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Esportes eletrônicos são reais se você acreditar neles!

Por Felipe Vinha

Não queria começar este texto com o já velho clichê de que “olha só! Você pode ganhar dinheiro jogando joguinhos!”. Isso já é uma realidade há muitos anos, de verdade. Já temos uma tradição antiga de torneios de Counter-Strike no Brasil, desde a época de ouro das lan houses, além de campeonatos de “lutinha” – isso sem falar em jogos populares mais recentes, como League of Legends ou Overwatch, que estão entre os principais do cenário competitivo, ou melhor, do esport, o esporte eletrônico.

O problema é que, ainda assim, muitos não levam a sério a questão do esporte eletrônico competitivo. Há, sim, uma cultura forte de que jogos são para crianças e que não se deve perder tempo com isso, e nem levar tão a sério o que é dito de maneira “acadêmica” sobre como games estão se tornando, e já são, um negócio sério.

Este tipo de discurso é fácil de desmantelar. Basta citar números importantes e imponentes. Um exemplo bem recente foi a pesquisa divulgada pela Newzoo, especializada em analisar este mercado, que estimou que o esporte eletrônico deve faturar mais de US$ 905 milhões até o final de 2018. Só na América do Norte e China teremos mais da metade deste valor: US$ 509 milhões. Uau, né?

Em 2017, foram US$ 655 milhões arreceados, em diversos setores. Para muitas pessoas estes podem ser apenas números grandes, mas é preciso notar que estamos falando de uma mídia que ainda é marginalizada. Apesar de termos valores similares e até maiores no cinema ou música, por exemplo, estas outras mídias já são estabelecidas e respeitadas em todo o mundo, por mais que um gênero ou outro não agrade tanto.

Mas números não são nada sem esforço. É por isso que usei a fatídica cena de “Deuses Americanos” para intitular este texto, adaptada para a nossa realidade: “Esportes eletrônicos são reais se você acreditar neles!”. E muita gente anda acreditando, por mais que o resultado, em muitos casos, seja “ganhar dinheiro” – e sinceramente, qual é o problema nisso?

Nas últimas semanas estive em Brusque, em Santa Catarina, no Sul do Brasil, para visitar o que é conhecido como um “Gaming Office”, do recém-formado time Havan Liberty, conduzido pela rede de lojas Havan, muito popular na região.

Se você não está acostumado com a nomenclatura, não se preocupe, eu explico: trata-se de uma variação do “Gaming House”, que é uma espécie de “Casa de treinamento” para times profissionais de esporte eletrônico.

Este tipo de investimento já é bem comum no Brasil. Em São Paulo existem Gaming Houses de diversos times profissionais de League of Legends, por exemplo: Pain Gaming, Flamengo, Kabum e INTZ são algumas que têm ou já tiveram gaming houses por aqui.

Elas são verdadeiras estruturas preparadas para receber o dia a dia de trabalho dos profissionais do game. Eles podem morar por lá, acordar e dormir, se alimentar, se exercitar, contar com apoio profissional de médicos e psicólogos, relaxar e ter suas horas de laser, treinar a quantidade de horas que forem necessárias, entre outras tarefas – em um ambiente preparado para isso.

O Gaming Office é algo perto disso, mas vai além. Mal comparando, é como se fosse uma empresa comparada a uma casa. Um ambiente ainda maior, com estrutura imensa, estúdio, local de treinamento, sala de reuniões, área de descontração, entre outras necessidades que qualquer jogador ou membro da equipe técnica precise.

O conceito pode parecer estranho para quem não é familiarizado, mas é uma realidade cada vez mais comum no cenário competitivo no Brasil todo. De certo que é mais comum para jogadores de League of Legends, mas, em alguns casos, também abriga profissionais de Overwatch, Counter-Strike, Dota 2 entre outros.

O mais interessante do “office” da Havan Liberty é que ele fica situado fora de um “centro”, ou seja, fora de São Paulo, apostando também em outras regiões para formar “ciber-atletas”. Digno de nota não só o esforço, mas também a estratégia diferenciada e que pode, sim, fazer alguma diferença por toda a estrutura e incentivo. Ah, vale lembrar que eles já estão em busca de jogadores de FIFA.

Qual o prêmio por tudo isso? Como toda e qualquer modalidade esportiva, você pode vencer campeonatos, inclusive com premiação em dinheiro legalizada, e, claro, ganhar por fora, com propagandas e outros benefícios. As empresas que se envolvem também saem ganhando, seja pela imagem ou pelo retorno do investimento realizado – e, neste caso da Havan, deu para notar que o investimento não foi baixo, apesar de não ter sido revelado.

Então, de fato, não queria começar o texto com o velho mote de que “você sabia que joguinho tá dando dinheiro?”, mas vou terminá-lo desta forma. Se você duvidava que o formato daria certo no Brasil, ou se desdenhou de algum irmão ou irmã, primo ou prima mais novos, que te falaram sobre ser jogadores profissionais no futuro, é melhor lembrar das palavras de Ian McShane e começar a repensar as coisas.

Veja ainda imagens do Gaming Office da Havan Liberty:

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sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha