipe composta por Nico Minoru, Chase Stein, Alex Wilder, Karolina Dean, Molly Hernandez e Gert Yorkes. E sinceramente… que episódio da p*[email protected]!

Logo após a quase-morte de Victor Stein – que continua sendo mantido em um estado de coma pelo ORGULHO, para que possa ser usado nos planos futuros de Jon… tá, do Doutor Destino – a equipe encontra-se fragilizada, conforme Nico descobre os segredos mais profundos que levaram ao suposto suicídio de sua irmã mais velha, Amy.

Por outro lado, outra que anda descobrindo muitas verdades sobre si mesma é Molly. Aqui, ela finalmente descobre a razão pela morte de seus pais, e o público entende um pouco mais a origem de seus poderes – que, para a infelicidade geral, parece mais ter a ver com algumas pedras bizarras do que com dons mutantes, como era nos quadrinhos (poxa Marvel… bastava não ter dado explicação alguma, e deixado a origem de seus poderes em aberto). Durante o resto do episódio, ela fica se escondendo no mato e surgindo sempre que pode.

Esses fatores, aliados ao faniquito que fez com que Chase destruísse todas as provas contra os vilões, têm deixado a equipe cada vez mais fragmentada. Mas se tudo, o nono episódio veio para mostrar como eles ainda podem ser aliados e, principalmente, amigos.

Aqui, seguimos a típica história de qualquer filme adolescente – mas com algumas reviravoltas: acompanhamos a equipe enquanto todos eles vão a um baile na escola. Porém, o baile não passa de uma forma para que eles possam despistar seus pais e investir em um plano para derrotá-los, enquanto derrubam seus planos no terreno que está sendo escavado a mando do Doutor Destino… e aqui entra um dos meus únicos problemas com toda a história da primeira temporada até agora: Jonah.

Sinceramente, eu não sei o que a série pretende fazer com o vilão, ou se ele será uma figura a ser usada na próxima temporada. Mas até agora, o personagem só conseguiu se provar instável, incoerente e misterioso de uma forma ruim.

No episódio, finalmente descobrimos seus planos e a necessidade do ORGULHO neles. Aparentemente, o vilão quer as pedras – as mesmas que podem ter dado os poderes de Molly – para extrair algum tipo misterioso de energia. Ainda assim, não fazemos ideia se ele quer isso para uso próprio ou se tem algum propósito superior. De qualquer forma, eu fico um tanto quanto decepcionado, principalmente porque isso excluiu – ou, na melhor das hipóteses – faz um rodeio desnecessário em cima de um dos melhores elementos das HQs: os Gibborim.

Seria muito mais fácil – e até mesmo interessante – que a série se mantesse fiel nesse sentido aos quadrinhos originais de Brian K. Vaughan e Adrian Alphona (e quem acompanha minhas matérias e reviews há algum tempo, já sabe que fidelidade nunca é algo que eu considere “essencial” em adaptações de HQs). Eu compreendo a necessidade de um vilão “menor”, afinal de contas, 1. é uma primeira temporada, 2. é uma série baseada em personagens desconhecidos, portanto é arriscada e 3. o orçamento deve ser bem limitado. Ainda assim, seria melhor focar apenas nos pais, caso eles tivessem esse planejamento, deixando qualquer “superior” do ORGULHO para um segundo ano.

Outro elemento que me incomoda – e sempre me incomodará, pois é fruto desse Universo Cinematográfico de Taubaté – é a cena em que a parceira de Darius Davis conversa com ele. Em algum momento, ele descreve os Fugitivos e ela (para variar) fica descrente e pergunta se ele voltou para as drogas. Se esse é mesmo o universo em que supostamente existe um Homem de Ferro e um Hulk, acreditar em uma menina que brilha ou em uma luva que solta raios é o de menos.

Passada as reclamações, vamos aos elogios:

Assim como o oitavo episódio, o nono se mantém em uma qualidade narrativa e estética excepcional. E aqui, temos até um bônus em relação ao capítulo anterior, uma vez que o humor não é problemático e não corta a seriedade de momentos mais dramáticos (com exceção, talvez, da última conversa entre Chase e Gert, enquanto eles tentam “determinar seu relacionamento”).

E por falar em relacionamento, esse, sem dúvida alguma, foi um grande episódio para os shippers, já que dois novos casais foram finalmente formados. Chase e Gert mandam ver, com direito a uma cena bem sensual, enquanto Nicolina (e sim, eu chamarei dessa forma) protagoniza seu primeiro beijo. E para a surpresa geral, Karolina investe, mas Nico não recusa, como nas HQs. Em vez disso, ela retribui, o que eu, pessoalmente, acho algo bem interessante, já que é pouco provável que resolvam abordar a relação de Karol com Xavin, já que a personagem demanda de explicações e efeitos especiais absurdos.

Além disso, caso Nico realmente permaneça com Karolina, será um desenvolvimento novo para a personagem, que pode render bons frutos. E, é claro, yay, representatividade bissexual.

Narrativamente falando, a trama flui muito bem, tirando os momentos onde o Doutor Destino dá as caras para ser um vilão genérico e sem um propósito muito profundo. Acho que esse é meu episódio favorito de interação entre os personagens, principalmente devido às incríveis tiradas sarcásticas de Gert. Eu realmente preciso emoldurar na minha parede a cena em que ela diz para Alex que o clube do audiovisual é literalmente o único clube usado em todos os filmes adolescentes para mostrar como uma pessoa não é legal.

Por outro lado, os pais também têm seus momentos. Um que se destaca bastante ao longo do episódio é Frank Dean, que virou amiguinho do Doutor Destino e já está usando essa influência para trair sua filha e os Fugitivos. Os Yorkes também têm momentos muito bons, e continuam se provando como as únicas pessoas redimíveis dentro do grupo.

O final do episódio traz um momento fantástico, prenúncio de um confronto icônico. Agora, os adolescentes se reúnem, como uma família, para que possam enfrentar suas famílias verdadeiras. E, ainda assim, isso nos traz algumas surpresas inesperadas, como o fato de Leslie não saber sobre os poderes de Karolina. O que isso pode significar para a família e suas origens?

Por fim, devo elogiar uma referência muito bem colocada, e que já resolve um dos “problemas” da série: quando Alex sugere que eles deveriam se chamar Fugitivos, devido à todos os problemas dos quais eles fugiram, e de todas as vítimas de seus pais que eles deixaram na mão quanto a isso. É uma mudança curiosa no que diz respeito à essência da equipe, mas certamente tem um peso dramático muito poderoso.

E agora, tudo que podemos esperar é o inevitável confronto final… ou será que não?

Abaixo, confira algumas imagens do episódio:

Fugitivos vai ao ar às terças-feiras, na Hulu. Não perca minha review semanal da série às quintas, aqui na Legião dos Heróis!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux