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Agentes da S.H.I.E.L.D.: 5×07 – O Resgate!

Por Gus Fiaux

A essa altura do campeonato, Agentes da S.H.I.E.L.D. já mergulhou tão profundamente na intensidade de sua aventura espacial, que é desnecessário falar como a série tem evoluído e se provado, a cada ano, o programa de super-heróis mais versátil da atualidade. Após dois episódios excelentes, a trama continua em um crescendo espetacular, fornecendo a ação que o público quer, mas deslizando perigosamente no que o público precisa.

Eu sempre costumo bater na tecla de que o que sempre tornou S.H.I.E.L.D. diferente de outras séries do “gênero” foi sua inclinação mais que dramática para um foco evidente: os personagens. Em quatro temporadas, a série nos apresentou rostos novos, e sempre nos fez simpatizar com eles ou odiá-los. AIDA é uma vilã complexa por isso, e é justamente por esse motivo que sentimos falta do agente Trip, mesmo que ele não tivesse tido tanto foco em sua apresentação.

Nessa temporada, os produtores foram à loucura e fizeram questão de apresentar um grande número de novos personagens. Temos o canalha Deke, o inumano Flint, a inspiradora Tess (que infelizmente teve um fim prematuro) e, é claro, o maligno Kasius, um líder Kree que tem alguns problemas paternos e sempre conta com a mortífera Sinara ao seu lado.

No sétimo episódio da temporada, “Together or Not at All”, continuamos diretamente de onde o episódio anterior parou, com Fitz, Simmons e Tremor foragidos, enquanto precisam encontrar o restante dos agentes. Aproveitando esse clima de tensão, o foco agora é transferido justamente para o núcleo antagônico, e conhecemos um pouco mais de Kasius e de sua famíllia… e tenho que dizer que foi difícil ficar acordado.

Após vilões tão memoráveis quanto Hive e AIDA, Kasius não passa de uma criança mimada e chata. Ele tem grandes diálogos e sequências importantes com seu irmão mais velho, Faulnak. E todas seguem da mesma forma: com o irmão dele sendo amedrontador e cruel, mas ele sempre dando uma forma de escapar, até o derradeiro final onde ele finalmente supera a intimidação e o apunhala pelas costas.

Dessa forma, como personagem – como eu disse, o grande foco da série –, Kasius continua sendo o ponto mais fraco dessa temporada. Se ele era assustador nos primeiros episódios, já consegui superar esse medo e toda semana faço questão de apunhalá-lo nessa review, porque é um personagem que tem muito potencial. O cara é um Kree e tem todo um problema envolvendo sua linhagem. Ele não devia ser tão chato assim.

Por outro lado, uma vida gasta e uma vida ganha. A braço-direito de Kasius, Sinara, continua sendo uma personagem bem curiosa. Ela não tem muito desenvolvimento e parece ser só uma “May da primeira temporada só que do mal”. Ainda assim, há um clima de enigma e mistério que funciona perfeitamente na personagem, e que dita de forma grandiosa o seu antagonismo.

E para finalizar minhas críticas aos Kree – ou seriam Kreetícas? Tá, tudo bem. Eu prometo que nunca mais faço trocadilhos com Kree aqui –, tenho que citar o visual mais uma vez. Sabemos que é necessário dar uma individualidade a esses personagens. Mas são tantas coisas bizarras atiradas a esmo (maquiagem preta, maquiagem branca, próteses faciais, olhos amarelos) que chega a ser difícil identificá-los como membros de uma espécie única. Nesse caso, menos realmente seria mais.

Mas bem, consegui soltar um pouco da amargura – resultado das férias, já que estou com muita saudade de escrever listas e ser sumariamente xingado nos comentários – e agora posso partir para os elogios: no que o episódio falha em trazer bons arcos de personagem, ele consegue dar conta na ação, tensão e emoção.

A fuga de FitzSimmons e Tremor é tensa de uma forma bizarra, e eu já estava nervoso só de imaginar o que poderia acontecer caso eles fossem pegos pelo Kree emo e gótico que deve ter sido muito fã de Tokio Hotel em 2009. Depois, eles ainda têm uma sequência bem eletrizante junto ao resto da equipe.

Flint, o novo Inumano – inspirado em um personagem dos quadrinhos – capaz de manipular rochas, é alguém que me deixa extremamente dividido. Apesar de ser um personagem rico e complexo, com uma boa história de fundo, não deixa de tomar atitudes burras e chatas. Tudo bem que é só um adolescente, mas ainda assim não dá pra parar de revirar os olhos em algumas cenas em específico.

O final, é claro, nos traz uma surpresa grata e emocionante. Mack e Yo-Yo ficam para trás para poderem cuidar de Flint, enquanto os outros agentes buscam por ajuda. E, na superfície da Terra, May e Enoch – que já é um dos meus personagens favoritos da nova temporada – são capturados (ou melhor, salvos) por uma figura surpreendente: Robin, a clarividente “responsável” por colocar toda a equipe no futuro. Aqui, ela já é uma senhora e parece liderar uma espécie de resistência na Terra.

Apesar dos problemas, mencionados no início do texto, esse é um episódio bem divertido e descontraído, mas que nunca perde de vista o senso de urgência. A tensão está lá, e mesmo com a interação entre os heróis, que sempre é muito boa, ela não é apagada e fornece uma ameaça constante.

Tecnicamente, o episódio é competente. Nada se destaca muito, mas nada é pavorosamente ruim – com exceção, é claro, das maquiagens dos Kree. Tirando isso, não há muito a se comentar.

Agora, nós sabemos que teremos uma completa guinada nessa trama, já que a equipe – ou ao menos a maior parte dela – finalmente fugiu da nave-colônia Kree, mas ainda falta muito até eles finalmente encontrarem um bom jeito de fugir para casa. E acompanharemos isso aos poucos, até porque a série está a poucas semanas de alcançar uma marca lendária e chegar ao seu 100º episódio.

Abaixo, confira algumas imagens da série:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às sextas-feiras, na ABC. Não perca a minha review semanal todas as segundas, aqui na Legião dos Heróis.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux