Aquaman na cultura popular: do ridículo ao épico!

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Aquaman na cultura popular: do ridículo ao épico!

Por Lucas Rafael

O Batman também teve uma fase boba e ninguém zoa ele por isso. O cara usava spray anti-tubarões e toda uma variedade de bugigangas cartunescas, mas já que ali nos anos 80 resolveram que o Batman era dark, obscuro e gótico, essa sina nunca marcou o personagem. Eu nunca entendi o desprezo pelo Aquaman. Sim, a fase do Super-Amigos é ridícula. Todo herói lá no meio fica mais imbecil do que de costume justamente por causa da identidade da animação ser… Meio ridícula, afinal, eram os anos 70. Mas vamos lá, qual foi a da implicância eterna com Arthur Curry?

Não sei como foi o ambiente escolar de vocês, mas em alguns círculos da escola que eu habitava, discussões acerca de super-heróis eram bastante normativas em rodinhas que formávamos na hora do intervalo. Um dia eu disse que achava o Aquaman foda e tive que ouvir represálias. “O poder do cara é falar com peixe”, “Tira ele da água ele faz o quê?”.  Eu nunca quis entrar naquela especificidade de nerd chato, sobre o cara ser forte fora d’água, justamente por que ele aguenta a pressão das profundezas do mar e coisa e tal. Eu nunca consegui entender como as pessoas julgavam risível um personagem que pode surfar uma tsunami usando um tubarão-branco como prancha.

O oceano é um negócio assustador. Eu sei que você já deu aquela tremidinha de leve na base quando algo roçou seu pé na praia. Muita coisa pode te matar dentro do mar. Tem águas-vivas, arraias, corais venenosos. Não vou nem falar de tubarões, enguias, lulas gigantes. Tem peixes do tamanho do seu dedo mindinho emitindo toxinas que vão te deixar em coma por duas reencarnações. Tem icebergs no mar, eles afundaram o Titanic. Como vocês não respeitam um maluco com domínio sobre tudo isso?

 

Esse é o meu Aquaman.

Na minha cabeça, o Aquaman sempre foi incrível e ponto final. Mas divaguei por dois parágrafos, vamos ao ponto da questão: a imagem dele foi arruinada no senso comum da cultura popular por causa daquele desenho maldito dos anos 70.

As cores do traje eram cafonas, os bichos-aquáticos que ele controlava eram coloridos e escrachados e ele era retratado de toda forma banal possível, usando golfinhos como renas e essas coisas. Era quase como se os roteiristas desafiassem os desenhistas do negócio a botarem no papel a maneira mais ridícula possível que o Aquaman teria de usar um cavalo-marinho. E os desenhistas realmente se esforçavam em entregar.

 

Sem condições.

Dali pra frente, o estrago foi feito. A DC sempre tentou trabalhar bem o personagem nos quadrinhos, brincando com esse estigma do “herói-peixe” e tentando fazer Arthur Curry engrenar através de imponência. Mas ninguém lê quadrinhos. As pessoas falam sobre esses personagens incríveis, mas é só uma parcela do demográfico que lê avidamente. Todo mundo assiste televisão. Todo mundo viu o Aquaman dos Super-Amigos. Todo mundo achava que aquele era o Aquaman.

Mais pra frente, no desenho da Liga da Justiça, a tentativa da DC de moldar a percepção popular acerca do Aquaman sofreu mais uma tentativa. Agora ele tinha ares de pirata, cabelos longos, barba e um gancho no lugar de uma das mãos, inspirados em uma fase do personagem nas HQs. Ajudou até, mas o estigma de herói bobo ainda pairava sobre Arthur Curry.

 

Aquaman do desenho da Liga. Yarr, marujos!

Este artigo do The Guardian (em inglês) levanta alguns pontos interessantes. Ali em cima quando iniciei falando do Batman, bem, ele foi um personagem com diversas iterações na cultura popular. Da fase Adam West, passando por Michael Keaton, Christian Bale e demais atores. A percepção pública do personagem era constantemente re-fabricada por um novo filme. O Aquaman ficou preso na fase “Adam West“, por muito tempo. Agora, finalmente a maré de piadas contra o herói Atlante deve baixar.  O novo filme da DC traz Jason Momoa no papel do personagem, e eu quero ver você zoar o Aquaman na cara dele.

 

De traje clássico, e melhor do que nunca.

Só em 2018 o personagem aquático da DC alcança sua redenção. O poder de um filme no senso comum coletivo é incrível. Mas de séries e animações também. Conforme levanta o artigo do Guardian linkado acima, Arthur Curry foi alvo de inúmeras piadas maldosas em animações e programas de humor que não ajudaram em nada a luta da DC nos quadrinhos pela manutenção de sua imagem.

Entre eles, o programa Frango-Robô fez toda uma série de esquetes para zombar do Aquaman, enquanto em Family Guy, o personagem não consegue evitar um assalto sexual por se recusar a sair da água. Coisa pesada.

Ainda bem que o novo filme eleva o personagem a um nível épico, mostrando a natureza política e destrutiva de Atlântida, com seu soldados se locomovendo em cima de tubarões que vestem armadura.

Finalmente o personagem vai ser rebootado em nossa psique coletiva, passando a ter uma nova imagem dentro da cultura popular. É o que eu espero, pelo menos. Desejo de coração que todas as criancinhas pró-Aquaman possam admitir sua admiração pelo herói sem medo de serem felizes nas rodinhas formadas durante a hora do intervalo.

Veja ainda nossa galeria de Aquaman:

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais