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Arrow: 6×13 – A reviravolta que nunca foi!

Por Felipe Vinha

Então, Arrow, né? Aquela série que todo mundo adora despejar um hate em cima, mas que na real não assiste há algum tempo. Tudo bem, não dá para culpar estas pessoas. Tivemos temporadas sofríveis pelo caminho, até que os chamados showrunners acertaram a mão e deixaram a série… Aceitável novamente, com alguns momentos muito bons aqui e ali.

Após uma quinta temporada excelente, Arrow retorna para continuar sua saga de vigilantismo e ser o verdadeiro “guerreiro urbano” do Universo DC das telinhas. Após um começo conturbado, a série tirou o foco para o problema de acusação de vigilantismo sofrido por Oliver Queen e colocou os holofotes em cima do novo vilão da vez: Cayden James.

Boto fé nesses seriados que fazem bom uso de seu material da temporada passada e continuam com a história quando ninguém mais esperava. Lembra que o mestre hacker foi solto no ano passado, após uma missão conjunta da Helix e o “Team Arrow”? Ele mesmo retorna para atormentar a vida do mesmo “Team Arrow”, ao longo dos últimos episódios, com a justificativa de vingança contra Oliver Queen, que assassinou seu filho.

Em meio a isso tudo temos intrigas, antigos rostos, como Anatoly Knyazev, o KGBesta, se unindo a Cayden, além da Sereia Negra e do “novato” (na série) Ricardo Diaz. O hacker montou sua própria equipe para lidar com os heróis e parecia estar disposto a ir até as últimas consequências, como chantagear Oliver e ameaçar detonar uma bomba que varreria Star City do mapa dos Estados Unidos – onde quer que fique.

Como desgraça pouca é bobagem, os últimos episódios nos trouxeram ainda o cisma no “Team Arrow”, que separou o Arqueiro Verde de três membros de sua equipe: Sr. Incrível, Canário Negro e Cachorro Louco. A situação seria bacana, se não fosse tão forçada. Vamos lá, pessoal, vocês são vigilantes, aguentam várias barras pesadas. Não poderiam parar com essa de “oh, eu não confio mais nele pois ele mentiu para me proteger”? Mas tudo bem, é uma série que ainda tenta passar valores puros aos seus espectadores.

O que nos leva ao episódio 13. O ponto sem retorno. A faca de dois gumes. E com grandes revelações… Ou nem tanto assim. Após construir uma certa tensão entre a equipe de Cayden James e as duas equipes do lado “do bem”, o seriado nos dá uma conclusão que mais parece um season finale, mas que, veja só você, acontece bem no meio da temporada.

Mas temos algumas más notícias. E a primeira delas é que Arrow resolveu voltar com os flashbacks. Pensou que estávamos livros deles? Eu também. Mas ao menos não vemos mais o passado chato e manjado de Oliver Queen, e sim de outros personagens, como Dinah, Vincent e o próprio Cayden James. Ainda que estes flashbacks sejam quase sempre desnecessários, é interessante ver que a série não esqueceu de desenvolver seus coadjuvantes.

E enfim, a história anda para algum lugar! Após rodar alguns algoritmos (sempre eles, né? Mágicos!), Felicity desvenda o segredo por trás da gravação que incriminou Oliver no assassinato do filho de Cayden James. Para evitar que o herói sofra ainda mais e perca sua cidade, o “Team Arrow” corre (literalmente, com direito a participação especial do Flash!) para mostrar a verdade ao vilão, passa a acreditar que há algum traidor dentro de seu próprio grupo.

Enquanto isso, temos mais algumas burrices generalizadas ocorrendo, mas que renderam bons momentos! Dinah Drake resolve usar seus poderes de Canário Negro contra a Sirene Negra, para se vingar pelo assassinato de Vincent, no episódio passado. Tudo bem que ela poderia levar em conta que há uma bomba prestes a explodir a cidade inteira, inclusive ela, mas a heroína não liga muito e, ok, não podemos culpar alguém que está além da razão.

O legal é o resultado: enfim tivemos um confronto digno entre as duas “Canários”. Por mais que a luta tenha sido bem mais ou menos, e tenha sido interrompida, ela serviu para mostrar que, bem tanto Canário, quanto Sirene, estão equilibradas. O poder das duas meio que se equipara e tudo que elas fizeram foi tentar se esquivar uma da outra. Faltou ali uma disputa de gritinho, mas tudo bem, vamos relevar.

A segunda má notícia é que William, o filho do Oliver Queen, saiu do buraco de onde estava escondido nos últimos episódios só para fazer besteira e criar um drama altamente questionável neste “quase season finale”. Sério, foi uma ferramenta de roteiro bem fraca, apenas para aumentar a carga emocional da conclusão. William foi ao local onde o Arqueiro Verde se encontraria com Cayden James para dar um fim ao conflito e descobrir quem seria o traidor de sua organização. O que ele fez ali? Serviu de vítima, em uma situação que nem se encaixa direito na narrativa.

Aos poucos, William tem se tornado um problema que os roteiristas precisam resolver logo. O moleque só está servindo para momentos de choro e remorso. Não é legal manter uma criança neste papel durante muito tempo. Esticar o garoto talvez não seja uma solução adequada, mas hey, quem ganha alguns milhares de dólares para escrever essa série não sou eu, então vou deixar que eles cuidem disso no futuro – estou aqui apenas para julgar as decisões que tomarem.

A conclusão do episódio nos trouxe a “redenção” de Cayden James, que desistiu de explodir a cidade e foi preso para pagar por seus crimes. Oliver decide que vai atender um último desejo do criminoso, que se viu no reflexo de pai do herói, e deixar que ele visite o túmulo de seu filho uma última vez, antes de ver o sol nascer quadrado. Mas nem tudo são flores e… Surpresa! Temos a revelação sem importância da vez.

Em teoria, Ricardo Diaz era o verdadeiro vilão da temporada. Ele manipulou Cayden James para criar conflito com o Arqueiro Verde e gerar todo o cisma em sua equipe, manter o caos ativo na cidade e dominá-la com suas mãos, em vez de destruí-la. Diaz se revela para James na delegacia e conta ainda que quase todos os policiais estão em sua folha de pagamento, enquanto assassina o hacker com uma facada na nuca. Uau, temos um Rei do Crime em Arrow.

A revelação seria interessante, se Diaz se tivessem preparado melhor o terreno. Sabemos que Diaz é a versão da série para o vilão Richard Dragon, mas não vimos nem 10% do que ele é nos quadrinhos por aqui. Artista marcial super treinado? Por ora ele não passa de um mafioso genérico. Não há impacto na revelação e você não fica “meu Deus, como não enxerguei isso antes?”. Não enxergamos, pois não havia importância, até agora.

Por outro lado, é interessante como Arrow tem uma certa liberdade em criar vilões para a série, dado o seu clima de combate urbano, como ocorreu com Cayden James. Quase não há espaço para super-poderes ou pessoas fantasiadas, e isso é legal, pois o diferencia dos outros heróis deste mesmo universo.

Mas tudo depende de como as ideias são administradas. A revelação de Diaz como o grande vilão não foi bem feita, a ponto de nos deixar com uma certa pulga atrás da orelha: será que ele é realmente o grande algoz de Oliver nesta temporada? É o que veremos pelos próximos mais de 10 episódios, aparentemente.

Veja ainda nossa galeria de Arrow, com imagens do último episódio:

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sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha