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A lição precisa ser aprendida: caracterização é fundamental!

Por Felipe Vinha

Punho de Ferro foi cancelada e o cancelamento, geralmente, significa apenas uma coisa: baixa audiência e pouco retorno do dinheiro investido. E acredite, a série não era barata, como qualquer produção envolvendo um nome grande e de marca famosa – como é o caso do Marvel Studios e um herói já até bem conhecido.

Mas por quais motivos a série não foi tão bem aceita pelos fãs? Posso citar vários, como já cansaram de falar sobre a primeira temporada: lutas ruins e mal coreografadas, atuação sofrível de Finn Jones, além de algo bem importante, que é a falta de um uniforme.

Sim, a caracterização do personagem, como é visto nos quadrinhos, é algo que o público sente bastante falta, ao menos uma boa parcela. Afinal, estamos falando justamente da série que mais envolve elementos irreais e de fantasia entre todos os “Defensores” – Jessica Jones, Luke Cage e Demolidor inclusos.

Mas antes, vamos entender uma coisa bem importante.

É preciso ter parcimônia na hora de julgar a caracterização de um personagem. Criticar a série ou filme por uma foto de bastidores e sem finalização? Não. Criticar que o personagem não está usando uniforme na primeira temporada ou nos primeiros capítulos? Também não. Reclamar porque a etnia de um personagem é diferente do original? Muito menos isso. Este não é o caso neste texto, a ideia é tocar em uma certa ferida. A ferida da síndrome “quero ser adultão e verossímil”.

Gosto muito da maioria da séries da Marvel da Netflix. Até mesmo a primeira temporada de Punho de Ferro eu gostei – a reta final é incrível e todas as revelações foram bem trabalhadas. Porém, essa fixação em ridicularizar o material original, tratando os uniformes como piadas ou coisas de criança, não me desce.

No segundo ano de Punho de Ferro tivemos um breve momento com uma roupa cerimonial que lembrava o uniforme, mas já era tarde demais. Em todos os outros capítulos vimos Danny Rand com trajes normais ou com trapos no rosto. E o problema não é só com a Netflix.

É bem comum ver outras séries seguirem caminho similar. O caminho do bom e velho “colete tático pintado de cor diferente para dizer que é uniforme”. Vemos isso em Agentes da S.H.I.E.L.D. com Harpia e Deathlok, por exemplo. Não vale, gente. Quero algo mais espalhafatoso, mais “quadrinhos”.

Na própria Netflix: Jessica Jones não usa uniforme e até aí tudo bem, pois é da natureza da personagem, mas há uma piada com sua roupa heróica. Luke Cage a mesma coisa, e com direito a piada. O Demolidor utilizou seu uniforme com mais proeminência a partir da segunda temporada, mas as prévias do terceiro ano, e boa parte dos Defensores, mostram o herói com sua antiga roupa, preta e simples. Porquê? Narrativamente falando pode fazer sentido, mas é tão necessário assim?

E não pense você que a crítica vale apenas para as produções da Marvel. No passado a DC e a Warner utilizavam muito desta tática terrível, principalmente em Smallville, um de seus maiores sucessos, mas que ainda tinha fixação por caracterizações simples – ainda que tenha sido corrigido nas temporadas mais próximas do final. Contudo, é comum ver algo similar ocorrendo ainda em Supergirl, por exemplo.

Você pode até não curtir The Flash, ou Titãs, e pensar que elas possuem enredos bobos demais e repetitivos – e eu concordo em vários pontos disso -, mas não dá para reclamar de quão “galhofa” são os uniformes. O Flash, vale lembrar, usa sua roupa heróica já no primeiro episódio da saga. E a Batwoman está chegando ao Arrowverso, com direito a máscara, peruca vermelha e um morcegão no peito.

Em Titãs, vemos Robin com o clássico traje, enquanto os outros não. Contudo, nomes do elenco já declararam que, por exemplo, Estelar e Ravena ficarão com visuais bem próximos dos quadrinhos – conforme as personagens evoluem na série e se tornam, de fato, heroínas.

Não dá para querer se levar tão a sério. Punho de Ferro fala sobre um lutador marcial que adquire seu poder de um dragão e pode quebrar qualquer coisa com seus punhos brilhantes de energia. Você quer realmente que este tipo de história seja realista e pé no chão? Talvez um dia os estúdios entendam, ou talvez os erros continuem. Só o tempo dirá, mas a gente espera.

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sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha