Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×12 – Uma Dobra no Tempo!

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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×12 – Uma Dobra no Tempo!

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

Quem acompanha Agentes da S.H.I.E.L.D. há muito tempo, sabe que o episódio da semana passada foi histórico. “The Real Deal” foi o centésimo capítulo da série, e sua divulgação prometia algo estrondosamente épico. Agora, o episódio já foi ao ar, e eu devo começar essa review dizendo que estou igualmente surpreso e feliz, mas também decepcionado.

Talvez, o maior erro de “The Real Deal” seja justamente o peso de ser o 100º episódio da série. Isso, e apenas isso, já colocou uma responsabilidade tão grande sobre os ombros de Jed Whedon, Maurissa e Kevin Tanchareon, que sempre produziram a série com uma afeição notável e esplêndida.

Sei também que minha opinião é controversa. Sei que muitos de vocês (sobretudo os que apenas leram o primeiro parágrafo) vão descer aos comentários para xingar e provar o quanto estou errado. Ao mesmo tempo, também sei que há aqueles que também concordam comigo, e explicarei os motivos.

Desde o começo da quinta temporada, quem acompanha minhas reviews sabe que eu não tenho estado tão empolgado com a trama espacial. O lançamento logo após o – excelente – quarto ano da série, aliado à algumas decisões de roteiro e personagens novos não tão carismáticos (pode sair pela escotilha, Kasius) têm tornado os primeiros episódios dessa nova temporada especialmente difíceis para mim.

Ainda assim, o 11º episódio trouxe uma melhora surpreendente. Após finalmente voltarem ao “presente” – que permanece como o “futuro“ deles –, os agentes passaram a enfrentar uma ameaça bem mais interessante, na figura diabólica de uma general misteriosa. E eles só começam a sofrer revés atrás de revés, conforme eles são traídos por uma aliada e YoYo perde seus braços em uma das cenas mais chocantes da série.

Isso em si já havia jogado as minhas expectativas para o 100º episódio no infinito, especialmente depois de tantas entrevistas fenomenais de toda a equipe e do elenco. E o episódio em si começa muito promissor, conforme a explosão dos três monólitos, vista no capítulo anterior, abriu uma brecha tenebrosa no espaço-tempo, fazendo com que diversas figuras do passado dos personagens retornassem para enfrentá-los, extrapolando seus piores medos.

Até aí, temos uma premissa sensacional… até que ela começa a ser executada. No episódio, vemos Coulson revelando qual foi o grande pacto feito com o Motoqueiro Fantasma, para que ele próprio pudesse possuir o Espírito da Vingança para derrotar AIDA, no último episódio da temporada anterior.

Aqui, sabemos que o líder da equipe está morrendo lentamente, e que seus tecidos celulares começaram a perder vida como parte da barganha, para que ele finalmente possa se livrar dessa vida perigosa. Claro que isso deixa os membros da equipe irados, e traz momentos verdadeiramente emocionantes entre Phil e May ou Daisy. Nunca antes julguei Chloe Bennet e Clark Gregg como os atores tão bons que foram neste episódio. De longe, pudemos sentir toda a dor presa em Tremor, e o medo em ver Coulson morrendo, que é algo que reflete muito nos fãs.

Porém, as coisas pioram quando Coulson decide que vai salvar tudo e todos sozinho – afinal de contas, se ele é o moribundo, é ele quem deve se sacrificar, caso seja necessário. Óbvio que isso gera revolta entre a equipe, mas no fim, todos aceitam. E o agente parte em busca de uma jornada perigosa, reencontrando vários fantasmas de seu passado.

Em uma dessas alucinações, ele vê o Deathlok – sim, lembra daquele personagem da primeira temporada que ninguém suportava? Ele mesmo! – dizendo que ele não sobreviveu ao ataque de Loki em Os Vingadores, levando-o a crer que tudo que viveu depois de sua ressurreição não passou de um sonho à beira da morte.

Claro que isso é uma mentira… e do nada, surge o verdadeiro Deathlok, pronto para ajudar o herói a cumprir sua missão. E basicamente, é a isso que se resume o cerne do 100º episódio: o Deathlok matando todos os inimigos em frações de segundo, incluindo figuras excepcionais da série, como o Chibata e o Hive – que foram partes importantíssimas na divulgação do episódio.

E tudo bem que a cena de ação em si foi extremamente competente, mas não podemos deixar de nos sentir incomodados. Tínhamos a chance perfeita de ver cada herói confrontando seu pior medo – em conflitos que seriam verdadeiramente memoráveis.

Digo, imagine ver May enfrentando Chibata, e confrontando todos os seus sentimentos não-ditos e o “não-adeus” para seu ex-marido? Ou então ver Daisy enfrentando Hive, que poderia assumir a forma de um dos personagens mais amados/odiados da série, o traidor Grant Ward? Ou (melhor ainda) ver Fitz tendo de lidar diretamente com a Simmons robótica, ressuscitando todos os seus medos do Framework?

Pois é, isso é jogado para o alto. E uma coisa que poderia ter facilmente resolvido esse problema era transformar o episódio em um especial de duas horas, como acontece com a maior parte dos eventos realmente memoráveis nas séries de TV.

Outro elemento que seria interessante – ainda que mais complicado – era trazer de volta alguns personagens verdadeiramente amados da série. Há anos os fãs imploram pela participação de Bobbi Morse, a Harpia, desde que a personagem abandonou seu posto de agente na terceira temporada. Ou então trazer de volta o próprio Motoqueiro Fantasma, que é simplesmente essencial para a história do episódio.

Não entendam mal: não fosse o 100º episódio da série, “The Real Dealseria um episódio perfeito, pois traz algo que os fãs da série realmente gostariam de ver. Mas ainda assim, não é o suficiente para preencher o hype construído.

Por fim, temos o grande ponto alto do episódio, que é o casamento de Fitz e Simmons. Vocês já devem estar carecas de saber o quanto eles são meu casal favorito do Universo Cinematográfico da Marvel, e nesse momento eu já estava desidratando em lágrimas e felicidade – apesar dos convidados não trazerem à tona amigos importantes da dupla, como a própria Harpia ou Lance Hunter.

E, no fim, a grande revelação que absolutamente ninguém esperava: Deke, de alguma forma, pode ser o neto do casal… e por isso tem conhecimentos tão importantes a respeito do passado da Terra – e seu futuro.

Embora isso tenha sido realmente chocante e surpreendente, e nos mostre o quanto Fitz e Simmons ainda têm a evoluir juntos, ajudaria um pouco mais se Deke fosse um personagem minimamente “gostável”, e não apenas o cara galãzinho com um pouquinho de charme, mas que sabe ser um cafajeste de primeira. Nesse sentido, ele parece apenas uma versão B de Grant Ward desde o dia em que foi introduzido, e não ajuda a revelação a salvar de vez o 100º episódio.

Mas nem tudo são males. Pelo que entendemos, a trama desse capítulo vai trazer repercussões sombrias no futuro – com direito a uma freira assustadora que dá as caras logo que a fenda dimensional se abre. Além disso, a chegada de Deke pode servir para mudar o jogo para os Agentes e para a Terra, já que ele é uma figura nova no meio dessa trama.

E, se tivermos sorte, os episódios daqui em diante só vão melhorar constantemente – especialmente se considerarmos o que está sendo atualmente construindo, com a equipe tentando evitar o futuro e uma nova equipe de vilões no caminho. Mas isso, só as próximas semanas nos dirão.

No que diz respeito à parte técnica, nem há muito o que falar. O episódio evidentemente foi um dos mais caros da série, e isso nota-se muito bem no uso dos efeitos visuais, seja na construção de vilões em CGI ou na grande luta final envolvendo o Deathlok.

De resto, tanto a fotografia quanto a sonoridade são competentes, não indo muito além do necessário, mas contando a história de uma forma digna.

Por mais que eu deva agradecer à série pela coragem em transformar a maior reviravolta do 100º episódio em algo positivo em vez de uma tragédia homérica, não posso deixar de me sentir frustrado. Talvez, no grande esquema das coisas, a trama do episódio prove seu valor e mostre como eu estava enganado. Mas por enquanto, não deixa de me passar a impressão de que foi muito barulho por algo legal, mas que deveria ter sido excelente.

Abaixo, confira mais imagens da série:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às sextas-feiras, na ABC. Não perca a minha review semanal da série, todas as segundas-feiras, aqui na Legião dos Heróis!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux