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Aquaman e Shazam são o “raio de esperança” da DC nos cinemas?

Por Guilherme Souza

Desde o finalzinho dos anos 70, a Warner Bros. se encarregou de produzir filmes baseados nos personagens da DC Comics, entretanto, com toda essa expertise em produções de quadrinhos, o estúdio ainda tem muitos problemas para conseguir engrenar o tão almejado Universo Estendido DC (chamado de DCEU para os íntimos).

Grande parte dos problemas que a DC enfrenta nos cinemas atualmente são um reflexo de todos os anos que a Warner dedicou à produção de filmes focados exclusivamente no Superman e no Batman. Embora fazer filmes de super-heróis possa parecer um negócio antigo, fazer o que a Marvel fez com seus filmes é algo extremamente novo na indústria cinematográfica.

Sim, estou citando a Marvel dos cinemas para falar sobre a DC, mas essa relação é necessária, já que o DCEU nasceu da necessidade de competir com o Universo Cinematográfico Marvel. Aliás, a Liga da Justiça foi apresentada de forma tão brusca nos cinemas justamente para não perderem tempo em criar um oponente comercial para os Vingadores, mas falaremos mais disso adiante.

Além da Marvel e seu Universo Cinematográfico, outro fator que motivou a Warner a investir mais nos personagens da DC foi o sucesso estrondoso da trilogia do Batman de Christopher Nolan. Por falar no Batman de Nolan, o DCEU teve sua base formada por conceitos estabelecidos pela trilogia, ao tentar humanizar o Superman e mostrar uma versão mais realista do herói.

Com uma visão inicial formada, Zack Snyder foi incumbido de fazer com ela se concretizasse. Embora Snyder seja um ótimo diretor visual – e que muitos considerem que o Watchmen dele é o melhor filme de super-heróis já feito – não podemos dizer que ele é um diretor que obteve muito sucesso em sua carreira. Com exceção de 300, a carreira de Snyder é marcada por produções que acabam dando prejuízo e que não são muito bem-recebidas pelo público e crítica.

Mesmo com esse histórico, a Warner estava determinada a confiar o Universo DC às mãos de Snyder, porém essa talvez não tenha sido a melhor decisão feita pelo estúdio. Por mais que o diretor tenha criado alguns conceitos interessantes e feito algumas escolhas corretas, não podemos dizer que a visão dele para os personagens foi positiva, principalmente no que se refere ao Superman.

Nos quadrinhos, o Superman é conhecido como um herói otimista, confiante e um verdadeiro símbolo de esperança, mas nos cinemas, Snyder resolveu abordar o personagem de outra maneira, colocando-o como figura messiânica e com falhas humanas. É claro, o trabalho dele não é ser roteirista, entretanto, não podemos negar que um diretor possui a palavra final nas produções em que trabalha, além do fato de que muitas das decisões criativas são feitas por ele, com isso, não podemos isentá-lo da culpa.

Depois da recepção extremamente negativa de Batman vs Superman: A Origem da Justiça (e do faturamento muito abaixo do esperado para um filme desse calibre), a Warner decidiu que precisava mudar sua direção narrativa, que estava em desacordo com o que o público-alvo que eles desejavam queria, e assim, nasceu o tenebroso Esquadrão Suicida.

Não me entendam mal, não estou dizendo que ninguém quer ver um filme de super-heróis mais adulto e realista, pelo contrário, já tivemos muitas provas de que isso funciona, porém a partir do momento em que a Warner quer colocar a DC para rivalizar com a Marvel nos cinemas, devemos levar em conta o fato de que o público da Marvel está acostumado com narrativas mais leves e divertidas.

Além do mais, temos que nos lembrar também de que a DC não é sinônimo de trevas, pelo contrário, a editora está cheia de narrativas e personagens divertidos e descompromissados. Sim, o Batman é sombrio, mas estamos falando de um universo onde diversos personagens diferentes terão seus próprios filmes, ou seja, não dá pra fazer com que todos eles se pareçam com o Batman não é mesmo?

Foi aí que veio Mulher-Maravilha, o primeiro filme de uma super-heroína, e mesmo com toda a apreensão do público, o longa acabou se provando um verdadeiro sucesso, mas existe uma razão muito clara para isso. Além de toda importância no que se refere à representatividade feminina, podemos dizer que Mulher-Maravilha foi feito da maneira correta, respeitando as características básicas da personagem e colocando em tela uma heroína segura de si mesma e que exala esperança.

Daquele momento em diante, parecia que a DC havia encontrado seu caminho e que estava pronta para encarar a Marvel, porém sabemos que não foi isso que aconteceu. Finalmente havia chegado o tão aguardado momento de vermos a Liga da Justiça nos cinemas, considerada uma das maiores equipes de super-heróis dos quadrinhos, os fãs mal podiam esperar para finalmente verem a materialização de um sonho, mas o sonho acabou se tornando um pesadelo.

Mesmo com toda a rejeição, Zack Snyder estava de volta e pronto para dar vida à Liga da Justiça, porém mais uma vez, o diretor acabou sendo uma vítima de si mesmo. Snyder estava disposto a finalizar sua visão narrativa, trazendo o Superman de volta e dando o pontapé inicial para a apresentação de Darkseid, mas parece que ele não havia aprendido com os erros do passado e mais uma vez, caminhava para um filme com uma narrativa “inchada”, personagens que destoam de suas contrapartes nos quadrinhos e diversos outros vícios que o diretor ostentava.

Com isso, a Warner decidiu dar um basta em Snyder e colocar outra pessoa em seu lugar, mas talvez isso tenha sido feito tarde demais. Foi então que Joss Whedon, o responsável pelo sucesso estrondoso de Vingadores, foi trazido para o projeto, com o objetivo de fazer com que a Liga da Justiça fosse tão bem-sucedida quanto a equipe da Casa das Ideias.

Entretanto, Whedon subiu a bordo faltando poucos meses para que o filme chegasse aos cinemas, e além de ter que reescrever cenas do roteiro, teve que comandar as regravações às pressas. Hoje em dia, filmes de super-heróis são sinônimo de efeitos especiais, o que significa que a pós-produção precisa de tempo para trabalhar bem as cenas que requerem computação gráfica, mas Liga da Justiça não teve isso. Além da falta de tempo para regravar, Whedon teve que trabalhar com um Ben Affleck que estava visivelmente acima do peso, um Henry Cavill de bigode e inserindo digitalmente algumas locações usadas por Snyder nas gravações iniciais.

O resultado obviamente foi desastroso e isso se refletiu na bilheteria vergonhosa da produção. É claro, a maior culpada de tudo isso foi a Warner, que aceitou deixar Snyder no comando de uma produção dessa magnitude, mesmo depois de Batman vs Superman, mas, pior ainda, foi o estúdio ter decidido não adiar o lançamento para que Whedon tivesse mais tempo para refinar seu trabalho.

Depois do lançamento de Liga da Justiça, os fãs (e o mundo) pareciam ter perdido suas esperanças no DCEU. Tanto que Aquaman estava completamente desacreditado, já que o público desistiu de criar esperanças com produções que poderiam ser um verdadeiro fracasso, mas ao que parece, nem tudo está perdido.

Durante a San Diego Comic-Con 2018, a Warner estava determinada a mostrar que a DC ainda tem muita lenha para queimar e ao que parece, eles conseguiram. Com a revelação do primeiro trailer de Aquaman, podemos ver que o estúdio parece ter entendido o recado, nos apresentando um filme atraente visualmente, que contém humor, leveza, ação e heroísmo.

Essa segurança se tornou ainda mais intensa quando vimos o primeiro trailer de Shazam!, ali, o estúdio mostrou que realmente havia deixado para trás a depressão e os tons sombrios para dar lugar às cores, alegria e tudo o que os fãs de filmes de super-heróis mais gostam. Muitos irão dizer que a DC se rendeu à Marvel, para essas pessoas, eu digo que o estúdio apenas está sendo fiel aos quadrinhos, e mais importante de tudo, sendo honroso com os personagens.

Ainda é cedo para dizermos que tudo está perfeito, porém o pouco que vimos já foi o suficiente para notarmos as mudanças e isso é ótimo. Não podemos nos esquecer que a grande maioria dos super-heróis foram criados em épocas de guerra, para servirem como um símbolo de esperança para as crianças, e mesmo depois de tantos anos, o mundo continua precisando de otimismo e esperança, portanto, ter heróis que inspirem isso é excelente.

Como dito acima, a DC pode continuar trabalhando as tramas sombrias e realistas, desde que faça isso com os personagens certos. Depois de tantos anos fazendo filmes do Batman, é bom ver que outros personagens estão ganhando destaque. Independente do que aconteça, meu coração de fã se alegra por saber que ainda existe esperança para o DCEU.

Fique com imagens de Shazam!

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