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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×08-09 – A Luta pelo Amanhã!

Por Gus Fiaux

Nas duas últimas semanas, tivemos mais atualizações sobre a grande aventura dos Agentes da S.H.I.E.L.D. no espaço, com direito a uma grande reviravolta que deixou todos os fãs de queixo caído… mas infelizmente, a série está caindo em uma constante entediante, e o nono episódio, intitulado “Best Laid Plans” é uma prova mais-que-concreta disso.

Desde que o novo ano começou, muitos fãs perceberam uma certa… dificuldade em se manter à altura da excelente quarta temporada. Embora o piloto tenha sido muito satisfatório, fomos logo apresentados a alguns episódios lentos e pouco empolgantes, até a série ter novamente um crescente, com três incríveis episódios seguintes. Mas os últimos dois estão mostrando novamente essa dificuldade em fazer algo interessante e envolvente.

The Last Day”, lançado no dia 19 de janeiro – e que não cobri em uma review à parte por razões pessoais – começa muito bem, e sabe se guiar dentro de sua narrativa. Ele explora um cliffhanger deixado pelo episódio anterior, onde vemos Phil Coulson, Melinda May, Tremor e FitzSimmons encontrando ninguém menos que Robin, muito mais velha do que desde a última vez que a vimos, no quinto episódio da temporada.

Aqui, os heróis precisam lidar com suas decisões arriscadas, enquanto fazemos uma descoberta impressionante: o passado da Terra, no qual Daisy destrói o planeta, é na verdade o futuro para os personagens. O que significa que eles passarão boa parte dos próximos episódios tentando voltar no tempo para causar essa tragédia, para só depois poder tentar impedi-la.

Particularmente, achei essa uma decisão sensacional, e que serve muito bem para explicitar a natureza dos poderes de Robin, que, assim como seu pai, fazia profeciais que sempre se concretizavam. No entanto, a equipe precisa tentar mudar o impossível, para que eles não percam pessoas importantes, como Mack e Simmons.

O episódio ainda acaba em um tom emocionante e triste, quando Robin finalmente falece. Mas graças às suas últimas palavras para May, já sabemos qual será o grande plano para a equipe: encontrar o inumano Flint, capaz de controlar rochas, para que ele possa sintetizar um novo monólito capaz de enviá-los ao passado.

No entanto, se a trama ainda tinha alguma importância aqui, o mesmo não pode ser dito de “Best Laid Plans”, nono episódio da temporada. Aqui, temos puramente um episódio de ação – e funciona muito bem se pensarmos nisso e puramente nisso. Mas em termos narrativos, não temos nada. Absolutamente nada. É um episódio que serve apenas para encher linguiça e para trazer de volta dos mortos uma personagem com quem ninguém se importava muito, enquanto vemos Yo-Yo e Mack liderando uma rebelião na base-colônia, e se voltando de vez contra os Kree.

Kree, por sinal, que se mantém sendo a pior coisa da temporada. Ninguém já aguenta mais a trama de Kasius, e seus monólogos forçados e sem graça. Se não fosse por Eli Morrow, o tio do Motoqueiro Fantasma da temporada anterior, diria até que estamos diante do pior vilão que já passou pela série. Sua trama não tem nada de interessante, e toda cena dele parece a mesma, já que não há nenhum desenvolvimento realmente impactante em sua personalidade.

O máximo que podemos elogiar de sua participação foi o gancho deixado pelo final do episódio. Aqui, descobrimos que ele está mantendo alguém como refém, e que essa pessoa está o atualizando de todos os passos dos agentes. Embora o pensamento mais rápido seja de que ele está com algum inumano clarividente, como Robin, eu e alguns fãs já teorizam de que ele tenha sequestrado algum dos membros da equipe depois deles terem sido enviados ao passado novamente. E se isso for verdade, ainda podemos respirar aliviados com a ideia de que Simmons ou Mack podem estar vivos.

De qualquer forma, eu senti uma freiada brusca com relação ao que a série estava fazendo desde o quinto episódio (e melhor da temporada até então), onde descobrimos tudo que aconteceu com Fitz enquanto a equipe fora sequestrada por Enoch – aliás, um dos melhores personagens da nova trama, e que espero que faça parte do elenco regular da série no futuro.

Parece que os roteiristas e produtores estão fazendo de tudo para “esticar” uma grande trama em toda essa temporada, em vez de simplesmente quebrá-la em vários arcos – algo que deu muito certo nos dois anos anteriores. Por conta disso, eu tenho uma sensação similar à que tive com a segunda temporada.

Para muitos, a primeira temporada é a pior da série. Eu já penso que a segunda foi o ano mais difícil de se assistir. Não porque os personagens não tiveram desenvolvimento ou nada do tipo, mas porque muitos episódios se estenderam desnecessariamente em tramas entediantes apenas pelo bem de um “arco maior”. E o quinto ano está caindo refém disso. Há elementos mais interessantes que podiam estar sendo trabalhados no momento, em vez de vermos Kasius dando seu octacentésimo vigésimo sexto monólogo cruel enquanto ameaça alguém muito mais inferior que ele. Já está chato.

Em termos técnicos, nem há muito o que discutir, uma vez que S.H.I.E.L.D. se mantém em seu auge de recursos. A direção de arte continua muito eficaz recriando a atmosfera desse mundo distópico, enquanto os efeitos visuais permanecem impecáveis para uma produção televisiva desse nível. Como sempre, destaco a edição e mixagem de som, por realmente fugirem do básico e elevarem a narrativa numa ótica atmosférica.

Mas isso não é o suficiente para salvar uma trama chata. Devo confessar que até a luta final entre Sinara e Tremor, que outrora me deixaria vibrando e me causaria arrepios, por estar afundada em uma história tão morna, só me fez bocejar várias vezes e checar quanto tempo ainda faltava para o episódio acabar.

Com sorte, a iminência do centésimo episódio pode fazer isso mudar. Ou não.

Abaixo, confira algumas imagens do próximo episódio da série:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às sextas-feiras, na ABC. Você pode conferir minha review semanal (quase) todas as segundas, aqui na Legião dos Heróis.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux