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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×14 – O Homem Duplicado!

Por Gus Fiaux

Mais uma semana, mais um episódio de Agentes da S.H.I.E.L.D., e devo dizer que estou muito feliz com o andamento atual da série, uma vez que deixamos de lado todo o lenga-lenga espacial e começamos de fato a história que importa, dos heróis na Terra e no presente tentando fazer de tudo para impedir o futuro fatídico que eles testemunharam com seus próprios olhos.

Após o episódio anterior, que apesar de simples, conseguiu colocar a quinta temporada definitivamente nos trilhos, chegamos a “The Devil Complex”, um dos capítulos mais aterrorizantes já lançados da série, e que mostra muito bem todo o desenvolvimento psicológico de Leo Fitz, que já não tem estado muito bem da cabeça desde que retornou do Framework.

Resumindo em poucos detalhes para quem ainda não viu, antes de começar a entrar em spoilers pesados – então, se você ainda não viu o episódio, saia daqui o quanto antes e vá procurar se apurar da trama o mais rápido possível! – no episódio, vemos Fitz sendo confrontado por sua versão sombria, o Dr. Leopold, que era um dos líderes da HIDRA na realidade virtual construída por AIDA.

Claro que acabamos de sobreviver ao 100º episódio da série, onde uma fenda dimensional foi aberta e vários medos dos personagens estão escapando. Achávamos que o Fitz Sombrio era apenas mais uma dessas assombrações bizarras – e é justamente nisso que o episódio nos dá uma surra e faz a melhor reviravolta da série em anos.

Não existe um “Fitz Sombrio”. Tudo que testemunhamos, ao longo da trama, é um transtorno de personalidade do próprio Fitz, que sabe que algumas tarefas, por mais brutais que sejam, são necessárias pela sobrevivência não apenas da equipe, mas também do planeta.

E é assim que se dá o plano final do cientista: removendo o dispositivo que restringia os poderes da Tremor, o que é preciso para que ela manipule o gravitonium, fechando de vez a brecha dimensional, para que nenhum outro horror cósmico possa escapar dela.

O curioso, no entanto, está em perceber como isso afeta diretamente a mentalidade do personagem, já que representa uma mudança significativa para Fitz. Após passar tanto tempo fugindo da realidade e de seus problemas, agora ele chega a uma conclusão sinistra: não importa o que faça, os eventos do Framework o modificaram permanentemente, e ele agora possui um demônio em seu ombro, que pode por em risco todos os seus colegas e aliados.

E a primeira pessoa em quem ele pensa, obviamente, é Jemma Simmons.

Eu sinceramente já estava desconfiando. Cinco anos de Agentes da S.H.I.E.L.D. nos quais nunca me vi tão apegado por um casal de ficção. E foram cinco anos extremamente sofridos, porque qualquer vislumbre de felcidade sentido por FitzSimmons logo era jogado no lixo por um futuro desesperançoso e cruel.

Primeira temporada? Afogados por Grant Ward. Segunda? Separados pelas sequelas físicas e mentais deixadas em Fitz. Terceira? Distantes a um universo de distância. Na quarta eles estavam bem. Aí veio o Framework. A quinta precisava ter um elemento sombrio para o casal, principalmente depois de seu casamento.

E embora isso seja algo interessante, confesso que queria que eles simplesmente ficassem bem. Tudo bem que Agentes da S.H.I.E.L.D. sempre fez a devida questão de levar seus protagonistas ao limite, e isso é uma parte essencial do que torna a série tão espetacular, mas ainda assim, seria interessante ver um final “feliz” para esse casal, porque ainda precisamos ter fé que as coisas vão ficar bem.

Pelo menos, tivemos a sensacional cena em que Deke finalmente revela a Simmons que ela é sua avó. E que cena – transitando momentaneamente entre a máxima emoção e o humor, de uma forma muito consciente.

Por outro lado da história, o núcleo restante da série teve uma trama legal, conforme Coulson e May capturam a diabólica General Hale, apenas para descobrir que é uma cilada armada por ela. Eu estou gostando bastante do desenvolvimento dos vilões, mas o plot desse episódio em si me incomodou um pouco por um retorno pelo qual ninguém pediu: o do Superior, da quarta temporada.

Acho que minha cota de vilões megalomaníacos interpretados por atores forçados já foi preenchida com Kasius e o filho de Von Strucker, nessa temporada.

Por outro lado, o verdadeiro interesse para mim está na “cena pós-créditos” do episódio, que é uma das mais estarrecedoras que Agentes da S.H.I.E.L.D. se propôs a fazer. Na cena, vemos Hale falando com algum superior, apenas para descobrir que ela está se comunicando com um agente da HIDRA, e que provavelmente também faz parte da organização.

Isso já era um tanto quanto esperado, principalmente depois que os fãs descobriram que a série pode estar migrando para seu final. Faz sentido que os produtores queiram encerrar fazendo referências à organização terrorista, considerando toda a importância que ela sempre teve na história da S.H.I.E.L.D., tanto dentro quanto fora da série.

Porém, ainda há algumas reviravoltas guardadas que podem impressionar – e muito. A exemplo, posso dizer que toda a ambientação da cena é um tanto quanto intrigante. Há uma iluminação e caracteres estranhos atrás de Hale, o que pode sugerir algo maior do que imaginávamos.

E principalmente, se levarmos em consideração o teaser do próximo episódio, podemos imaginar algo impensável: A S.H.I.E.L.D. e a HIDRA vão ter que se aliar para impedir o futuro catastrófico e a chegada dos Kree. Se isso vai dar certo ou não, só o futuro nos dirá.

De qualquer forma, eu estou mais que feliz. Demorou, mas Agentes da S.H.I.E.L.D. finalmente voltou a me colocar em um nível de empolgação que eu pensei que não teria na quinta temporada. Agora, estou mais que ansioso pela reta final da trama, e pelo possível encerramento da série, pois sei que, mesmo que acabe, ela está nas melhores mãos possíveis.

(Mas ainda assim, queria que deixassem meus FitzSimmons em paz e eles pudessem ser minimamente felizes.)

Abaixo, você pode conferir algumas imagens promocionais do episódio:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar todas as sextas-feiras, na ABC. Aqui, você pode conferir minha review semanal da série, que sai todas as segundas-feiras (ou excepcionalmente, como hoje, nas terças).

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux