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The Walking Dead: 8×04 – Em nome do Rei!

Por Mike Sant'Anna

Demorou 4 episódios, mas finalmente tivemos um momento na temporada de The Walking Dead que nos relembrou porque a série se tornou o que ela é, tivemos um episódio que nos deixou de olhos arregalados o tempo inteiro, que nos fez prender respiração, nos fez apertar o coração e gritar um sonoro “NÃO!” para a tela da TV.

Podemos começar com um pedido: À partir de agora, todos os episódios poderiam ser focados em Carol e Ezekiel? Pois sem dúvida alguma, eles já vinham se mostrando os melhores personagens que esta temporada tinha à oferecer, e quando tivemos este episódio completamente focado nos dois, a qualidade não nos decepcionou.

Sem dramas repetidos e desnecessários de Morgan, Jesus, Tara, Rick ou Daryl, apenas um episódio bem construído – com algumas lombadas, mas compreensíveis – desde a sua parte técnica, que podemos perceber por exemplo na sequência inicial onde os moradores do Kingdom começam a gritar “Somos um!” abraçando o Rei, e logo em seguida temos um corte bruto para os cadáveres empilhados em cima de Ezekiel.

Foi um episódio agoniante, da melhor maneira possível, onde tudo contrastava, mostrando este conflito interno de dois “Ezekiéis”, o Rei imponente que sorri perante qualquer situação, e “um cara qualquer” que deu a sorte de encontrar uma Tigresa. Toda esta temporada de The Walking Dead parece estar sendo sobre dilemas pessoasi, e o de Ezekiel foi o primeiro que realmente teve alguma substância, te fez embarcar junto com ele na dúvida de “onde começa o personagem e onde ele termina?” o quanto o Rei Zeke é realmente apenas uma invenção agora? Pode até ter começado como tal, mas com certeza, seus súditos já transformaram isso em realidade de alguma maneira.

Ezekiel se provou um personagem incrível, tanto em sua trama e sua narrativa, trazendo um personagem de valores fortes, completamente identificável, mesmo em sua fantasia, um líder real que, com toda certeza, muitos de nós seguiríamos com orgulho. Como também é incrível a execução do ator Khary Payton ao entregar um personagem tão carismático, e com uma personalidade tão forte, que preenche a tela e sequestra a nossa atenção.

O Rei não foi a única coisa incrível que tivemos neste episódio, já que tivemos a volta de Carol como essa força implacável da natureza, que ela escolheu se tornar – como ela mesma disse no episódio – E Jerry servindo como este poderoso braço direito do Rei, que não importa o que o próprio Ezekiel diga ou faça, ele se mantém leal. É engraçado como a personagem de se tornou uma espécie de “super-heroína”, e que foi feito de uma maneira tão bem feita que você aceita isso muito mais do que essas personas heroicas que foram dadas à Rick e Daryl.

Já que mencionamos o nome dos dois, ambos foram o único ponto fraco desta semana pois, em um episódio tão intrinsecado nas raízes  da série, a sequência de Rick e Daryl nos remeteu a como a série caminha para sair de uma história de apocalipse zumbi trazendo elementos de um blockbuster genérico de ação. Assim como semana passada, você poderia facilmente substituir Rick e Daryl por Vin Diesel e The Rock, que a sequência da perseguição de carro seria a mesma, com direito a cena de carros pareando e Rick pulando de um carro pra outro.

Mas em sua maioria, o episódio foi excelente pois a série voltou a se tocar de algo muito importante em sua essência: The Walking Dead não é sobre matar personagens, é sobre fazer a morte tão importante quanto à vida.  E é o que nós sentimos quando cada figurante morto neste episódio foi destacado um pouco no começo, mostrando as famílias que eles estavam deixando pra trás. Você pode não lembrar o nome de nenhum deles, mas você está lamentando muito mais a morte da mulher com uma flor no braço, que deixou o filho pra trás, do que a morte de Morales. Todos que morreram neste episódio deixaram um impacto, mesmo que um pouco, mas que no somatório final conseguiu te deixar no mesmo nível de desgraçamento que Ezekiel sentia ao voltar para o Kingdom. Principalmente quando estamos falando da morte de Shiva, uma tigresa, feita em CGI, mas que será para sempre lembrada como uma das perdas mais tristes da série.

Como Zeke disse: “Quando te chamarem para ser o herói, seja o herói“, e dessa vez Shiva foi chamada para ser a heroína. Assim, o homem que um dia a salvou quando ela estava com a perna machucada, precisava ser salvo que ele estava com a perna machucada. A cena pode ter alguns furos narrativos e de explicação, mas que eu particularmente, consegui relevar todos eles pelo bem do impacto da cena e da importância que ela teve na história.

Então, nas palavras de Jerry: “Obrigado Vossa Majestade, por ser um cara tão legal!”

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The Walking Dead vai ao ar aos domingos, e é exibida simultaneamente nos EUA e no Brasil. Aqui, a série passa no canal FOX.

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sobre o autor Mike Sant'Anna

Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço... É bem retardado.